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quarta-feira, janeiro 17, 2024

Vává


Passei há pouco no Vává. Que será feito daquele lugar? Nem arrisquei entrar!

Nunca fui muito do Vává, o mítico café e snack-bar da Praça dos Estados Unidos, lugar geométrico de encontro geracional de gente que fez muito bem às artes, às letras e à modernidade de um Portugal então parado no tempo. Os meus pousos lisboetas, por esses tempos dos anos 60 e 70, eram, um pouco mais abaixo, a Granfina (e o Nova Iorque, às quartas, quando a Granfina fechava) e, mais tarde, o Montecarlo.

Eduardo Guerra Carneiro, poeta vila-realense de um tempo anterior ao meu, com quem ainda tive o gosto de charlar em algumas noites no Snob (eu era mais Procópio), escreveu um dia isto sobre o Vává, no seu "Isto anda tudo ligado":

"Os guerrilheiros que saem do Vává benzem-se à sua maneira, como se a próspera guerrilha se fundasse em qualquer casa além da linha. Sábios de nascença citam nomes e têm decorada uma biblioteca, tal qual alguns desenraizados do Saldanha - mas de modo diferente. Abotoam-se com esmero e engravatam-se ou não conforme as circunstâncias. Os guerrilheiros que entram no Vává usam as citações à bandoleira e telefonam com muita assiduidade."

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