sexta-feira, 10 de julho de 2020

Não sei o que te diga


Não sei o que te diga, Mena. Hoje, 10 de julho, uma data muito triste para ti, tu que colecionas tantas datas tristes. Viste partir uma filha, viste desaparecer o teu filho e, há não muito, também, o teu companheiro de vida. Já os teus pais e um irmão tinham saído de cena. Resistir à dor, sublimando-a à tua maneira, passou a ser a tua forma de vida. Às vezes, estranhamos aquilo que parecem ser os teus delírios, os teus mundos algo míticos e oníricos, algumas reações que nos chocam. Mas nenhum de nós ousa sequer pensar o que seria, como reagiria se estivesse no teu lugar, se fosse o protagonista desse teu mundo de tristezas, feito de tantas perdas acumuladas, de futuros não cumpridos. Eu, que te conheço de toda a vida, desde a infância comum, que acompanhei todos esses tempos, que assisti à tua transformação por todas essas dores, que aprendi a ler as sombras que estão por detrás desse teu sorriso tão bonito, quero deixar-te aqui, hoje, dia 10 de julho, um beijo fraterno de grande admiração pela tua imensa e ímpar coragem.

1 comentário:

AV disse...

Um texto muito comovente sobre a sobrevivência à devastação que a perda dos que nos são queridos, e dos futuros que não virão, causa.