A CPLP existe pelo "P" final - a língua do colonizador, que os ex-colonizados entenderam útil usar como potenciador da sua expressão internacional, como sinergia de alguns interesses identificados como comuns.
A CPLP tem, como cimento e pano de fundo, uma afetividade humana que o tempo e a diluição de alguns agravos históricos foi consagrando, no seio de um grupo em que o ex-colonizador não era excessivamente forte e impositivo.
A organização baseou-se num conjunto de princípios que, na sua fundação, foram aceite por todos com leituras intimamente diferenciadas, mas que eram promovidos pelo politicamente correto internacional que, à época, fazia escola e parecia ir permanecer no "ar do tempo", do qual ninguém formalmente ousava afastar-se.
Agora, num tempo de nova Guerra Fria, é da mais elementar prudência não testar excessivamente os limites do consenso dentro da organização e procurar deixá-la sobreviver num registo de mínimos, à espera de melhores dias.
Uma nota: isto não é um recado apenas para o governo português.
