Lamento bastante a posição assumida por António Costa face a Viktor Orbán, “desligando” a questão dos fundos europeus do cumprimento dos valores e princípios da União. Não me revejo nessa “realpolitik” de oportunidade, que abertamente favorece o detestável e reiterado comportamento do autocrata húngaro. O argumento de que há outras áreas dos tratados europeus em que o tema melhor caberá é muito débil.
Mas quem, entre nós, nunca mostrou o menor empenho em isolar Orbán e o seu partido, no seio do Partido Popular Europeu - o grupo político onde estão o PSD e o CDS -, alinhando na oportunista tática de o “suspender” antes das últimas eleições para o Parlamento Europeu, não tem hoje a menor autoridade para criticar o primeiro-ministro por aquele infeliz gesto.