Não aprecio muito as análises sobre a comunicação social que assentam na presunção mecanicista de que a orientação dos "media" depende quase exclusivamente das pessoas escolhidas para os dirigirem. Uma avaliação deste tipo pressupõe que o corpo redatorial desses jornais, rádios ou televisões não passa de meros "paus mandados", sem coluna vertebral deontológica, que se vergarão às determinantes que lhes vierem a ser impostas, sem um mínimo de resistência se acaso lhes vier a determinada uma inflexão enviesada na linha informativa. Também resisto a pensar que certos profissionais nomeados para lugares de chefia nesse órgãos, conhecidos pelas suas posições mais à esquerda ou à direita, tendem a que essa sua orientação ideológica se sobreponha em absoluto ao seu compromisso profissional com a verdade.
Penso tudo o que escrevi. Mas a vida e a experiência também me ensinaram a já não ser excessivamente ingénuo neste tipo de questões, "if you know what I mean".