O PCP, coitado, foi cilindrado nas eleições presidenciais. O candidato, Edgar Silva, foi, aliás, o menos culpado do descalabro, com uma campanha tão viva quanto o permite a mensagem que o partido transmite. Os comunistas não perceberam a tempo que muito do seu eleitorado cedo se transferiu, pela lógica do voto útil, para Sampaio da Nóvoa. Uma desistência em favor deste, a dois ou três dias do sufrágio, teria poupado esta humilhação.
Numa lógica que reproduz o partido brasileiro PMDB, que tem sempre uma parte na "base governista" e um setor na oposição, os comunistas procuram agora compensar o desaire saindo para "a rua" - essa "urna de voto" em que sempre se sentiram mais à vontade. E embora o governo socialista tivesse anunciado que, a seu tempo, retomaria as 35 horas que o anterior governo retirou à Função Pública, a CGTP de serviço saiu já à rua, não vá o diabo tecê-las. Sobre "a esquerda da esquerda", António Costa deve ter aprendido mais em escassas semanas do que em 40 anos da vida política que já leva.
No desvario do nervosismo da noite eleitoral - que me recorde, foi a única vez, desde o 25 de abril, que o PCP (ou os seus heterónimos frentistas) não teve uma "vitória", que é difícil mas é sempre deles! -, a Jerónimo de Sousa, homem sensato e cordato que costuma ser, saiu uma frase muito infeliz, ao dizer que o partido poderia ter optado por "uma candidata assim mais engraçadinha"
Foi o que se pode qualificar como uma graça "machista-leninista"...
