Na casa das minhas tias, nas Pedras Salgadas, no belo terraço arredondado com cadeirões de verga ou de madeira, com largos braços, guardo a imagem dos mais velhos a porem a conversa em dia, comentando os casos da vida.
Na varanda que torneia o pátio da casa dos meus avós maternos, não muito longe, em Bornes, com as pessoas no escano ou nas muitas cadeiras que por lá havia, formava-se um cenáculo de belas conversas, com gente da família ou amigos a juntarem-se, vindas de outras casas, a quem era oferecido um cálice de “vinho fino”.
Eram também assim as noites em Viana do Castelo, nas férias grandes, em torno da minha avó paterna, na casa do largo Vasco da Gama, com os filhos no ritual da visita diária. Recordo-me que a claridade declinava, quase subitamente, e, se alguém, inesperadamente, entrasse na sala, ficaria com a ideia de que todos tinham para ali ido às escuras.
Esse é o segredo desses momentos. Se uma luz se acende, e cedo ou tarde isso acontece, toda a magia de penumbra desaparece. As conversas já não voltam a ser as mesmas.
