Foi mais para ser simpático do que por qualquer outra razão que perguntei:
- Há muitas senhoras a dirigir táxis, cá em Lisboa?
O seco "algumas", saído da boca da motorista, logo me fez ver que estávamos longe de um ambiente distendido, passível da sociologia de pacotilha que o tema poderia, despretenciosamente, ajudar a cultivar, nos minutos da viagem.
Logo na primeira rotunda, tudo se confirmou:
- Saiu-te a carta na farinha Amparo, ó palerma! - gritou, abrindo o vidro, para um outro automobilista.
- Cada vez há mais bestas por aí - teve a confidência de me esclarecer, não fosse eu não ter percebido.
- Cada vez há mais bestas por aí - teve a confidência de me esclarecer, não fosse eu não ter percebido.
Afundei-me no banco, por detrás do meu "Notícias", lamentando não estar a ler outra literatura mais consonante com a matriz da minha condutora, como "O Crime" ou quejandos. Estou certo que isso trar-me-ia outro nível potencial de cumplicidade.
Até a feminilidade é afetada pela crise. Ou será só a educação?