domingo, abril 24, 2022

E o 25 de Abril? Viva!


A propósito! Ontem foram as eleições presidenciais francesas, mas hoje, caramba!, é o 25 de Abril. Que viva!

Um nome

Costuma dizer-se que na primeira volta das eleições presidenciais francesas se escolhe e, na segunda volta, é eliminado um candidato. Marine Le Pen foi afastada, é verdade, e quase só se fala disso. Mas, já agora, vale a pena lembrar o nome da pessoa que ganhou: Emmanuel Macron.

2027


No final de 1999, um rumor correu nos corredores de Bruxelas: os conservadores austríacos preparavam-se para constituir governo com um partido de extrema-direita.

Por cá, pela península ibérica, o tema parecia bizarro. Havia a ideia de que, talvez por terem tido ditaduras recentes, Portugal e Espanha estavam imunes a essas influências radicais. Olhava-se o assunto como um problema dos outros, embora não deixando de questionar o seu impacto futuro sobre o destino do projeto europeu. Mas não, “nós estamos livres disso!”. Viu-se! Com o Chega e com Vox, uns anos mais tarde, constatou-se como estávamos a ser ingénuos.

Como alguns se recordarão, o “caso austríaco” acabou por se acontecer, no início de 2000, durante a nossa presidência da União Europeia, condicionando fortemente o desenrolar do nosso semestre de forte exposição internacional.

Das várias lideranças europeias que então se iam pronunciando sobre o assunto, o presidente francês, Jacques Chirac, era, a grande distância, a mais vocal. Por que seria?

A direita francesa mantinha, em tese, uma saudável rejeição do ideário clássico da extrema-direita. O general De Gaulle tinha-se rebelado contra Pétain, contra o regime de Vichy e o vergonhoso colaboracionismo, cúmplice das barbáries nazis. Mais tarde, a V República tinha criado uma espécie de cordão sanitário, até no sistema eleitoral, face ao vírus fascista.

Este, contudo, não desaparecera: na OAS e nos militares de Argel, bem como numa área política em que o nome de Tixier-Vignancour era o mais proeminente, a extrema-direita continuava a fazer o seu caminho. O nome de Jean-Marie Le Pen, com o seu Front National, surgiu em seguida, persistindo em ideias similares, cavalgando medos e preconceitos.

Chirac tinha assim razão em preocupar-se. Em 2002, dois anos depois do “caso austríaco”, um escândalo político acabou por produzir-se em França: contrariando todas as expetativas, o socialista Lionel Jospin foi afastado do segundo turno das eleições presidenciais e Chirac viu-se sozinho perante a extrema-direita, titulada por Le Pen. A onda de indignação rendeu-lhe um resultado histórico, quiçá ilusório. Le Pen ficou isolado. Mas a extrema-direita não desapareceu e ficou por ali.

Nesse ano de 2002, contra Chirac, Jean-Marie Le Pen só obteve 17,69 %. Cinco anos depois, em 2007, baixou mesmo para 10,44%. A extrema-direita estava em inapelável recuo? Se se reler o programa do vencedor dessa eleição, Nicolas Sarkozy, da direita clássica, constatar-se-á que ele surge já muito “colonizado” por aquilo que era a agenda da direita bem mais radical, o que o terá convertido no usufrutuário do voto útil dos eleitores de Le Pen. Seria essa, aliás, e talvez não por acaso, a última vez que a direita clássica ocupou o Eliseu.

Passaram, entretanto, mais cinco anos: em 2012, a filha de Jean-Marie, Marine Le Pen, surge sob a mesma bandeira política do seu pai. Obtém 17,9% dos votos, superando, logo na primeira volta, o resultado que o seu pai, em 2002, tivera na segunda volta contra Chirac. E chegamos a 2017. Marine de Le Pen obtém 21,3 % na primeira volta e 33,9% na segunda. Não ganhou, claro, mas o “trend” confirmou-se.

Serão os dias tensos que correm na Europa que nos levam a dramatizar o que se passa em França? Mas é inevitável que olhemos para as eleições presidenciais francesas com um sentimento de alguma angústia. Ver a extrema-direita a crescer, desde há vários anos, naquele que é um país axial do projeto europeu, colocando em potencial risco o modelo institucional, ético e político, a que, a partir de 1986, nós, os portugueses, ancorámos o nosso futuro, induz-nos uma ideia da fragilidade daquilo que tínhamos por seguro.

Hoje, 24 de abril de 2022, o dia acabará connosco a refletir sobre os novos números. E a perguntarmo-nos: daqui a cinco anos, quem presidirá à França?

Lembrando

Extrema-direita em França: 17,69 (2002),17,9 (2012), 33,9 (2017), 42 (2022). Como será em 2027?

A sorte…

 


… do terceiro homem.

Viva a máscara!

Ontem, sem máscara, entrei numa estação de serviço, numa auto-estrada. Sabia que já não era obrigatório. O pessoal, ao balcão, estava com máscara. Senti-me, por instantes, um pouco “culpado”. Caramba: foram mais de dois anos! “Dia da libertação”? As máscaras acabaram. Ainda bem. Mas protegeram-nos, seu bando de palermas!

“Disclaimer”

Nunca fui maoísta. No dia de hoje, tal como nos últimos dias, ao ler o estimável “Público”, dou graças a deus (em cuja existência, aliás, nunca acreditei) por nunca ter caído nessa tentação, de que alguns bons amigos não escaparam. Pronto! Tinha de dizer isto!

“Chapeau”

Há momentos geniais na criação de um título para a primeira página de um jornal. O grande e inigualável “Canard Enchainé” teve ontem o “prémio Nobel” desse jornalismo: “Nem Marine, nem Le Pen”. “Chapeau!”

sábado, abril 23, 2022

“For the record”

 


Dia mundial do livro…


 … “comemorado” numa livraria de Huelva.

Homónimas


Lá para o Norte, há outra, que conheço um pouco melhor.

O Lopes e a neve


O Lopes tinha vindo de Moçambique. O pai parece que tinha propriedades por lá. Dispunha de um quarto individual, embora interior, o que era então um invejado luxo, no lar universitário da rua da Torrinha, no Porto, onde eu também vivia, nessa metade dos anos sessenta do século passado.

Talvez saudoso dos ares do Índico, muitas vezes, o Lopes trazia uma cadeira e vinha conversar connosco para a varanda traseira. Por ali, com o Lopes Feio, o Nelson Pacheco e o Matias, restantes ocupantes do andar, ficávamos à cavaqueira, pela noite dentro. Eu era caloiro, eles andavam pelo menos um ano adiantados.

Recordo que estávamos no tempo da Guerra dos Seis Dias e que o Lopes era fanaticamente pró-árabe, não por uma simpatia particular pelos adversários de Israel, mas porque tinha os judeus em muito má conta. Ouvia-lhe comentários sobre os “exageros numéricos” do Holocausto e sobre a oportunidade perdida pelo Hitler, de que o Lopes era admirador confesso, na luta contra a União Soviética.

Um dia, nessas conversas, veio à baila a neve. Eu era o único, dos cinco, que vinha de uma terra com regulares nevões. E “pintava” os invernos de Vila Real a neve e branco, os feriados no liceu que a neve oferecia, o isolamento que provocava na cidade e coisas assim. Ao que me lembro, nesse tempo, pelo menos de três em três anos, Vila Real acordava “sob um alvo manto de neve”, como reiteradamente escrevia, sem originalidade, a imprensa local.

O Neves era um madrugador. Eu era, como sou sempre que posso, um contumaz “late riser”. Um dia, ouvi um restolho no quarto. Alguém afastava o estore de palhinha em que eu e o Lopes Feio investíramos para dividir a nossa assoalhada. Abri os olhos e vi a sombra esguia do Lopes, debruçado sobre a minha cama, a acordar-me: “Ó Seixas, anda ali à janela!” O dia estava ainda a começar. Posso imaginar a imprecação que devo ter emitido, o lugar onde lhe devo ter recomendado que fosse, mas o Lopes foi insistente e eu, zonzo de sono e em pijama, pelo gelo da manhã, lá acedi em ir à varanda. Lá chegado, ouvi do Neves: “Ó Seixas! Isto é neve?”

Olhei para aquelas traseiras da Torrinha, com um pouco dos Clérigos a ver-se ao fundo, o casario do Breyner e do Rosário no amanhecer cinzento, e, sem o menor entusiasmo, confirmei: “Sim, é neve. Porquê?”. Aquilo, na verdade, nem era neve que se visse, eram uns míseros fiapos a fingir de neve, sem condições de “pegar”, que é o único estatuto digno de uma nevada que se preze.

“Eh pá! É que eu nunca tinha visto neve!” O “moçambicano” Lopes ali ficou extasiado, debruçado no frio da varanda, a admirar o que era apenas um genérico pobre de um nevão a sério. E eu lá me fui deitar, que a noite da Candeia ainda me pesava.

Há horas, de Vila Real, disseram-me que se vê neve no Marão. E, por qualquer razão, mas também porque, nos últimos tempos, se tem falado de nazis, lembrei-me do Lopes. 

sexta-feira, abril 22, 2022

... e a Rússia aqui tão perto!


Enquanto Sergey Lavrov não escreve as suas, lembrei-me das memórias deste seu antecessor. Comprei isto há trinta anos e, dou conta agora, nunca tinha lido...

Lembrei-me do Raul


Estou a caminho de Évora. Lembrei-me do Raul Solnado, no tempo em que o humor ingénuo nos fazia rir. Numa das suas rábulas, o Raul explicava que tinha nascido em Lisboa. O seu paí era “escafandrista” em Évora - profissão ali improvável e que criava o primeiro sorriso na assistência. E, quando ele nasceu, o paí já não vinha a Lisboa … há dois anos. A sala caía então em gargalhadas. O Raul fazia uma pausa e esclarecia: “Mas a minha mãe foi a Évora!”. Novas gargalhadas. E ele acrescentava: “Malandrice!”. Coisas simples, desse tempo, em que a vida de quase todos, por muito que alguns não o queiram admitir, era mesmo muito complicada. Sim, o 25 de Abril é já na 2ª feira. Comemorêmo-lo!

Bom dia, Tiraspol!

A vontade da Rússia de controlar a ligação do Donbass à Transnístria (zona separatista da Moldova) era um segredo de Polichinelo, há muitos anos. Achava-se que a Rússia não teria “lata” para dizer isso alto. Disse-o agora, ironicamente quando não parece ter meios para o fazer.

Uma coisa é uma coisa

Uma distinção que deve ficar muito clara: o inequívoco repúdio português perante a bárbara agressão da Federação Russa à Ucrânia não deve ser entendido como um qualquer juízo de valor sobre a natureza política do regime de Kiev. Uma coisa nada tem a ver com a outra.

Claro

O “Expresso” diz que o PR não pediu parecer ao Conselho das Ordens, sobre a decisão de condecorar militares de Abril.  Essa agora! A lei diz: “A concessão de qualquer grau das Ordens Honoríficas Portuguesas é da exclusiva competência do PR como Grão-Mestre das Ordens”. Está claro? 

Democracia é isto

A esmagadora maioria dos deputados ao parlamento português aplaudiu o presidente ucraniano, prestando assim homenagem à luta do povo da Ucrânia, vítima da agressão da Federação Russa. Os deputados do PCP decidiram faltar à sessão. Viver em democracia é aceitar isto como normal.

quinta-feira, abril 21, 2022

Debates no écran


A V República francesa é um regime semi-presidencialista, em que a figura do chefe de Estado é de tal modo preponderante que leva a que muitos observadores o olhem como sendo presidencialista.

O general De Gaulle foi “entronizado”, em 1958, por um verdadeiro “pronunciamento”, para utilizar uma figura da ciência política mais comum em outras latitudes. Dado o caráter estabilizador do novo regime, que veio a pôr cobro a um tempo parlamentar que se estava a revelar pouco funcional e sem soluções estáveis, e que viria a ser titulado por uma figura que trazia atrás de si uma inigualável popularidade, pode dizer-se que a maioria dos franceses “absolveu”, com o tempo, esse pecadilho histórico. 

1965

De Gaulle foi a votos, em 1965, já sob uma nova Constituição. Ficou à frente na primeira volta, mas, não tendo obtido mais de metade dos votos expressos, foi obrigado a um segundo turno, por um jovem mas já “vieux routier” da anterior política parlamentar, o socialista François Mitterrand. 

1969

Abalado pelos acontecimentos do Maio 68, o general decidiu sair de cena, no ano seguinte. O seu antigo primeiro-ministro, Georges Pompidou, que verdadeiramente iniciou o “gaullismo sem De Gaulle”, uma direita democrática com forte sentido estatista e, inicialmente, com forte agenda social, veio a disputar a segunda volta da eleição presidencial contra o líder do Senado, Alain Poher, um centrista sem grande expressão política. 

A esquerda democrática, que havia feito uma má gestão da sua posição no terreno político, no rescaldo do Maio 68, ficou fora do podium.

A televisão de então, do Estado, era muito cerimoniosa para com o poder de turno. Nem a De Gaulle nem a Georges Pompidou passou pela cabeça fazer um debate televisivo com o seu opositor, entre os dois turnos das eleições presidenciais que venceram.

1974

Georges Pompidou viria a morrer no cargo, em 1974, sem completar o que era então o septanato presidencial. Mitterrand regressou à luta e perdeu por uma unha negra (49,19 % para 50,81%) para o “kennediano” ministro das Finanças de Pompidou, Giscard d’Estaing, de centro-direita. 

Pela primeira vez em França, seguindo o modelo americano, teve lugar um debate televisivo entre as duas voltas. Nele ficou famosa a certeira frase de Giscard, dirigida ao seu contendor da esquerda: “Você não tem o monopólio do coração”.

1981

Sete anos depois, Mitterrand teve a sua desforra. Impediu a reeleição de Giscard e inaugurou o primeiro dos seus dois períodos de sete anos como presidente - o mais longo tempo de estada no Eliseu de um presidente. 

No debate entre os dois, ao ser chamado de “homem do passado”, por Giscard d’Estaing, Mitterrand respondeu-lhe à letra, qualificando-o de “homem do passivo”, referindo-se ao estado das contas públicas. 

A esquerda francesa chegava finalmente ao Eliseu pela mão de alguém que conseguira reconstruir uma alternativa ao gaullismo, o Partido Socialista.

1988

Mitterrand conseguiu reeleger-se em 1988. Tendo perdido entretanto a maioria parlamentar, vira-se já obrigado a partilhar o exercício do poder com a direita gaullista. Esta era então titulada por Jacques Chirac, um antigo discípulo de Pompidou, que, antes de ser primeiro-ministro com Mitterrand, já o havia sido no mandato de Giscard d’Estaing. 

François Mitterrand, presidente em exercício, viria assim a conseguir ser reeleito contra aquele que era o primeiro-ministro que a maioria parlamentar adversária lhe impusera. 

No debate televisivo entre as duas voltas da eleição, Chirac fez questão de deixar claro que ambos estavam ali apenas na qualidade de candidatos, não na de primeiro-ministro e de presidente da República. Mitterrand teve então uma resposta, de “concordância”, que ficou para a história política francesa: “Estou totalmente de acordo consigo, senhor primeiro-ministro”.

1995

Em 1995, Jacques Chirac chegou, finalmente, ao Eliseu. Bateu o novo lider socialista, Lionel Jospin, por uma margem de cerca de 5%. O morno debate televisivo entre os dois não ficou na memória do país. 

2002

Sete anos depois, em 2002, viria a acontecer uma imensa surpresa na eleição presidencial. Quando todos esperavam que Chirac e Jospin reeditassem a disputa, numa segunda volta da eleição presidencial, intrometeu-se entre eles Jean-Marie Le Pen, líder do Front National, um partido de extrema-direita, com um resultado no primeiro turno superior ao de Lionel Jospin. 

A França e a Europa ficaram em estado de choque! Chirac recusou o tradicional debate televisivo com Le Pen, contra quem se levantou uma imensa onda de rejeição “republicana”. Chirac, dos 19,88% que obteve na primeira volta, veio a recolher, no final, uns esmagadores 82,21%. 

O mandato presidencial já fora, entretanto, reduzido a cinco anos.

2007

Em 2007, os socialistas apresentaram, pela primeira vez, uma mulher como candidata, Ségolène Royal, que, na primeira volta, ficou atrás de um antigo ministro de Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy. 

O debate entre os dois foi interessante, com Royal a mostrar um tom tenso, que levou Sarkozy a dizer-lhe que “para ser presidente da República, é preciso ser calmo”. Sarkozy ganhou o debate e a eleição.

2012

Cinco anos depois, Sarkozy virá a encontrar, na segunda volta, o antigo marido de Ségolène Royal, o também socialista François Hollande, que emergira de uma eleição primária no seio da sua família política. Hollande explorou o polémico saldo do quinquenato de Sarkozy e, com um discurso bem construído, onde ficou célebre a sua longa anáfora “Eu, como presidente, farei… Eu como presidente, farei…”, reverteu a seu favor o resultado da primeira volta. 

De notar que, em França, os candidatos à reeleição, quer depois tenham saído vencedores ou vencidos, ficaram sempre à frente de todos os seus opositores, na primeira volta.

2017

E chegámos a 2017. O desempenho de Hollande, durante os seus cinco anos no Eliseu, terá convencido o próprio a não se recandidatar. Os socialistas fizeram uma eleição primária de onde emergiu um candidato sem um carisma capaz de elevar as cores do partido. Mais à esquerda, um antigo ministro socialista de Jospin, Jean-Luc Mélenchon, conseguiu, na primeira volta, aproximar-se dos 20% (cinco anos mais tarde, ultrapassaria mesma esta honrosa fasquia). 

O candidato da direita gaullista, o antigo primeiro-ministro de Sarkozy, François Fillon, envolveu-se em escândalos e não chegou à segunda volta. 

Nessa disputa, esteve a sucessora de Jean-Marie Le Pen, a sua filha Marine Le Pen, então com uma agenda de extrema-direita clássica. 

Defrontou Emmanuel Macron, um político jovem e brilhante (que havia sido quadro do banco Rothschild, tal como já o fora Pompidou), por algum tempo ministro de Hollande, que tinha criado um novo movimento (depois partido), qualificado como “nem de direita nem de esquerda”. 

O debate televisivo entre os dois foi, de longe, o mais vivo de todos os momentos similares. Le Pen mostrou grande impreparação e uma agressividade que o eleitorado não apreciou. Ainda tentou cunhar uma frase para a memória política: “Eu sou a candidata do poder de compra, você é o candidato dos que podem comprar a França”, referido-se a aquisições de empresas, assunto com que Macron, afinal, nada tivera a ver. Este revelou serenidade, determinação e conhecimento aprofundado dos dossiês. Ganhou, a grande distância, o debate e tornou-se presidente.

2022

Ontem, no clássico debate televisivo entre as duas voltas, Macron reeditou o seu “derby” com Le Pen. Esta esteve diferente, mais “estadista”, tecnicamente mais capaz, tentando disfarçar a agenda radical que se sabe ser a sua - embora a espaços a denunciasse. Macron, que foi obrigado a defender o seu quinquenato, revelou um manejo hábil do discurso de quem está no poder, com um europeísmo que pretendeu colar ao interesse da França. Aqui ou ali, Macron terá sido algo condescendente, um pouco “patronizing”, mesmo arrogante. Ao dizer que Le Pen estava a “mentir sobre a mercadoria”, uma expressão clássica para o comércio fraudulento, acabou por criar a frase mais sonante do debate. Este correu muito melhor a Marine Le Pen do que o de 2017. Não era, aliás, difícil. Mas, na minha opinião, esteve longe de ser o suficiente para poder reverter a diferença que a separa de Macron, em todas as sondagens. 

“A Arte da Guerra”


A coesão dos aliados da Ucrânia perante o efeito assimétrico das sanções económicas, a última semana das eleições francesas e as “trapalhadas” de Boris Johnson são os três temas de ”A Arte da Guerra”, o podcast que, para o “Jornal Económico”, faço com o jornalista António Freitas de Sousa.

A dignidade da República

O incidente na sala de um partido na Assembleia da República não é um "fait-divers". Sem a menor ironia, acho aquilo gravíssimo.  ...