sexta-feira, 3 de julho de 2020

Ainda existe “a mais velha aliança”?

Muita da tradicional proximidade entre Lisboa e Londres esbateu-se fortemente após a nossa entrada nas então chamadas Comunidades Europeias, em 1986. 

A partir daí, e enquanto o Reino Unido continuou a ser um parceiro relutante do processo europeu, Portugal tentou dar um salto "centrípeto", colocando-se no eixo da União, com a deliberada intenção de evitar cair num novo ciclo de perifericidade na sua história contemporânea. Salvo o interesse em manter viva na Europa a relação transatlântica, quase tudo, a partir de então, nos fez afastar dos britânicos. 

Será que a "mais velha aliança", nomeadamente no contexto da sua singularidade britânica perante a Europa dos 27, tem condições para poder ter um novo fôlego? 

Para aquilo que verdadeiramente nos importa no quadro externo, estamos estritamente ligados ao quadro europeu, que tanto nos condiciona como nos protege e amplifica a nossa capacidade de defesa de interesses. Tudo o resto, podendo ser interessante de explorar no terreno bilateral, acabará por ter uma dimensão menor e residual. 

Acredito na "mais velha aliança"? Acredito, tanto como os ingleses...

17 comentários:

Anónimo disse...

Claro não interessa nada que os bifes venham cá de férias porque o nosso governo é tão esperto que arranjará uma solução. Só os fascistas è que não vêm isso.
João Vieira

Anónimo disse...

amigos, amigos, negócios à parte!
haja saúde para todos!!!

Anónimo disse...

A "velha aliança" teve sempre interesse no sentido de nos proteger de espanhóis e franceses. Quando decidimos que os nossos amigos são os inimigos de sempre, é natural que essa aliança perca interesse.

Magnífica aquela imagem ds abertura da fronteira, com os nossos pequenos PR e PM ladeados pelas torres espanholas, quais crianças tuteladas pelos adultos... Para melhorar o triste quadro, lá tivemos o PM a "hablar" todo contente.

" R y k @ r d o " disse...

Amigos um vez, amigos para sempre... digo eu

Cumprimentos

João Cabral disse...

Mas qual aliança? A de os Ingleses defenderem os seus interesses? Sim, essa sempre existiu. É curioso que do lado inglês nunca se ouve falar dessa velha aliança para coisa nenhuma. É apenas mais uma manifestação da pequenez e do provincianismo de Portugal.

Anónimo disse...

Mais uma humilhaçãozita, que nos vai sair dos bolsos. O Costa deve estar tão arrependido quando no Brexit andou a fazer pendant com alguns anti-britânicos. Agora, como mais pequenito, foi o primeiro a levar um tabefe...

Joaquim de Freitas disse...

De Joao Cabral: « É apenas mais uma manifestação da pequenez e do provincianismo de Portugal.” Exactamente, Senhor Cabral. Mas os portugueses gostam, sempre gostaram de imitar os ingleses. Esqueceram o general Gomes Freire de Andrade. Esqueceram o Mapa Cor de Rosa.

Sempre me irritou o “good morning” automático quando entrava num hotel no Algarve. E deixei de lá ir por causa dessa impressão que sempre retirava duma colónia britânica. E mesmo na Costa do Estoril. Talvez o meu 1,84 m…. Antes de obrigar o meu interlocutor a falar a nossa língua. Outros portugueses respondiam em …inglês! Para inglês ver!

Teria apreciado que o MNE português também tivesse respondido “diplomaticamente” ao governo inglês, com um protesto veemente contra o roubo do ouro da Venezuela, pelo Banco de Inglaterra Algum desse ouro até talvez pertença aos portugueses que là vivem…

…Eu sei, eu sei, que o mesmo MNE em nome do governo português, tinha “engolido” o sapo de Guaido, auto proclamado presidente da Venezuela, por puro seguidismo e espírito subalterno em relação a Washington.

Joaquim de Freitas disse...

Anónimo de 3 de Julho de 2020 às 22:55, que escreve: “Magnífica aquela imagem da abertura da fronteira, com os nossos pequenos PR e PM ladeados pelas torres espanholas”.

Tive a mesma impressão! Que seria se Portugal tivesse as fronteiras da França…Passavam a sua vida a abrir e fechar fronteiras…

Anónimo disse...

Senhor Joaquim Freitas

A decisão dos tribunais britânicos em não permitir que o Governo do ditador Maduro, “eleito” em eleições fraudulentas no mais puro estilo comunista foi a mais acertada.

Joaquim de Freitas disse...

“Acredito na "mais velha aliança"? Acredito, tanto como os ingleses...”

Deixei de lado esta frase do texto do Senhor Embaixador, para mais tarde. Excelente e permita que diga mais: Nunca acreditei que eram nossos aliados. Nunca.

Ouvi falar dos nossos aliados muito jovem, quando, comecei a ler a nossa História… E quando a futura rainha Elizabet visitou Guimaraes.

Aliados! Surdos, quando em 1877, os Portugueses pediram assistência na defesa da sua colónia de Goa.

A aliança também não impediu os Ingleses de abrirem negociações com os Alemães sobre o destino das colónias portuguesas entre 1898-1899 e entre 1911-1914, tendo apenas o estalar da Grande Guerra interrompido o desfecho.

O Comité Curzon, uma subcomissão do Imperial War Cabinet, chegou ao ponto de recomendar em Abril de 1917, que em vez de apoiar as exigências de Portugal sobre os territórios coloniais Alemães a Grã-Bretanha deveria adquirir a África Oriental Portuguesa (Moçambique), a Baía de Delagoa em particular e os Açores.

Apesar destas recomendações não terem sido adoptadas pelo Imperial War Cabinet, a delegação britânica em Paris em 1919 recusou suportar as exigências portuguesas sobre a parte Sul da colónia oriental Alemã, concedendo apenas a Lisboa um pequeno território a Norte de Moçambique, chamado "Triângulo de Kionga", que ajustava a fronteira natural com o rio Rouvuma. Isto foi dado aos Portugueses como "um acto de graça e de conveniência" de acordo com as palavras de Alfred Milner.

O desprezo com que Portugal era visto pelo seu aliado Inglês durante a Grande Guerra era uma atitude que já vinha do passado e que continuou no pós-guerra. Os governantes, diplomatas e oficiais britânicos olhavam com desconfiança o sistema parlamentar português, o qual aos seus olhos funcionava na base de golpes, contra-golpes, intrigas e rumores políticos.

Só muito mais tarde com a implementação da ditadura do Estado Novo, de Salazar, é que Portugal começou a ganhar respeitabilidade internacional. Os Ingleses antipatizavam e desprezavam as causas e os problemas da República e tinham uma visão muito crítica sobre o caos e instabilidade da vida social e politica portuguesa, a qual classificavam como deplorável.

Agora que se fala muito de “racismo” , Sir Colville Barclay escreveu em 1929 que

"…the [Portuguese] nation, owing partly to the copious admixture of negro blood and partly to a rather enervating climate, is physically, mentally and morally degenerate. Some 80 percent of the population is either tubercular or syphilitic, 60 percent are illiterate, and almost all are incurably emotional, volatile and incapable of sustained effort or logical thought.

Este comentário foi extremamente severo mas não muito longe do nível de consideração que os Britânicos tinham dos Portugueses no início do século. Nunca mais lhes perdoei…

Depois de ler isto e de saber o que pensam de nós, é extraordinário que a aliança Anglo-Portuguesa se mantivesse após a Grande Guerra.

Se não fosse a importância estratégica de diversas posições ao longo do mundo, como a posição das Ilhas dos Açores, das Ilhas de Cabo Verde e da Guiné, creio que teria acabado nessa época esta hipocrisia. (A suivre si vous permetez, Senhor Embaixador)

Joaquim de Freitas disse...

Independentemente da velha Aliança com a Inglaterra, os portugueses era tomados em baixa consideração, e considerados a nível militar e administrativo como incompetentes. As relações com Portugal também não eram as melhores por causa da descoberta das negociações anteriores à guerra com a Alemanha para dividir as colónias portuguesas. Apesar de Portugal estar ciente desta situação continuou a desejar entrar na guerra ao lado da Grã-Bretanha a fim de preservar os seu territórios e talvez ganhar ainda parte dos territórios coloniais alemães.

No seu livro "Portugal and Africa" Richard Hammond apresenta um estudo sobre o imperialismo não económico. (a study in uneconomic imperialism) onde sustenta uma tese onde Portugal não tem nada a haver com África, uma vez que do ponto de vista económico as colónias não lhe apresentam qualquer interesse e, também, não demonstra qualquer interesse colonizador. Os emigrantes preferem continuar a ir para o Brasil e os capitalistas não investem em África. Os Portugueses apenas demonstram dois motivos para continuar a querer manter as colónias: por prestígio nostálgico de um grande passado e por prazer de as ver quando observam uma carta geográfica.

Magnifiques, os nossos aliados …

Anónimo disse...

"nada a ver" - certo
"nada a haver" - errado

Joaquim de Freitas disse...

Anonimo 4 de julho de 2020 às 14:06, que escreve:

"A decisão dos tribunais britânicos em não permitir que o Governo do ditador Maduro, “eleito” em eleições fraudulentas no mais puro estilo comunista foi a mais acertada."


O anónimo vê comunistas por todo o lado… De acordo com o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter a Venezuela tem o melhor sistema eleitoral do mundo. Para Carter, o país conta com um sistema de votação que permite o voto electrónico e o voto em papel, o que, diz, facilita a verificação dos resultados eleitorais. Mas Cárter é comunista!

Uma comissão internacional observou as eleições. Pelo que vi, organização impecável. Ninguém pode questionar as eleições da Venezuela e, em todo o planeta, não há eleições mais controladas do que na Venezuela, disse o antigo primeiro-ministro espanhol José Luis Rodriguez Zapatero, A posição dos Estados Unidos e da União Europeia de "desaprovar" as eleições presidenciais na Venezuela antes de acontecerem era "absurda". Zazpatero comunista, também?

O "núcleo duro" do chavismo, que sempre oscilou entre 5 e 6 milhões de votos, permaneceu intacto. Até aumentou em comparação com as eleições de 2015 ganhas pela direita. A abstenção é principalmente sobre uma oposição fragmentada que obedeceu ao boicote, ou simplesmente deprimida desde o fracasso da sua violência para derrubar Maduro - em 2017, desiludida com o abandono dos seus líderes.

Nas próximas eleições veremos a mesma oposição boicotar ainda, pela mesma razão: Sabem que as perderão.

Claro que Maduro , o motorista de camiões, como dizem os seus inimigos, é um Índio, como Morales, da Bolívia e isso é uma tara para os racistas venezuelanos. O racismo existe por todo o lado. Então não há portugueses da oposição ao socialismo que escrevem “monhé” quando falam do PM António Costa, porque é goês? São os mesmos da Venezuela.

Quanto ao “ditador” Maduro, como escreve, se ele fosse realmente um ditador, teria executado desde há muito Guaido, traidor à sua pátria, apelando os americanos a invadir o seu próprio país, organizando ele mesmo desembarques de mercenários, com contractos assinados por ele, pagos com o dinheiro do povo venezuelano, que ele rouba descaradamente com a cumplicidade de Trump, assim como o seu ouro.

Nicolas Maduro é apoiado pela grande maioria dos 193 Estados Membros da ONU. Não esquecer.

Não compreendi a sua explicação sobre a posição do RU. Não me parece que seja uma instituição internacional com o direito de interferir nas eleições doutro país.

Jaime Santos disse...

A 'velha aliança' é como a 'special relationship' que os britânicos dizem que têm com os EUA. É tão especial que só um dos lados se lembra que ela existe.

Quanto à suposta dependência de antigos inimigos versus velhos aliados, eu gostava que alguém me lembrasse quando foi a última vez que os bifes vieram em nosso auxílio. Acho que deve ter sido na Terceira Invasão Francesa em que o General Wellesley, duque de Wellington, derrotou os Franceses utilizando uma tática de terra queimada da qual não foram vítimas apenas as tropas de Napoleão.

Portugal foi uma colónia inglesa durante uma boa parte do sec. XIX, primeiro de facto, depois pela dependência financeira. Mapa cor-de-rosa, foi o que se viu. Também andaram a negociar com a Alemanha a partilha das nossas colónias. Os republicanos foram suficientemente insanos para se meterem na Grande Guerra ao lado do 'velho aliado'. As Lages foram cedidas durante a II Guerra Mundial, de outra maneira seriam ocupadas. Na invasão de Goa, não ergueram (e bem) uma palha.

Harold Wilson ajudou Mário Soares, mas não foi o único. Portanto, respondam-me lá o que é que ganhamos do 'velho aliado'... Os turistas, pois claro, que por estes dias não se recomendam exactamente, ver o comportamento na praia de Bournemouth antes do fim do desconfinamento ou em Londres este fim de semana.

Eu gosto muito dos Ingleses, note-se... Quando vou a Inglaterra :) ... Por cá, faríamos bem em não depender tanto de um modelo de turismo barato...

E quanto a Costa ter alinhado com anti-britânicos, digam-me lá quando é que isso foi. Costa, isso sim, defendeu em Abril de 2019 na UE que desde que os Britânicos realizassem eleições para o PE, poderiam adiar o Brexit as vezes que quisessem até que o seu Parlamento se entendesse sobre o acordo de saída... Uma defesa maior da soberania dessa vetusta instituição não poderia haver...

Anónimo disse...

Se calhar, a última vez que beneficiámos dos ingleses já foi há muito tempo mas a verdade, verdadinha, é em 1975 os espanhóis estavam prontos a invadir Portugal e, no início do Séc. XX, também. Quanto aos franceses, lembro-me da ajuda durante a Guerra da Restauração e nada mais.

Portanto, porque é importante perceber as coisas:
- há um país que foi responsável em pelo menos duas ocasiões por nos dar o músculo necessário a lutarmos pela liberdade: a Inglaterra.
- há um país que sempre teve uma política agressiva de supressão da nossa nacionalidade: a Espanha
- há um país que sempre teve uma política sobranceira, errática e agressiva para com os nossos interesses (tirando uma ocasião): a França

Vale ainda dizer que o Reino Unido foi a grande força que se ergueu contra os nazis e, consequentemente (porque não vivemos em Marte), empenhou as vidas dos seus homens na luta pela liberdade de todos nós, ao contrário da fascista Espanha e da derrotada França. Estas coisas contam...

Celebremos o que há de bom com um cálice de vinho do Porto - outra coisa que, se não fossem os ingleses, só se venderia em tascas rascas.

Jaime Santos disse...

O caro anónimo agora assume a postura de que temos que defender a velha aliança porque os Ingleses têm uma História porreira e os nossos velhos inimigos nem tanto.

Ok, brindemos à saúde deles e dessa História com o dito cálice de Porto, e só, que é, suspeito, a única coisa que eles estarão dispostos a fazer por nós.

Penso que é exatamente o que o Sr. Embaixador recomendaria, ele que acredita na aliança tanto como os Ingleses, se ele me perdoa o atrevimento...

A política externa faz-se em torno de interesses comuns ou de divergências, não em torno de velhas amizades, sem estados de alma nem patrioteirismos serôdios como os em que caiu o PR. Toda a reação dos nossos órgãos de soberania, começando no MNE, passando pelo PM e acabando em Marcelo, soou ridícula...

Com os Espanhóis e os Franceses temos interesses comuns (falo evidentemente do financiamento comunitário pós-crise), aos bifes desejamos que eles descalcem bem a bota do Brexit e tudo tem sido feito para que isso aconteça, muito embora a postura seja a do costume, ou o acordo é nos nossos termos ou não há acordo.

Como eles dizem, if you don't change course, you will end were you are heading to... Good riddance!

Anónimo disse...

Como seria de esperar, o anónimo Jaime Santos (cuja entidade mais não é do que um vulgar registo informático sem qualquer valor), passou ao lado da questão. Adiante...