Conheci pessoalmente José Cardoso Pires no final dos anos 60, em noites em casa do Carlos Eurico da Costa. Tinha-o lido bastante, mas desconhecia o conversador delicioso que ele era, com um humor cáustico e uma patente frontalidade, arredondada por inesperadas ternuras por coisas comuns. Durante muito tempo, via-o apenas a espaços, em momentos ocasionais. E continuava a lê-lo, claro.
Bastantes anos mais tarde, voltámos a encontrar-nos, já com alguma regularidade, na tertúlia do "Procópio", onde se conserva um grande retrato seu, como se deve a quem nos faz falta. A propósito do chafariz à entrada, José Cardoso Pires escreveu, um dia, esta pérola: "Um chafariz à porta de um bar é cá uma saudação que enternece o maior malvado".
José Cardoso Pires morreu, precisamente, há 12 anos. A melhor homenagem que lhe podemos prestar é lê-lo. Foi um dos grandes escritores da língua portuguesa e um homem que sabia o que queria da vida e o que queria para a vida de nós todos.
José Cardoso Pires morreu, precisamente, há 12 anos. A melhor homenagem que lhe podemos prestar é lê-lo. Foi um dos grandes escritores da língua portuguesa e um homem que sabia o que queria da vida e o que queria para a vida de nós todos.
