Em 1960, um grupo de dirigentes do PCP evadiu-se da cadeia de Peniche. Entre eles estava Francisco Martins Rodrigues. A imprensa clandestina do PCP deu nota dessa fuga histórica, indicando os nomes de todos os intervenientes. Com o tempo, Rodrigues veio a entrar em dissídio ideológico com o PCP, que acabou por expulsá-lo. Nada de mais natural, perante divergências de fundo que espelhavam a tensão entre a linha oficial do partido e uma deriva pró-maoísta que veio a criar a FAP e o CMLP - que Álvaro Cunhal veio a qualificar de "radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista", na linha da crítica do "esquerdismo" que já Lenine rotulara de "doença infantil do comunismo". Francisco Martins Rodrigues foi a cara dessa linha dissidente, que refletia o que então se chamou o "cisma sino-soviético". Depois da sua expulsão do PCP, nunca mais o nome de Francisco Martins Rodrigues voltou a surgir em todas as referências que o "Avante!", ou outras publicações que refletiam a linha do partido, iam fazendo à fuga de Peniche. E foram muitos anos! Veio o 25 de Abril e PCP decidiu voltar a contar a história como ela foi. E, já com Portugal a viver em liberdade, passou a colocar de novo o nome de Francisco Martins Rodrigues nos seus relatos da fuga de Peniche.
Há dois dias, no Twitter, ironizei com o modo "estalinista" como algum CDS tinha tentado e estava ainda a tentar fazer desaparecer o nome de Diogo Freitas do Amaral da história do partido. E acrescentei: "Faz lembrar o PCP, que também procurou "esquecer", nos relatos da célebre fuga de Peniche, o seu dirigente Francisco Martins Rodrigues, que entretanto se afastou do partido". Não pretendi "fazer História", mas apenas uma inocente ironia.
Foi o bom e o bonito! Caiu-me meio mundo à volta do "Partido" em cima! Foram dezenas de comentários, onde a acusação de "anti-comunista" foi o epíteto mais doce. Dando-se o caso de não ser anti-comunista, é, contudo, o lado para que durmo melhor. Aqui fica a nota de uma "polémica" com que alguns se entretiveram. Resta deixar também uma versão de Francisco Martins Rodrigues sobre alguns dos factos. Leiam aqui.