Durante anos, para alguns, Amália era “fascista”, bandeira do Estado Novo, misturada romanticamente com a plutocracia, com fábulas noturnas no chafariz do Rossio.
Depois, foi a sua recuperação pelo lado intelectual, dos poetas “bons” que cantou à parceria com Alain Oulman, um esquerdista que a Pide prendeu. As noites “chez Amália”, com nomes sonantes por lá, consagraram um cenáculo prestigiante.
Agora, parece que se descobriu que Amália apoiou gente perseguida pela ditadura.
Pelos vistos, a julgar pela incessante coscuvilhice à sua volta, o passado de Amália está ainda cheio de futuro.
E se, muito simplesmente, ouvíssemos a fantástica voz de Amália e deixássemos em paz a sua vida?
