Os recentes atos eleitorais na Moldova e na Geórgia, independentemente de terem tido resultados oficiais que apontam em sentidos contrários, mostram que os eleitorados daquelas antigas repúblicas da União Soviética permanecem bastante divididos, isto é, que, independentemente da eventual vitória de uma linha, subsiste um forte movimento de opinião em favor da linha que se lhe opõe.
Em ambos os casos, o desfecho dos sufrágios permanece objeto de forte contestação. Em ambos os casos, há acusações de ingerência russa, em favor dos grupos políticos mais favoráveis a Moscovo. Em ambos os casos, o mundo ocidental é acusado de favorecer os partidos que combatem a influência da Rússia. Em ambos os casos, no exterior do país, cada um acredita apenas na palavra de quem está próximo dos projetos e das orientações políticas que são as suas. Em ambos os casos, porque se trata de democracias sobre cujo modo de funcionamento subsistem muito sérias dúvidas, a verdade é um bem difícil de apurar. Exceto para os que não têm dúvidas e são donos dessa mesma verdade, a qual, curiosamente, coincide exatamente com aquilo que pensam.