sábado, 4 de dezembro de 2010

Amaro da Costa

Adelino Amaro da Costa morreu há precisamente 30 anos, em 4 de dezembro de 1980, na queda do mesmo avião que vitimou o então primeiro ministro, Francisco Sá Carneiro.

Era ministro da Defesa do governo da Aliança Democrática e era considerado uma das mais brilhantes figuras da sua geração política. "Número dois" do Centro Democrático Social (CDS), era tido como o grande estratega da área conservadora portuguesa de então.

Foi agora publicada uma sua biografia, assinada pela sua irmã, Maria do Rosário Carneiro, e pela jornalista Célia Pedroso. Nela são acolhidos depoimentos de pessoas que privaram com Amaro da Costa, que o acompanharam desde os seus tempos de especialista em matéria de educação e de militante de grupos católicos até à sua ascensão ao poder político, passando pela difícil aventura que foi a implantação do CDS, no período posterior ao 25 de abril.

Não é uma biografia com a riqueza da que desenhou o percurso, pessoal e político, de Sá Carneiro, de que já falei aqui. Mas é um livro interessante - e até complementar do anterior - que ganha em ser lido no cruzamento com alguns outros testemunhos da época.

Na tese de quantos acham que o desastre de Camarate foi um atentado e não um acidente há uma quase certeza: o alvo seria Adelino Amaro da Costa e não Sá Carneiro, que apenas tomou a decisão de viajar no fatal avião muito pouco tempo antes. De acordo com essa leitura, o ministro da Defesa poderia estar a tocar em matérias sensíveis - desde a venda de armas a recursos financeiros confidenciais - que poderiam pôr em causa alguns importantes interesses. Será isso verdade? O livro fala do tema, mas não nos traz dados novos sobre o tema.

Pena é que a imagem de Portugal tenha ficado manchada pelo facto de nunca se ter conseguido provar, de forma incontroversa, as razões da morte de dois dos mais proeminentes políticos dessa época, bem como de seus familiares e outras pessoas. Entre os quais, aproveito para notá-lo, uma pessoa por quem tinha grande estima, António Patrício Gouveia.

5 comentários:

Anónimo disse...

Li a biografia de Sá Carneiro e é, sem dúvida, muito rica na forma como descreve o percurso pessoal e político; a de Adelino Amaro da Costa será, certamente, um excelente complemento para melhor entender a vida política portuguesa durante aquele período.

Concordo que, após três décadas, é pena continuar a incerteza se foi acidente ou atentado (inclino-me para esta tese…).

A única incerteza que não persiste é quanto à grandeza política e intelectual dessa época – da “esquerda” à “direita”. Os debates televisivos eram únicos, lembro-me que, na casa dos meus pais, jantava-se mais cedo para não se perder nada e o silêncio era sepulcral.

É impossível afirmar-se se Portugal estaria melhor ou não em termos económicos, mas a incógnita ficará para sempre.

Isabel BP

Anónimo disse...

Houve um tempo,(ano 75) em que almoçava com o engº Amaro da Costa na "braseira" nas Janelas Verdes - deixou-me gratas recordações.

O drº Sá Carneiro, por vezes era visita do restaurante - nunca lhe ouvi a voz, por ele, falava a sua secretária, Conceição Monteiro. - mantinha a mesma postura, durante o almoço, tinha bons ouvidos,ao que era dado a observar

Anónimo disse...

As vidas interrompidas por origem de morte indeterminada, perpetuam-se através do se... onde a conjetura se torna no é possivel.
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Camarate, teve, "oportunamente", uma possibilidade de ser devidamente investigado. Infelizmente, "razões várias" acabaram por paralisar essa mesma investigação...
Enfim, vá lá saber-se "porquê"?
P.Rufino

César Ramos disse...

Senhor Embaixador,

Se V.Exa. permitir, gostava de aproveitar estas suas colunas para recordar daquela tragédia, dois nomes - não políticos - quase sempre esquecidos: JORGE ALBUQUERQUE e ALFREDO DE SOUSA.

Melhores cumprimentos,
César Ramos