quinta-feira, outubro 28, 2010

Periferia?

Entrar numa tabacaria em Vila Real, antes de almoço, e poder comprar o "Le Monde" com data "Jeudi 28 octobre 2010" (sim, eu sei que o "Monde" sai na véspera, a meio do dia, com a data do dia seguinte, mas mesmo assim...) é a prova provada de que a periferia já não é o que era.

Sem nostalgia (antes pelo contrário...), recordo-me dos tempos - final dos anos 60 e durante os anos 70 - em que disputávamos, da parte da tarde, os muito escassos "Diário de Lisboa" da véspera, que eram destinados à venda na cidade.  Os mais atentos sentávamo-nos então no café "Pompeia", de olho na tabacaria do "Bragança", logo em frente, à espera de ouvir o barulho da motocicleta do Fernando "Choco", em cuja caixa traseira chegavam os rolos com os "Lisboas", trazidos da estação. O Neves da "Pompeia" ficava furibundo quando via abalar, de sopetão, esses clientes oportunistas, motivados apenas pela geografia citadina, em direção à pastelaria "Gomes", onde um mais generoso consumo, a leitura e a conversa de tertúlia dos universitários em férias iria prosseguir.

Alguns anos antes, muitos de nós tínhamos um ritual em tudo idêntico. Só que a moto era do Albertino "dos jornais", o local de espera eram as escadas do Banco de Portugal,  no "Cabo da Bila*", a publicação por que se ansiava era, uma vez por semana, o "Cavaleiro Andante". Outras idades e outras letras.

*Com "b", claro

11 comentários:

  1. O mesmo não posso dizer eu, que quando chegava para comprar o Diário de Lisboa, ao outro dia, pois eu morava nos arredores da cidade, já estava esgotado e para colmatar a falha, comprava o Diário Popular e lá ia eu todo contente com as mãos sujas de tinta preta de regresso a casa.
    Como era importante para mim, na altura ler os jornais de Lisboa, pois os do Porto, sempre mais presentes, não despertavam tanta curiosidade.
    Bons e belos tempos esses que nos trazem à memória, memórias de outros tempos.

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  2. Anónimo16:02

    Até q enfim algém reconhece q VRL já n é tão periférico,qnt a maioria das pessoas pensa.
    Tb eu conheci todas estas pessoas...como o tempo voa!

    Os meus cumprimentos sr.Embaixador.
    (sra.da bata branca)

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  3. Ver desaparecer bons jornais é triste, causa nostalgia, sentimos a falta de algo. O diário de lisboa, o século (magnífico titulo de jornal), o diário popular, cada um tinha o seu encanto, estilo, posicionamento socio-politico e colaboradores. Todos nos fazem falta.

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  4. Sr Embaixador
    Eu leio diariamente o Estado de MInas aqui em BH e na minha terra que é no interior de MG, a entrega também era de bicicleta. Somos assinantes há muitos anos.
    Ele é fraquinho. Resume bem as noticias, mas amamos o nosso jornalzinho.
    com carinho MOnica

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  5. Bem boas eram as idades, menos boas eram as letras...

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  6. Anónimo21:42

    Como é maravilhoso, encontrar um Blog de alguém natural da "preferia" de portugal, que desempenha alto cargos, e não se esquece das origens,

    Muitos Parabéns

    Arménio Carvalho Ribeiro

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  7. Ó Sr Embaixador,

    Não me fale do POMPEIA que eu choro...
    Tão feliz que fui no POMPEIA!... Ó tempo, volta pra trás!
    Ai aquela bola de carne! Ai aquelas miudas bonitas... Olha, a filha da tabacaria BRAGANÇA... Bem gira que era...

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  8. Anónimo09:11

    Pois eu lembro-me mais do universidade,na proximidade dos bombeiros da cruz "verde" e da Escola de Enfermagem e UTAD...
    E da ambiência(1981) ... Claro.
    Ah! e do jardim da carreira, onde estudávamos anatmofisiologia, e não só, líamos os nossos jornais diários.
    Permita-me incorporar também o Transmontano e a Voz de Chaves
    Isabel Seixas

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  9. Estes comentários estão carregados de nostalgia.
    Como disse o presidente do Brasil, Lula da Silva, estamos todos a ficar velhos, só pode ser isso...

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  10. " (...) Sem nostalgia (antes pelo contrário...)" - porquê?
    É tão boa, essa moinha... (é, é!)
    :)

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  11. Delirei com estes comentários todos! Ri imenso e como estou fora perguntam-me porque rio e eu ainda rio mais porque traduzido nada é igual!
    Balha-me Deus!

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