Chama-se Ali, é iraniano, vive por cá há dois anos e guia um Uber. Não conversámos sobre política, mas vi, pelo retrovisor, que lhe sorriram os olhos quando, a propósito das minhas poucas memórias do seu país, lhe falei de Farah Diba, a mulher do último Xá, uma senhora muito simpática com quem, por mais de uma vez, conversei em jantares em casa de uns amigos iranianos, em Paris. "Ah! A família Pahlavi!", reagiu, com o que me pareceu ser alguma nostalgia, embora admita poder estar enganado na minha perceção, formada no banco de trás do carro. Depois, passámos ao futebol. Ali era fã de Carlos Queirós, que treinou a seleção do seu país. Agora, ao que me disse, não há portugueses no futebol iraniano. Contei-lhe que, numa noite em Teerão, há vinte e tal anos, à saída de um jantar num "caravanserai", de uma mesa alguém perguntou de onde vinha o nosso grupo. Quando respondi que éramos portugueses, saltou logo de várias bocas dessa mesa: "Figo!". "Hoje seria 'Ronaldo!' ", disse-me Ali, com uma gargalhada saudável. À despedida, quis ter a simpatia de referir que Portugal tinha duas coisas muito boas: o clima e as pessoas. Só espero que o Ali, na sua vida por cá, não encontre razões para mudar de opinião. Sobre o clima, claro.
