domingo, dezembro 09, 2012

O Esteves

Ontem, em conversa num grupo de amigos, comentava-se a circunstância de, em alguns países com problemas de segurança, ou apenas com governantes menos populares, a imprensa oficiosa se referir sempre no passado às deslocações oficiais, evitando o anúncio antecipado das mesmas. Em alguns desses países, tais visitas são mesmo consideradas uma espécie de "segredo de Estado".

Em silêncio, lembrei-me que, no tempo de Salazar, tantas eram as notícias que relatavam que "o senhor presidente do Conselho esteve ontem em visita a ..." que, no léxico da oposição mais moderada, o ditador era designado pelo "Esteves".

Mas este é o tipo de anedota que não se consegue "traduzir". Por um lado, ainda bem: evita lembrar que, há poucas décadas, nós também vivíamos assim. Às vezes, há quem pareça esquecer isto. 

19 comentários:

  1. Anónimo08:47

    Agora nem temos anedotas cujo humor supere a anedota da realidade!
    Algum humorista se lembraria de dizer que um curriculum com participações em CA de grandes empresas não pode ser de alguém corrupto?

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  2. Anónimo10:21

    Senhor Embaixador:
    A oportunidade e a ironia como comenta e liga o passado ao presente são deliciosas.

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  3. Anónimo13:00


    E quem o parece mais esquecer é , na maioria dos casos , quem mais o devia lembrar .
    Oportunismos a contar com algo de muito curto : a memória dos povos.

    RMG

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  4. não conhecia essa explicação da alcunha do salazar, refinado o caminho que foi seguido para assim o designar, e magnifica a caricatura de j a manta, desde a figura adunca do personagem ao cenário onde se situa, sózinho, atrás da janela do palacio, maquinando, prisioneiro dele mesmo, sei lá. uma obra prima da caricatura portuguesa e o seu autor um génio.

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  5. Anónimo16:18

    E ainda assim vivia-se melhor que hoje!

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  6. Anónimo19:00

    Vivia você, se calhar. Ora ele ainda há cada um...

    CSC

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  7. Anónimo20:27

    Não sei até que ponto o próprio povo não poderá começar a ser visto como um perigo para a segurança de alguns políticos e até que ponto estes mesmos políticos não terão que optar a prática do “Esteves” para as suas deslocações...
    Porque o liberalismo sem controlo democrático permitiu tais atropelos nas nossas democracias que hoje coabita-se com as injustiças e já não há protestos que sejam ouvidos. Aquele liberalismo levou-nos aqui: ver democratas e fascistas sentados lado a lado a discutirem sobre os problemas do estado como se ambos estivessem interessados nos mesmos objectivos. Aquele liberalismo permite a permanência, depois a saída e de novo a entrada, de corruptos em postos de chefia política como se a democracia estivesse encabrestada. Este liberalismo leva muita gente do povo a pensar que só um punho forte como Salazar pode impedir esta deriva. E isto é muito grave. A Europa está em muito maus lençóis!
    José Barros

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  8. Embora o antigo PM não tenha deixado boa memória a muitos de nós, a memória que alguns outros irão deixar também não honrará os próprios.
    Antes, era o "Esteves". Agora podia ser o "Estavas"! É que de promessas estávamos nós cheios. E continuamos...

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  9. É preciso algum cuidado quando se fazem comparações entre figuras do Estado Novo / Segunda República e as personalidades actuais. Os tempos, os contextos e as realidades são muito diferentes...

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  10. Senhor Embaixador: uma vez mais V. Exa.faz,ainda que em tom "leve",pedagogia lembrando um aspecto típico do comportamento do ditador.
    Muitas vezes me recordo dos passeios que, em Cuba, dava Fulgencio Batista,antecedidos pelo encerramento das ruas por onde ia passar.
    E, nem sei que diga,quando verifico que ainda há quem afirme que,ao tempo, se vivia melhor.
    A propaganda subliminar produz,sem dúvida, efeitos.
    Também não me parece aceitavel estabelecer paralelismos entre quem nunca teve o menor respeito
    pela democracia,pelos direitos humanos-sera preciso lembrar a Pide,os Tribunais Plenários, a Censura etc.-e quem em consequencia de eleições livres governou, ou governa, o nosso país.
    Pela minha parte recuso esses paralelismos ainda que me sejam apresentados muito bem embrulhdos.

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  11. O "esteves" por cá é uma agência funerária, que alegoria e ou analogia...

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  12. Telegrama do SNI para Presidente da JFreguesia:" Informo Vexa que Sexa passará por aí. Informe."
    Resposta do Presidente da J.F. : "Informo Vexa que Sexa passou na mecha e não parou"
    Era assim, naquele tempo.

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  13. Anónimo10:57

    A velha senhora quis-se épica mas, explica, hesitou e baralhou-se logo na primeira estrofe. A idade não perdoa - e os copos muito menos.

    vinicamente inspirada
    cometi-me uma odiseia
    à divina cavacada
    mais a toda essa alcateia
    que o país reduz a nada
    tão feia ideia encravei-a
    odiei-a encavacada
    escavacou-me a ideia
    adiei-a:


    ah décadas atrás assim vivíamos
    assim voltamos quase ora a viver
    'esteves' lhe chamámos se podíamos
    'devias' hoje um outro deve ser
    chamado com razão que é fraco príamos
    devia mas receia aparecer
    pavor do povo tem e não devia*
    tem medo do que o povo lhe faria*

    *e/ou

    pavor do povo tem a quem devia
    servir como jurou sem galhardia

    pavor do povo tem pra se mostrar
    horror no povo tem que o vai lixar

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  14. E que dizer dos presos políticos de Fidel de Castro?
    É evidente, não existem!

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  15. Anónimo15:41

    Deixem lá! A gente cá "estará" p'ra ver. Se de verdade somos como nos descreveu Christine Garnier: "Os fados amolecem o carácter português, esvaziam a alma das suas energias e incitam à inacção".
    Valha-nos este humor e jeito para estas "piadas".

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  16. Anónimo21:46

    Pois é.... estes comentários assustam mais que as mudanças operadas nos impostos ultimamente. Mas eu sou não politizado por isso ainda estranho mais. Mas ando a saber pouco

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  17. Senhor Embaixador: já tive opurtunidade de aqui escrever que quando faço, neste espaço, algum comentário,sempre procuro respeitar certos limites,entre os quais se increve o de não distorcer o que outros afirmam.
    È em nome desse respeito que peço licença para dizer a Dra Helena Sacadura Cabral que sei, e não esqueço,que em Cuba há presos políticos.
    Tentar interpretar a evocação que fiz de Fulgencio Batista no sentido de encontrar algum aval ao chamado regime "castrista" é, simplesmente,ler o que não está lá, e ignorar todo o contexto.
    Quanto a minha opinião sobre Salazar, sobre o regime que fundou, e alimentou, bem como quanto ao meu entendimento que há um certo pensamento "salarazento" em curso não lhe altero uma vírgula.
    Por muito que isso possa desagradar a certas pessoas,e por muito pouco sejam audíveis as minhas opiniões.

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  18. Anónimo15:14

    Ainda há quem se lembre de mim? Estou comovido.

    a) Fulgencio Batista

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  19. Caro EGR
    Bem longe estou de avalizar o regime de Fulgêncio. Longe disso. Mas quando se fala de um lado da história que se lamenta e muito, não pode esquecer-se o outro lado da revolução cubana. E creia que os presos políticos estão longe de serem apoiantes de Batista. São é contra o regime de mais de 40 anos dos manos Castros. Sejam eles Fidel ou Raul. Quem conhece Cuba sabe que o regime de Fidel deu ao seu povo muita coisa importante. Mas durou tempo demais... e hoje dá dor ver como se vive naquela terra.
    Mas respeito a sua opinião. O que não aceito é que interprete a minha como um aval a algo que sempre censurei. Fiz-me entender?

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