sexta-feira, dezembro 24, 2010

A colher

O diplomata ia a sair do jantar, em casa de um amigo, no posto onde estava colocado. Já perto da porta, o empregado da casa, que ele conhecia de há muito, revelou-lhe a sua indignação: tinha acabado de ver um determinado convidado meter ao bolso uma colher de prata do serviço de café. Valia a pena dizer ao patrão, com o risco de ir criar um escândalo?

Não, não valia a pena, aconselhou o diplomata. E, para surpresa do empregado, pediu-lhe uma colher idêntica, meteu-a no bolso do casaco e regressou à sala, onde a festa  ainda ia animada.

A certo passo, aproximou-se do indivíduo que surripiara a colher e, em tom de cumplicidade, disse-lhe, mostrando discretamente a colher que acabara de meter ao bolso: "Meu caro, dizem-me que "eles" já sabem que fomos nós quem sacou as duas colheres que faltam. Vou pôr a "minha" discretamente naquela mesa ao fundo. Quer lá pôr a "sua" também?"

5 comentários:

  1. Anónimo09:27

    O cenário era a véspera de um Natal
    A gota na tempora quase único sinal
    Fuga, lacrimal lágrima denunciadora
    Encontro anunciado com Ela, Senhora

    Para Ela não estava lá mais Ninguém
    Ele era o Mundo e era único Alguém
    Sonho, realidade o tempo todo Natal
    Presente do tempo Dele Sorte afinal

    A colher o café o local um pretexto
    Pelo menos Uma lealdade no contexto
    Do amor com um amor com sem futuro

    Momento simples de alento casmurro
    Canteiro bosque seriedade o sorriso
    Colher de candura perdição do juízo

    Isabel Seixas


    Feliz Natal a Todos

    ResponderEliminar
  2. Ena! Que GRANDE lição!
    Tal-qual como se faz com as criancinhas.
    Genial...
    Imagino a surpresa do cleptómano...
    Para não falar do espanto do serviçal, perdão, do empregado da casa.
    Se um dia houver tempo e paciência para um volume deste género de memórias, seguramente que será um sucesso, de tão saborosos episódios destes 'flagrantes da vida real'.
    :)

    ResponderEliminar
  3. Senhor Embaixador,

    Podia ter lido, gostar, e ficar calado; mas não posso!... tenho de manifestar a minha reacção de agrado perante a sua iniciativa ímpar!

    Até eu, que sou conhecido por muitas saídas idênticas, não teria tido a sua agilidade mental!

    De génio!... de diplomata de corpo (e espírito) inteiro!

    Cumprimentos
    César Ramos

    ResponderEliminar
  4. (...) agradam-me estas coincidências! - Não é que passou pela minha cabeça a mesma ideia de 'Margarida'!?

    Na verdade... os textos deste Blogue estão limitados a esta galáxia.
    Urge publicá-los em livro [de papel! nada de E-books].

    Lá fora, o grande público agradeceria uma obra desta natureza para prendas de Natal: isto é - Todos os Dias!

    César

    ResponderEliminar
  5. Senhor Embaixador
    Que bela história neste tempo e nesta terra. Que humor subtil e que lição. E, sobretudo, que tolerância inteligente.

    ResponderEliminar

Cada coisa é uma coisa

Daqui a dias, Portugal vai disputar a fase final do Mundial de futebol. O atual conjunto de jogadores é excelente, do melhor que até hoje ti...