sábado, 4 de julho de 2020

Diplomacia

A anunciada atitude britânica face ao turismo com Portugal revela o que parece ter sido um lamentável viés, isto é, a utilização de índices que abertamente desfavoreceram o nosso país, em paralelo com outros. A ironia, que poderia ser utilizada se não se tratasse de um caso com sérias implicações económicas, é que, comparativamente com o Reino Unido, a situação sanitária portuguesa, sendo menos brilhante do que já foi, continua a ser bem mais positiva do que a que por lá se vive.


Tudo indica que Portugal tem toda a razão do seu lado e que o Reino Unido a não tem. Percebo assim perfeitamente que o ministro dos Negócios Estrangeiros tenha tido a reação que teve, porque era importante fazer chegar a Londres um sinal político forte da nossa insatisfação. Ele ficou dado e bem, como Augusto Santos Silva sabe fazê-lo. E o mesmo foi ecoado, com brilho, por um alto responsável político do principal partido da oposição.


Mas isto não é o Mapa Cor-de-Rosa! Haja bom senso e não se enverede por movimentos públicos de desagravo patrioteiro. Agora, começa um novo tempo: pelo menos por quinze dias (tempo em que se fará a eventual revisão da medida), tudo continuará nos termos que Londres anunciou. Há que encetar - e estou certo que isso já está a ser feito - um rápido trabalho de sensibilização, com base num diálogo sereno, para demonstração rigorosa das nossas razões, com base em critérios técnicos e científicos, credíveis e insofismáveis. É assim, e só assim, que se poderá conseguir reverter a situação. A diplomacia é isso.

23 comentários:

Anónimo disse...

Vamos ser rigorosos?

Não é Portugal que está na lista mas sim o Continente. Os Açores e a Madeira não são alvo de qualquer "crítica".

A lista tem a ver com a Inglaterra. Escócia, Gales e Irlanda não têm que a seguir e - aliás -, até já houve sérias críticas vindas destes países.

Anónimo disse...

Tem razão sr Embaixador é preciso serenidade e diplomacia!
Já deviamos conhecer melhor o nosso aliado para perceber que as noticias dos surtos recentes na região de Lisboa e em certas zonas do Algarve iriam, pelo menos nesta fase inicial, afastar Portugal do corredor turístico.
As cunhas,a pieguice e as desculpas são mais opacas no RU. Usa-se mais frequentemente: "off the record", "I didn't see/hear that" mas os factos ( náo sei se bem, se mal contados) estavam
documentados para português ver.

" R y k @ r d o " disse...

Amigos amigos...politica à parte.
São tantas as encruzilhadas da vida... tantas, tantas.
.
Fim de semana de Paz e bem
Cumprimentos

AV disse...

Sim, a diplomacia é isso. Talvez devêssemos ter começado por adoptar uma posição semelhante à da Grécia em relação a voos oriundos do RU. Percebo mais a lógica da posição da Grécia do que protestar com base na situação do RU ser muito pior do que em Portugal e pedirmos-lhes que venham a Portugal sem quarentena.

O desatino do RU neste assunto é bem demonstrado pelo facto de as listas do FCO e do DfT nem sequer coincidirem, estando os Açores e a Madeira na lista dos destinos que não requerem quarentena na primeira e ausentes na segunda. Poderíamos ser desculpados por pensar que se trata de incompetência em vez de malícia ... pragmaticamente, não será difícil viajar para um aeroporto no Sul de Espanha e vir daí a Portugal continental.

Anónimo disse...

Caro Francisco,

Quereremos nós assim tanto que os ingleses nos venham infectar? Tenho visto e ouvido que não há nenhum controle á chegada aos aeroportos do continente.

Um abraço

JPGarcia

Anónimo disse...

o ministro tem andado muito ocupado com o Guaidó, é o que é - não pode ir a todas, muito menos às pouco relevantes.

Anónimo disse...

As bravatas patrióticas dão boa imprensa mas servem para pouco e turvam o discernimento.
Os factos são desagradáveis mas são reais. Em termos de novos casos, temos a segunda pior situação da Europa. A área metropolitana de Lisboa, só por si, tem diariamente mais novos casos do que a generalidade dos países europeus, mesmo os que têm populações muito maiores do que Portugal.
Os critérios que a Inglaterra nos aplica para impor uma quarentena, no regresso, a quem nos visita são, no essencial, os mesmos que nós, enquanto membros da UE, aplicamos ao resto do mundo para proibir que viajem para cá. Se os critérios são errados, o nosso MNE tem protestado contra a sua aplicação pela UE? Qual é a nossa coerência para defendermos que não nos devem ser aplicados a nós? Se os critérios que a UE aplica para o exterior fossem também aplicados no seu interior, neste momento estaríamos impedidos de aceder a qualquer país europeu. Não era apenas com problemas para receber visitas.
Diz o governo que o problema está circunscrito aos arredores de Lisboa pelo que não faz sentido impor restrições a todo o país. Por um lado, talvez isso seja verdade agora, mas não será daqui a um mês quando formos "todos" para o Algarve, como o governo apela a que façamos. Por outro lado, é isso que nós fazemos, analisar a situação de cada país ao nível regional? Proibimos só as visitas dos brasileiros ou dos americanos que vêm das zonas mais afectadas dos seus países?
O governo faria melhor em trabalhar, na contenção da pandemia e ao nível diplomático, em vez de fazer declarações acaloradas para consumo interno. E para escrever tweets já basta o tonto da Casa Branca.

Paulo Guerra disse...

Parece que o Ministro ouviu o Sr. Embaixador.

Paulo Guerra disse...

Estamos sempre a voltar à credibilidade de alguns indicadores. Enquanto não for possível testar toda população todos os dias só devia ser possível comparar o número de internamentos. Em Portugal abaixo dos 500.

Já o argumento, também batido pelo MNE, que eles até estão piores que nós. Só mais uma razão para ainda terem mais cuidado com quem chega ao RU. Digo eu.

Paulo Guerra disse...

O MNE que lhes ofereça uma participação na TAP como os espanhois fizeram com a Iberia que eles voltam logo.

J I Toscano disse...

Quereremos muito ser infectados?
PM mostrou barras comparativas da incidência nos 2 países e não há português com juízo que vá turistar para o RU!

Anónimo disse...

Achei a argumentação do Santos Silva, debitada no Telejornal, muito fraquinha. Aliás, nem a percebi, para dizer bem a verdade. O que é que ele quis dizer? Que em Lisboa é que está mal e que o Algarve está um mimo, como se estivéssemos em países diferentes e os ingleses não soubessem que a malta de Lisboa vai desaguar no Algarve. E que argumentos fortes temos para fazer os bifes mudarem de ideias, supondo que a ironia e o cinismo do nosso MNE não se afiguram suficientes? Não temos! Só se for aquela conversa que o PR anda a debitar da mais velha aliança.... Digo-lhe uma coisa: como português sinto-me humilhado!

Reaça disse...

Iam os dois à Merida mas o Antoino levava ao caudilho no mínimo a altura do chapeu preto.

A desproporção hoje é do ombro para baixo em desfavor dos nossos.

Anónimo disse...

O PM do Reino Unido preocupa-se e tem que cuidar essencialmente dos seus concidadãos, do Reino Unido.

É absurdo pensar que por causa de um Tratado, Anglo-Português de 1373, de cariz militar, o RU deveria ultrapassar hoje em dia, simples mas mandatórias regras de saúde pública.

Por outro lado -apesar dos assoberbados e certamente compreensíveis mas não menos irresponsáveis interesses da indústria do turismo- o Ministro deveria abster-se de criticar em público a (correcta) decisão de um seu superior na linha do protocolo. Não teve razão, nem tacto, nem elementar sentido diplomático.
Só faltava dizer que quem se mete com ele ...

Anónimo disse...

eu prefiro que rapidamente sejam reduzidos os surtos
que tudo seja feito, com equipas de proximidade, para identificar os locais e
as causas que estão a permitir que novos casos estejam a acontecer diariamente,
isto para que todos cá, tenhamos mais segurança!
daí que se dê apoio às populações em termos de transporte, de meios de
segurança nos locais de trabalho por exemplo, e que o estado que tem todos as capacidades do país à sua disposição que lhe são permitidas pela legalidade da sua missão, não hesite em usá-las com rigor e empenho
porque não colocar transportes públicos ou camarários onde faltam camionetas?
verifica-se talvez o diminuir dos processos de fiscalização a seguir ao processo de desconfinamento, se compararmos com o trabalho que foi feito durante a quarentena?
Portugal é um país pequeno, as pessoas têm de trabalhar, têm o dever de se proteger e de proteger os outros, mas têm o direito de ter um governo e autoridades locais, que controlem a situação sanitária o mais rapidamente possível

Anónimo disse...

Não nos podemos esquecer que Portugal , no que se refere ao número de contágio por mil habitantes está à frente da Inglaterra e até de Itália. Não vale a pena estarmos a lamentar quando, efetivamente não se agiu como devia, apesar do histórico de outros países com estádios pandémicos mais adiantados do que o nosso. É verdade que o governo publicitou demasiado prematuramente, que estava tudo bemqusndo afinal tudo estava mal. Enfim, mais uma vez, amadorismo e irresponsabilidade!

Jose Martins disse...

Eu há muito que me "caguei" para o Tratado-Anglo-Português de 1373, de cariz militar e para os bifes. Os 16 anos que trabalhei, junto, deu-me o ensejo de os conhecer bem. Cada bife tem uma Rainha Vitória no peito que faz dele um um "gajo" arrogante.

A. Küttner disse...

Boa tarde

Só uma linha quanto ao que escreveu no Público de sábado!!!

Escrever como só o Brasil impõe a Portugal que se escreva, faz deturpar o verdadeiro Português!

Logo, ainda bem que o PÚBLICO, não entrou no seguidismo de escrever, algo que tantos não aprovam, ter que ser assim escrito.

Melhores cumprimentos

A Küttner de Magalhães

Anónimo disse...

Eu diria que o nosso governo tem de passar a mensagem que acredita nos portugueses
como souberam adaptar rapidamente a sua produção, para produzir máscaras, desinfetantes, criar aulas audiovisuais, etc.
o importante será mesmo também não deixar as pessoas desempregadas,
e arranjar soluções para que essas pessoas cujos cargos profissionais estão suspensos
passem a fazer outra coisa do que o país tanto carece
quando existem importações que superam as exportações que tanto custam à balança
do país, não se compreende que não existam mais ideias para por a funcionar
polos de produção de artigos alimentares ou outros
espaços vazios não faltam por esse país fora, só não vê quem não quer
e aliás temos a juventude muito qualificada cujo conhecimento se não for
aproveitado é uma tragédia!

Lúcio Ferro disse...

Os bifes que se quilhem. Mas continuamos no tempo da alegada excepcionalidade britânica? Que não venham, podemos perder no curto prazo as receitazinhas do seu turismo de massas da treta, pois sim, e os custos potenciais que essa tropa infectada inevitavelmente traz para cá, quem os paga? Os bifes que vão passar férias para as Shetlands ou que she banhem no Tamnisa, and good tidings, não são exemplo para ninguém e até são é um perigo. Ganhar meia dúzia de tostões para ter o país outra vez fechado daqui a dois ou três meses? Não.

Anónimo disse...

Lúcio Ferro. Muito bem.
Espero que essas criaturas mantenham a sua decisão, uma vez que "nós" não temos juízo.

E um teste negativo Covid-19, até 72 horas antes de chegar a este belo país, serve para quê? É melhor começar a PENSAR, PENSAR, PENSAR.

Impraticável fechar outra vez. Vamos ter de conviver com o SARS-CoV-2. São três regras para cumprir, é fácil!

Luís Lavoura disse...

Eu acho é que Portugal já há muito deveria ter posto o Reino Unido na lista de países de onde nãos e aceitam vôos, tal a taxa de infeções que por lá reina.
Não é o Reino Unido que deve por Portugal na lista negra, mas sim o contrário.

Anónimo disse...

Atenção aos cantos de sereia...
Geralmente, as inflamações anti-inglesas trazem água no bico e propostas de alianças profanas com a Espanha. Há por aí muito amigo da Espanha (no pun intended, ó FSC).