segunda-feira, 6 de julho de 2020

Jogos com fronteiras

O “Expresso” perguntou-me, na sua edição de sábado, se faz sentido não impor um controlo sanitário na fronteira com Espanha. Respondi isto:

”Há um registo de otimismo que é imanente a todo o discurso do poder. As dúvidas, mesmo que intuídas, passam quase sempre para segundo plano, porque elas não devem poluir o objetivo de criação de confiança que é pretendido com a mensagem. 

Lembrei-me disto ao ouvir os responsáveis políticos, dos dois lados da fronteira do Caia, no anúncio da reabertura da passagem entre Portugal e Espanha. Pelo que foi dito, perpassou a ideia de que o pior já passou, que caminhamos para um tempo novo, exigente mas superável. 

Por razões óbvias, Portugal nunca foi adepto da invocação reiterada de excecionalidades na livre circulação europeia. Mas adotámo-las, com indiscutível lógica, no auge da pandemia, numa modelar articulação pública com o nosso único vizinho terrestre. Na “exit strategy”, a consonância foi menos brilhante, mas a recente cerimónia com os poderes de Estado tudo acabou por disfarçar.

Agora, vive-se o dia seguinte. Terá sido prudente adotar uma abertura de fronteiras sem prever, ao menos temporariamente, controlos de segurança sanitária? 

Percebo bem o sentido estratégico do risco assumido, pelo dramatismo das consequências económicas desta crise. Não estou seguro, contudo, de que a solução adotada tenha sido a melhor, esperando poder vir a ser convencido pelos factos. 

A situação sanitária que se vive em Portugal e em Espanha está bastante longe de estabilizada. Confie-se ou não nas estatísticas que nos chegam de Madrid, a verdade é que o curso da pandemia, na península, continua preocupante. E que uma segunda onda não pode ser descartada.

Neste contexto, nos últimos meses, aprendemos que os sinais públicos são de extrema importância. Não quero fazer chover no molhado, mas é mais do que óbvio que as imagens do 1° de Maio ou a manifestação contra o racismo foram momentos infelizes que ajudaram a potenciar algum laxismo, que todos estamos a pagar.

Em matéria de luta contra a pandemia não podemos continuar a viver numa espécie de “banho escocês”, em que tanto nos dizem que é possível ter fronteiras abertas como ouvimos, das mesmas autoridades, que temos de recuar em algumas aberturas do desconfinamento. Dir-me-ão: uma coisa não é contraditória com a outra, desde que haja cuidados. Para a generalidade da opinião pública as coisas não são lidas assim. E, em política, como diria alguém que curiosamente tinha da relação com a Espanha uma visão desencantada, o que parece é.”

13 comentários:

Anónimo disse...

E a festa do Avante, embaixador? Até admira ter-se esquecido da festa do Avante. Nem parece seu -

Francisco Seixas da Costa disse...

Ao Anónimo das 15:44. Não sabia que a Festa do Avante deste ano já tinha sido. Mande-me fotografias das molhadas, para eu pôr no blogue, camarada!

Luís Lavoura disse...

Mas que raio de controlo sanitário é que quereriam que houvesse? Um polícia a mandar parar todos os carros para tirar a temperatura a todos os seus ocupantes? Mas será que alguém acredita que um tal controlo gere alguma segurança?
Eu não vejo que outro tipo de controlo sanitário pudesse haver. E este controlo, além de muito oneroso em termos de mão de obra, é consabidamente totalmente ineficaz contra o cornavírus! (Uma vez que este deixa a maior parte dos infetados completamente assintomáticos.)
Portanto, só há duas opções: ou a fronteira está fechada, ou a fronteira está aberta sem qualquer tipo de controlo sanitário.
Os espanhóis em Portugal são obrigados às mesmas regras sanitárias que os portugueses: usar máscara e desinfetar as mãos. É impossível e ineficaz forçá-los a ter mais regras sanitárias que essas.

Luís Lavoura disse...

Eu acho que as espanholas deveriam ser esterilizadas antes de se lhes permitir a entrada em Portugal.

Anónimo disse...

O supositório da 17:08 (com dose dupla de vaselina...):

https://toranja-mecanica.blogspot.com/2020/07/portugal-perde-sistematicamente-todas.html

P.S. - Não sei para que é que perdes tempo a escrever no expresso. É que caso não tenhas ainda reparado, já ninguém quer ler, nem gasta dinheiro a comprar os jornais do regime, pelo simples motivo de que ninguém quer saber da vossa propaganda rasca.

Anónimo disse...

Para os ingleses, é indiferente onde vão gastar o seu dinheiro. Grécia, Portugal, Espanha... eles querem lá saber. E, se quisessem, talvez preferissem deixar o guito em Portugal do que em Espanha, país com qual têm "assuntos" em aberto.

Dito isto, não vejo qualquer interesse inglês em "secar" o turismo português, ao mesmo tempo que se alimenta o espanhol. A marcação a Portugal começou com um mapa publicado por um jornal - mapa esse que certamente terá ajudado a preparar terreno -, e, portanto, estamos a falar de uma entidade privada cujos interesses talvez possam ter sido guiados por "sopros" vindos do sul...

Uma medida portuguesa contra os concorrentes mediterrânicos talvez não servisse de muito mas era paulada que iria cair nas costas certas.

Anónimo disse...

Aguardemos pelo oportuno comentário do "R y k @ r d o", que, sem qualquer dúvida, nos trará uma visão alternativa e importante de conhecer.

Anónimo disse...

o que haverá a fazer com bom senso, será usarmos as medidas de proteção
e protegermo-nos dos outros, protegendo os outros e a nós próprios
como nos têm repetido vezes sem conta
- lavagem das mãos com agua sabão ou desinfetante
- uso de máscara e viseira
- distanciamento social
- desinfeção dos espaços
- fiscalização dos espaços comerciais e locais de trabalho para verificar que cumprem
as suas obrigações
- controlo de ajuntamentos de maior número de pessoas
- utilização de talheres descartáveis...
assim os riscos serão reduzidos, sejam eles com espanhóis, com portugueses, com ingleses, com franceses, etc.

Anónimo disse...

Os assintomáticos não estão infetados. São portadores do SARS-COV-2.
Este vírus tem requintes de malvadez. Apesar de ser relativamente bonzinho, não tem culpa da estupidez dos humanos, que, são incapazes de interromper as cadeias de transmissão.
O uso de máscaras em espaços fechados, é obrigatório.
Um restaurante é um espaço fechado...
Os médicos dentistas em atendimento, parecem uns astronautas. Aqui os pacientes estão normalmente de boca aberta.

Os adultos parecem umas crianças mimadas. Precisam de entretenimento non-stop.
É desagradável deixar de fazer tudo o que nos apetece, é.

O vírus precisa de seres vivos...com cérebro de preferência.

Anónimo disse...

É evidente que, mesmo quiséssemos, não teríamos coragem para tal. Quando o país é demasiado grande e forte, como a Espanha, morremos de medo com as represálias que podemos vir a sofrer. De nós, não partirá nenhuma inciativa que possa ser lida como hostil. É pena, mas é assim.

Anónimo disse...

Claro que morremos de medo - é que só isso justifica a simpatia do Costa, a falar espanholês, ou portunhol. Não lhe entra na cabeça que estava ali como representante de um Estado soberano, com uma língua própria. Bolas, ele pode morrer de medo, mas eu quase fiquei verde de vergonha. Aqui no Alentejo costumamos dizer que quem muito se baixa o cu lhe aparece.

Anónimo disse...

Os comentários dos "6 de julho de 2020 às 23:51" e "7 de julho de 2020 às 01:07" esquecem-se de que a "doutrina" oficial do Estado Português é de que precisamos de uma Espanha forte...

Pembrem-se das palavras do PR nuam das muitas visitas que fez ao rei, para açucarar o que se passava na Catalunha e assegurar a fidelidade portuguesa: "Viva a Espanha, una e eterna".

Anónimo disse...

Vendo os jovens em Albufeira,
eu iria perguntar, então se querem turistas
porque não preveem por exemplo sumos de frutas e sumos vegetais disponíveis para serem vendidos em distribuição apropriada se não podem consumir álcool na rua?
neste país fruta e legumes não faltarão
se os espetáculos em ambientes fechados são proibidos e constituem perigo,
porque não organizam espetáculos ao ar livre na praças ou na praia que é tão
grande?
porque não constroem palcos por exemplo com projeção de cinema ao ar livre?
ou exposições ou desfiles ou dança ou outro tipo de atividades
onde é possível haver distanciamento
se convidam os turistas é necessário que cuidem deles e que haja espaços de lazer
consoante as idades, parece lógico