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segunda-feira, outubro 18, 2010

CCB

Fui daqueles que, ao tempo da sua construção, diabolizaram o Centro Cultural de Belém (CCB). Não só achava a obra uma megalomania tonta como desprezava a vontade de quantos haviam ousado estragar o equilíbrio dos Jerónimos com a proximidade "modernaça" de um mostrengo arquitetónico de duvidoso recorte neo-egípcio, que  iria impedir o "diálogo" sereno com a Torre de Belém. Além do mais, pensava eu, o CCB ia ser uma "catedral no deserto", condenada ao vazio e ao fracasso como projeto.

Enganei-me redondamente: o CCB tem uma dimensão não conflitual com a monumentalidade vizinha (100 metros de distância mais dos Jerónimos não teriam, porém, ficado mal) e constitui hoje um polo da maior importância na modernidade portuguesa. Os lisboetas "apropriaram-se" dele e afeiçoaram-se por completo a esta nova centralidade.

Às vezes, temos de ter a coragem - e a decência - de "dar o braço a torcer". Faço-o hoje, com gosto, a propósito do CCB.

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