quinta-feira, julho 02, 2020

Amália


Sempre achei perfeitamente ridícula a questão da relação entre Amália e a política. A arte de Amália torna-se melhor ou pior, dependendo da sua “lateralização” ideológica? Que palermice!

Durante anos, para alguns, Amália era “fascista”, bandeira do Estado Novo, misturada romanticamente com a plutocracia, com fábulas noturnas no chafariz do Rossio. 

Depois, foi a sua recuperação pelo lado intelectual, dos poetas “bons” que cantou à parceria com Alain Oulman, um esquerdista que a Pide prendeu. As noites “chez Amália”, com nomes sonantes por lá, consagraram um cenáculo prestigiante.

Agora, parece que se descobriu que Amália apoiou gente perseguida pela ditadura. 

Pelos vistos, a julgar pela incessante coscuvilhice à sua volta, o passado de Amália está ainda cheio de futuro.

E se, muito simplesmente, ouvíssemos a fantástica voz de Amália e deixássemos em paz a sua vida?

No MNE

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