Há algo que não pode deixar de acompanhar toda a campanha eleitoral, porque não fazê-lo seria tomar os portugueses por parvos: a razão que provocou esta crise.
sábado, março 15, 2025
sexta-feira, março 14, 2025
Ad hominem
Parece claro que a tática de Luís Montenegro para as semanas que aí vêm, além de apresentar o saldo da sua ação governativa, é tentar criar um contraste de "figura de Estado" com Pedro Nuno Santos. Vamos assim ter uma campanha "ad hominem", coisa que não deve ser bonita de ver.
quinta-feira, março 13, 2025
Ontem
Miguel Macedo
Lamento muito a morte de Miguel Macedo. Sempre um senhor na política, um homem sério, vítima de uma inqualificável incompetência e de leviandade judicial, feita com cumplicidade mediática, num caso que lhe afetou a reputação, a vida pessoal e profissional e, quem sabe?, a saúde.
Branco
Aguiar Branco dava ares, no início do mandato, de querer assumir uma atitude de Estado, consonante com as responsabilidades inerentes ao lugar que ocupa. Com o decurso do tempo, foi perdendo equilíbrio e isenção. É pena. Usando termos de teatro italiano, sai pela direita baixa.
Maio
A mim, confesso, tanto se me dá que as eleições sejam a 11 como a 18 de maio. Só não gosto do 28 de Maio.
Trump e Putin. O jogo
Conversa entre Manuel Carvalho e Francisco Seixas da Costa, num podcast do jornal "Público".
Ver aqui.
quarta-feira, março 12, 2025
Encavacado
Cavaco Silva tem como objetivo de vida afirmar-se no olimpo social-democrata, numa espécie de competição virtual com a memória de Sá Carneiro e Passos Coelho. Num momento como este, com o líder do PSD envolvido numa trapalhada, o senhor professor está verdadeiramente encavacado.
Fasten seat belts!
M(AI)
Não dei conta que a senhora ministra da Administração Interna tivesse feito parte dos membros do governo escalados para irem às televisões defender a causa de Luís Montenegro. E, cá por coisas, tenho pena que isso não tenha acontecido.
Redil
Durante semanas, viu-se comentadores da área do governo criticarem Luís Montenegro, acompanhando o choque ético que atravessou o país. Isso foi ontem. Agora, com o cenário esquerda-direita de novo instalado no terreno, as ovelhas regressarão ao redil. Já se notou esta noite.
terça-feira, março 11, 2025
Samsonite
segunda-feira, março 10, 2025
11 de Março
O excelente documentário feito para a RTP por Jacinto Godinho abriu a ocasião. Depois, a historiadora Luísa Tiago de Oliveira fez um enquadramento da conjuntura.
A seguir vieram os testemunhos. O jornalista Adelino Gomes relatou o insólito encontro entre revoltosos e as forças do então RAL 1, cena que ele cobriu para a RTP. O comandante Costa Correia, uma prestigiada figura que meses antes ocupara a polícia política à frente de uma força da Marinha, relembrou a sua participação nesse frente-a-frente, que o filme registou para a História.
Seguiu-se a evocação da célebre Assembleia do Movimento daa Forças Armadas, por três pessoas que nela participaram e intervieram.
No que me toca, procurei explicar o que fazia o oficial miliciano que eu à época era no seio daquela história. Contei como integrei um grupo de oficiais, profissionais e milicianos, que, à hora de jantar desse dia, irrompeu pelo Palácio de Belém, suspendendo a reunião do "Conselho dos Vinte" e convenceu o presidente Costa Gomes a deslocar-se ao edifício do atual Instituto de Defesa Nacional, para uma sessão de debate com mais de 200 pessoas, entre os quais o primeiro-ministro Vasco Gonçalves e o almirante Pinheiro de Azevedo, que só terminaria cerca das sete da manhã. Tentei fazer uma leitura política do que ali se passou e, de caminho, falei também de uma outra reunião, muito mais tensa, com apenas cerca de 30 pessoas, que teve lugar 24 horas depois, onde se discutiu a composição do futuro Conselho da Revolução e em que também participei.
O coronel Nuno Santos Silva, da Força Aérea, que no 25 de Abril tinha sido um dos ocupantes do Rádio Clube Português, deu uma muito interessante visão das tensões políticas da época, chamando "os bois pelos nomes" no tocante às graves responsabilidades de António de Spínola, que, em 28 de Setembro de 1974 e naquele 11 de Março, ia levando o país para a guerra civil.
Vasco Lourenço, figura central do MFA, encerrou os testemunhos, relatando vários episódios, nomeadamente as tensões que protagonizou com o coronel Varela Gomes, que era a figura mais polémica da chamada "esquerda militar".
A sessão terminou com uma intervenção do anfitrião da sessão, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que falou em particular para os estudantes presentes. Também ele, à época com responsabilidades no jornal "Expresso", tinha algumas histórias para contar.
Foram umas belas horas. Fica uma foto da nossa audiência.
( Deixo a minha perspetiva sobre o 11 de Março de 1975, inserida num programa da RTP. Pode ver clicando aqui. )
"A Arte da Guerra"
Esta semana, fizemos uma interrupção no "A Arte da Guerra", o podcast sobre política internacional que, desde há quatro anos, faço com o jornalista António Freitas de Sousa, para o "Jornal Económico".
Regressamos na próxima semana.
domingo, março 09, 2025
Pois é!
Parece que vamos mesmo para eleições. Trata-se de uma fuga em frente de Luís Montenegro, que, pela relegitimação que julga ir conseguir através delas, espera poder escapar ao juízo negativo que grande parte do país faz do modo como geriu a triste trapalhada em que se envolveu. Montenegro, que se saiba, não cometeu nenhuma ilegalidade, mas o seu comportamento na questão dos seus interesses empresariais demonstra uma indesculpável leviandade, que se não esperava de um primeiro-ministro e de um político experiente. A paralela exposição de uma rede de conluios entre autarquias, escritórios de advogados e estruturas partidárias, que se soma a outros episódios recentes, conduz a opinião pública a um juízo cada vez mais negativo sobre a integridade do aparelho político, à conclusão de que o país está subjugado por uma inescapável rede quase mafiosa de troca de favores. É com estas e com outras que, daqui a uns meses, só um milagre nos livrará de ver em Belém um totem de cara esfíngica, uma espécie de justiceiro eleito "by default". Nessa altura, os políticos que agora por aí andam bem poderão limpar as mãos à parede pelo lindo serviço que irão fazer à imagem do país.
sábado, março 08, 2025
Mulheres
Tão simples...
O que faria se fosse eu a determinar o sentido de voto no PS na moção de confiança que o governo vai apresentar? Muito simples: decidia que o PS se abstinha, não caindo na esparrela de uma moção oportunista. De seguida, claro, avançava para a comissão parlamentar de inquérito.
Quem será?
A mini-crise política em que país se viu envolvido não parece ter tido origem, que se saiba, em nenhum imbróglio empresarial de algum dirigente da oposição. Estão de acordo? Se sim, fácil será identificar o nome de quem quer levar o país para eleições.
Viva o 8 de Março!
A frase não é minha, li-a há pouco e é uma verdade que, nem por ser lapalisseana, deixa de ser uma imensa verdade: metade do mundo são mulheres; a outra metade são os filhos delas. Viva o 8 de Março!
A denúncia da ditadura
Sou pouco dado a ir a filmes que estão na berra. Faço mesmo gala de não correr a ver os que tiveram Óscares, antes de passarem uns bons tempos sobre o início da sua exibição. Às vezes, acabo por só os ver na televisão.
sexta-feira, março 07, 2025
"A Arte da Guerra"
Pode ver e ouvir aqui.
quinta-feira, março 06, 2025
José António Saraiva
Foi há mais de duas décadas. Eu tinha sido objeto de uma determinada ação política, executada com o objetivo de me prejudicar, embora embrulhada em falsos pretextos. O "Expresso", de que José António Saraiva era diretor, publicou, na sua primeira página, uma notícia que dava uma visão falseada da questão, claramente soprada por alguém a quem essa versão convinha que fosse difundida por um jornal com aquela projeção. Conhecia mal José António Saraiva, mas telefonei-lhe e disse-lhe isso mesmo. A sua reação foi de clara surpresa: "Só publiquei a notícia daquela forma porque considerei que a minha fonte, que era de um nível político muito elevado, era de total confiança". Retorqui: "Essa pessoa, que desconfio quem seja, mentiu-lhe. Se quiser, pode citar-me a dizer que essa figura mentiu". E dei-lhe dados e pistas que lhe permitiriam, se quisesse, repor a verdade dos factos. Assim aconteceu. Uma semana depois, o "Expresso" voltou ao assunto, desta vez com todo o rigor factual e dando-me mesmo oportunidade para afirmar a minha parte da verdade. Não esqueci isto. E apetece-me lembrar esse gesto, nesta que é a hora da morte de José António Saraiva, com uma idade que conheço bem.
Língua portuguesa
Aa minhas intervenções centraram-se no estatuto internacional da língua, nos limites da sua projeção e no grau razoável de ambição que é possível ter para a sua contínua promoção. Falei do papel do Brasil e do futuro da língua em função do ascendente demográfico previsível de Angola e Moçambique, no final do século. Procurei ser realista, tentando não ser voluntaristicamente eufórico nas perspetivas futuras do Português no mundo. O patrioteirismo linguístico não faz o meu estilo.
quarta-feira, março 05, 2025
... não morre solteira!
Importa que o PS deixe claro que, mal tome posse a nova Assembleia da República, depois das eleições, e qualquer que seja o desfecho destas, apresentará um requerimento para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito, nos mesmos termos da que já tinha anunciado.
Trump
terça-feira, março 04, 2025
Jean-Louis Debré
Jean-Louis Debré, que hoje morreu, foi uma figura atípica da vida política francesa. Conhecido "franc-parleur", mantinha Nicolas Sarkozy e Edouard Balladur como seus "inimigos íntimos" - e não o escondia. Ao contrário, Jacques Chirac foi um dos seus grandes amigos, uma figura a quem se manteve fiel ao longo da vida.
segunda-feira, março 03, 2025
A nossa língua dos outros
É excelente que um filme em língua portuguesa vença um Óscar. O português é também a nossa língua dos outros.
"Trump e a força dos fracos"
Ver Keir Starmer e Emmanuel Macron a assumir um assinalável protagonismo, na atual crise de segurança ocidental, quando os sabemos a ambos extremamente debilitados nos respetivos cenários internos, mostra que a vida política é uma caixa de surpresas.
domingo, março 02, 2025
Toda a gente?
Nos últimos dias, toda a gente fala do caso Montenegro e das suas repercussões para a estabilidade política do país. Toda a gente? Bom, bem vistas as coisas, nem toda ...
Ai se fosse o PS ...
Sei como funcionam as televisões, em face de um acontecimento como o de ontem. Mas ver todos - repito, todos - os canais de notícias a receberem ministros, a debitar os "eléments de langage" fornecidos por S. Bento, não foi uma coisa muito decente. Tivesse sido com PS e era o bom e o bonito!
Com adversários assim...
Em Portugal, a inabilidade da esquerda é tanta que permite que a direita transfira para ela a responsabilidade das suas próprias crises.
Já agora...
Já agora, para os que andarem distraídos com a Ucrânia, convém lembrar que Israel retomou os ataques na Faixa de Gaza. Não há nada como um comboio para esconder outro.
Há malas que vêm por bem...
A brincar, a brincar, com esta malapata do primeiro-ministro, já ninguém se lembra das malas do Arruda...
Alguém pode explicar ?
É minha impressão ou as regras aplicáveis às bicicletas, isto é, o código da estrada - como a proibição de conduzir contra a mão, a necessidade de terem luz à noite, etc - deixaram de ser obrigatórias? E os motociclos já podem "furar" livremente entre os automóveis? É mesmo assim?
sábado, março 01, 2025
Trapalhadas
... várias famílias
Não foram várias famílias mas foram diversas vozes que, ao longo dos últimos três meses, me foram solicitando que voltasse a admitir a publicação de comentários. Ao que parece, há algumas pessoas que acham graça àqueles textos. Não sei quantas, dado que, desde que os comentários deixaram de ser publicados, os leitores do blogue aumentaram. Ele há cada mistério!
Mas, pronto, vamos fazer uma nova experiência. Só peço que sejam moderados no tom dos textos, para que isto possa ser um lugar sereno e amigável.
sexta-feira, fevereiro 28, 2025
quinta-feira, fevereiro 27, 2025
O alibi
Sabia que o Luís Castro Mendes era um diplomata "de truz". Só não o sabia tão pérfido. Decidou marcar o lançamento do seu último livro para as 19.00 horas de hoje, no Grémio Literário, na rua Ivens, quando ele sabia, de ciência certa, que hoje iria estar um dia infernal de chuva.
quarta-feira, fevereiro 26, 2025
Não é fácil explicar...
terça-feira, fevereiro 25, 2025
A ver a vida passar
A cada dia que passa, com a deriva americana em crescendo, a Europa transforma-se numa impotente espectadora do seu próprio destino.
Centaur Club
segunda-feira, fevereiro 24, 2025
Repita lá!
Quando ouço alguns políticos, um pouco por todo o mundo, dizer que estarão com a Ucrânia até ao fim, interrogo-me sobre o que isso realmente pode querer significar.
"Deutschland über alles!"
Como as sondagens há muito indicavam, o partido de extrema direita AfD, Alternativa para a Alemanha, obteve um excelente resultado nas eleições legislativas de domingo. Não vai ter possibilidade de entrar no futuro governo, mas o seu peso político está em crescendo, como em crescendo está o receio europeu de ver aproximar-se do poder, na Alemanha, uma força que não esconde a nostalgia por um passado que trouxe a tragédia e a devastação ao continente.
domingo, fevereiro 23, 2025
À mesa
sábado, fevereiro 22, 2025
Adriano Jordão
O salão transbordava de amigos e admiradores de Adriano Jordão. Carlos Moedas disse palavras muito justas, Adriano Jordão respondeu com memórias tão detalhadas que justificariam um livro interessantíssimo. Vou tentar convencê-lo.
Durante muitos anos, para mim, Adriano Jordão era apenas o nome de um pianista bastante conhecido. Um dia, no final de 1985, ao descer a Avenida Álvares Cabral, deparei com um cartaz da campanha presidencial de Mário Soares em que figurava a cara de Adriano Jordão, como seu apoiante. Estranhei, dado que o sabia ligado ao PSD. E não estava enganado: Adriano Jordão acabaria expulso do partido por ter feito a opção pública de apoiar Soares, em detrimento de Freitas do Amaral. Com o tempo, vim a perceber que, para ele, as pessoas contam muito mais do que a política.
Quinze anos passaram e, numa noite de 2000, na Roménia, durante uma visita de Jorge Sampaio, conversei pela primeira vez longamente com Adriano Jordão, que havia sido convidado a fazer um concerto na capital romena, integrado nessa deslocação oficial.
Creio que foi então que concluimos que havíamos feito o serviço militar ao mesmo tempo, com o 25 de Abril pelo meio - um tempo militar que Adriano Jordão ontem recordou como tendo sido um privilégio na sua vida, e eu só posso concordar. Depois dessa noite de Bucareste, fomo-nos encontrando a espaços.
Até que o vim a cruzar de novo, integrado na equipa que, em janeiro de 2005, herdei do meu antecessor, António Franco, na nossa embaixada em Brasília, onde o Adriano era conselheiro cultural.
Nunca fui - dizem as "más línguas" - um chefe fácil. Julgo que o Adriano experimentou, logo no início, a minha exigência, a minha "pressa", o pedido das coisas "para ontem". Mas rapidamente percebi que ia ter no Adriano Jordão, não apenas um colaborador leal, mas um parceiro empenhado, criativo, com uma vontade de fazer coisas, muitas e bem. E com muito "bom feitio" no trabalho, ao contrário de mim.
O Adriano era uma figura popularíssima em Brasília, muito prestigiado como personalidade e operador cultural, integrado na capital brasileira como muito poucos diplomatas o conseguiam ser. Simpático, educado, sociável, a sua residência, onde o piano tinha um lugar central, era uma das "casas abertas" de Brasília.
A liderança que praticava na delegação local do então Instituto Camões, com meios escassos que ele "multiplicava", refletia-se junto dos nossos consulados. O Brasil é imenso, a nossa capacidade de promover e apoiar iniciativas fica sempre a anos-luz das necessidades. Mas sempre vi o Adriano Jordão ir aos limites do impossível.
No que me tocava, como embaixador, o trabalho desenvolvido pelo Adriano Jordão acabou por ser, em absoluto, fundamental para projetar a imagem cultural da embaixada que eu pretendia fixar. O auge dessa ação terá sido conseguido em 2007, durante o semestre da nossa presidência da União Europeia. A imensidão de iniciativas que conseguimos montar, com grande êxito, só foi possível pela dedicação extrema do Adriano Jordão, pela sua habilidade, pelas portas que conseguia abrir, pelo método "sopa da pedra" que utilizava - fazer muito com o pouco que tínhamos. Até um "zepellin" ele inventou, com as cores da nossa presidência, para subir no céu de Brasília nos locais onde organizávamos eventos.
A partir desse período de convivência no trabalho em comum, de um colega na embaixada, o Adriano transformou-se num grande amigo. E é muito bom vermos o mérito dos amigos reconhecido, como ontem aconteceu.
NATO
A NATO está em risco? Não e sim. Não chegámos ao ponto dos EUA desmantelarem a coordenação de forças e é pouco provável que o façam. Mas o valor político-militar da NATO, a certeza do "chapéu" de defesa através do seu artº 5, isso já se desvaneceu imenso. Esse é o grande risco.
sexta-feira, fevereiro 21, 2025
quinta-feira, fevereiro 20, 2025
Cinco anos depois...
Caso EDP. Investigação a Seixas da Costa foi arquivada por falta de indícios
quarta-feira, fevereiro 19, 2025
Árabes
Língua portuguesa
terça-feira, fevereiro 18, 2025
Chinesices
É interessante a atitude chinesa ao afirmar que a Europa deve fazer parte das conversas sobre o futuro da Ucrânia. Marca uma distância face aos EUA e faz um gesto simpático para Bruxelas, neste tempo europeu de orfandade estratégica.
UE
A declaração de Moscovo de que não vê inconveniente numa adesão da Ucrânia à União Europeia, desde que excluída a adesão à NATO, é reveladora de que se conforma com uma Ucrânia (o que dela ficar) independente. Lembremos que, há três anos, tentou "bielorussificá-la".
Regra
Em diplomacia, em regra, não se improvisa. Dois líderes não se encontram para negociar, reunem-se para confirmar aquilo que, no essencial, já ficou acordado, a montante dessa reunião, e que cabe a eles anunciar. Toda a regra tem exceções, mas esta é a regra.
Fezadas
A sério que percebo a dimensão emocional da despedida de Pinto da Costa. Mas não percebi aquela cena de um bispo rodeado de taças no meio do relvado. Um pouco mais de contenção não faria mal à nossa igreja. Embora eu saiba que o mercado da fé não anda fácil...
"La Negra"
Descubra as diferenças
É de facto chocante ver os EUA e a Rússia decidirem o futuro da Ucrânia, na sua ausência. Mas já pensaram bem no modo como o futuro do mundo foi decidido em Ialta, ou nos acordos sobre os outros que América de Reagan negociou com a União Soviética? Foi mesmo muito diferente?
segunda-feira, fevereiro 17, 2025
Papa
Agora, só faltava que nos viesse a faltar o papa Francisco e, numa daquelas rotatividades em que o Vaticano é useiro, saísse na sair na rifa um papa "reaça", mais ou menos a rimar com o poder na América. Já vi esse filme no passado e não gostei.
Ucrânia
É de um mínimo de bom senso que as tropas que possam vir a ser colocadas na Ucrânia, num cenário de pós-conflito, como forças de interposição, sejam oriundas de países que não tenham estado abertamente envolvidos no apoio militar a uma das partes.
Contudo, numa circunstância em que tiver sido acordada a necessidade de dar garantias de segurança ao governo de Kiev, é lógico que essa responsabilidade compita aos países que têm apoiado a Ucrânia. Mas isso não justifica ter tropas de Estados NATO com "boots on the ground".
A uma eventual Ucrânia neutral (como o é a Áustria, que não se fala que tenha ambições de entrar para a NATO) deveria, como garantia do respeito de terceiros por esse seu estatuto, ser fornecida uma proteção militar dissuasória de potenciais agressões externas.
Aviso aos chatos
Bloquearei qualquer chato que ouse tentar dizer onde estava à hora do sismozito de hoje, como se aquilo fosse o atentado às torres gémeas, o incêndio do Chiado, a morte de Sá Carneiro ou, para os avós, o tiro no Kennedy.
Alguns
A cimeira europeia "de alguns", hoje promovida por Macron para reagir a Trump, vai contar com a extrema-direita de Georgia Meloni, que já foi ao beija-mão a Mar-a-Lago, e com o trabalhismo "ma non troppo" de Keir Starmer, que saltita de lealdades entre ambos os lados do Atlântico.
Lenin revisitado
Ontem, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, um país com uma geografia trágica mas muito sábia, a propósito dos frenéticos dias que o mundo vive, abalado pelas "novidades" que Trump não cessa de nos trazer, relembrou uma frase clássica de Lenin: "Há décadas em que nada acontece e há semanas em que acontecem décadas".
As balas de Tchaikovsky
Ontem, enquanto assistia a uma interpretação de uma obra de Tchaikovsky, lembrei-me da estupidez sectária que, em alguns países, proibiu (e não sei se ainda proibe) a exibição da obra deste e de outros compositores clássicos russos, na sequência da guerra na Ucrânia. Caso idêntico seria se, depois da carnificina ocorrida em Gaza, se viesse a gerar um movimento censório em torno das inúmeras manifestações de genialidade - artísticas, científicas ou outras - com que muitos cidadãos judeus têm contribuido para a cultura universal. O concerto de ontem, com a obra de Tchaikovsky como um prato forte, foi executado pelo pianista Yefim Bronfman, judeu, cidadão israelita e americano, nascido na antiga União Soviética. O bom senso deve acompanhar sempre o bom gosto.
"Fear or values - we must choose"
( This text was published in the Portuguese weekly magazine Visão ) Fear or Values – You Must Choose The flood of information around us brin...



































