Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Desagravo*


((*) Alguns palermas - o nome é esse - não conseguiram ver neste texto a ironia que ele obviamente continha. Mas alfabetização dessa gente é possível!)

Neste Natal, uma palavra de desagravo é devida a um homem que dá pelo nome de Artur Baptista da Silva, nas últimas horas alvo de uma violenta campanha de difamação mediática. 

Com uma imperdoável precipitação, a nossa comunicação social colocou em dúvida as suas credenciais como importante responsável técnico dentro das Nações Unidas. Pelo que me toca, devo dizer que enquanto não ouvir uma atestação pessoal de Ban Ki Moon, a palavra de Artur Baptista da Silva é-me pelo menos tão válida quanto a dos seus detratores. E o facto das estruturas principais das organizações internacionais estarem, nesta época, em período de férias torna difícil credibilizar, com segurança, qualquer contestação que delas eventualmente possa emergir, quiçá infirmando as relevantes responsabilidades que o Professor Baptista da Silva afirma exercer dentro da ONU.

Uma meridiana prudência aconselha, assim, a que se tente ir um pouco além de meros pormenores de natureza adjetiva, como seja essa sempre despicienda questão dos cursos ou títulos académicos, bem como das instituições universitárias que os emitiram. A experiência dos jornalistas portugueses já os deveria ter ensinado a não seguirem por esse tipo de caminho. E talvez seja muito mais prudente e avisado começar a julgar a idoneidade do Professor Doutor Baptista da Silva em função da real substância daquilo que ele próprio tem vindo a dizer sobre a nossa situação económica, a exemplo do que lhe ouvi, sob o olhar grave e perscrutante do participantes, no recente "Expresso da Meia Noite" da SIC.

A minha pergunta é muito simples: como é possível alguém ter o topete de qualificar o Professor Baptista da Silva como um "impostor" quando, nos últimos meses - eu diria mesmo, nos últimos anos! - muitos dos economistas portugueses, seus eventuais colegas, nos encheram os ouvidos e os dias com coisas bem menos bem articuladas? Não me venham dizer que esses economistas são todos uns impostores! Acredito mais rapidamente no Pai Natal do que nisso, desculpem lá! 

Não conheço pessoalmente Baptista da Silva. A sua cara, porém, diz-me qualquer coisa, não me é estranha, embora não possa garantir, a 100%, tê-la avistado algum dia no "Indonesian lounge" ou na "cafeteria" do palácio de vidro, em Nova Iorque. Graça teria se tivesse sido nos corredores da OMPI...

(Em tempo e para os leitores mais ingénuos: com este post, divulgado numa altura em que a patranha já era evidente, quis apenas significar que Portugal se está a transformar num país de Baptistas da Silva... Os portugueses mereceram bem, neste Natal, esta divertida e ubuesca história, onde a realidade de cruzou com a ficção, num registo a que não faltou um discurso a armar ao técnico especializado, o qual, só pelo facto de tratar de coisas sérias, foi logo tomado a sério! E toda a comunicação social portuguesa, que foi alegremente na onda, vinga-se agora com o desmascarar deste editorialista económico do "Borda d'Água". Com Baptista da Silva nas televisões e o regresso de Vale e Azevedo fica constituído um belo dueto dos especialistas do "faz-de-conta", digno do crédulo país do absurdo em que, afinal, parece que nos estamos a converter. Uma boa consoada para todos!)

Seguidores

Quem quiser receber os post publicados neste blogue basta inserir o seu email onde, em cima, figura a palavra "seguir".