Estou certo de que este post vai ser mal compreendido por muitos amigos meus.
Ontem, ao ver o meu Sporting derrotado copiosamente pelo Rio Ave, tive um sentimento estranho: como que me regozijei com aquela derrota, com o empurrar do clube, que toda a minha vida apoiei, um pouco mais "para o fundo", como se uma "descida aos infernos" nos pudesse ajudar a libertar, de uma vez por todas, de toda a gentalha que tomou conta e dirige aquela casa, desde um inenarrável presidente - figura que protagonizou uma obscena "última ceia", como cartão de Natal - até à indizível figura dum alegado treinador, cujo perfil físico se aproxima inapelavelmente dos "sem abrigo" desportivos ou dos arrumadores que polulam à volta do Alvalade XXI. E, devo dizer, começo mesmo a desconfiar que não estou sozinho neste crescente sentimento, algo masoquista, do "quanto pior melhor".
O Sporting foi e é um grande clube, indiscutivelmente com a mais sã e paciente massa de sócios e simpatizantes do mundo. Depois de anos em que prevaleciam nos seus corpos gerentes alguns legionários e notórios fascistas, que a época facilitava que fossem olhados como gente de bem e que lá iam conseguindo cíclicas vitórias, o clube conseguiu resistir à passagem pela sua liderança de "gangsters" e aventureiros, desde sempre intervalados por gente muito séria e dedicada, a qual foi fazendo o que podia - o que, quase sempre, não foi muito, diga-se. Nada que fosse novo no futebol doméstico: outros clubes foram e são dirigidos por personalidades que, se houvesse um mínimo de justiça, deveriam estar, muito simplesmente, atrás das grades. Basta olhar para a cara de alguns deles!
A espaços, neste seu percurso algo patético das últimas décadas, o Sporting soube erguer-se, conseguiu, com garbosa regularidade, afrontar os vizinhos de uma bomba de gasolina que há ali ao pé do Colombo, frequentemente bateu o pé a uma rapaziada que se entretem a jogar a bola nas proximidades da Areosa. O seu problema, neste últimos anos, nunca foram essas agremiações mais popularuchas, ligadas a nomes de bairros ou a simpáticas localidades de província - coisa fácil de lidar para um clube que, com o Atlético, sustenta com garbo o nome "de Portugal".
Sempre tremi muito mais após um apito inicial na Mata Real ou nos Barreiros, do que em faraónicas construções iluminadas a lampiões ou geridas por "andrades" de província. O Moreirense ou o Desportivo das Aves é que são o meu problema. O Torreense ou a Naval 1º de Maio é que me fazem suar de angústia. Só que esta "regra" - ser habitualmente derrotado por clubes pequenos - foi-se perdendo: eu já começo a ter medo que o Sporting perca com o Porto! E, às vezes, até com o Benfica! Ao que chegámos!
A partir daqui, como é evidente, as coisas começam a ser sérias! Por isso, a regeneração do Sporting é imperativa. Há que fazer alguma coisa. Já! No limite, tal como na pátria, há que chamar a "troika", fazer um "resgate", diminuir o défice, controlar a dívida! E, de caminho, aumentar o desemprego, começando pela descartável direção, seguida pela equipa técnica e mandando aquela heteróclita rapazida internacional, que a espaços veste de verde-e-branco e se passeia displicente pelos relvados, de volta urgente às suas múltiplas pátrias. Há contas em atraso? Que as pague quem contratou aqueles paralíticos! "Reestruture-se" a dívida do Sporting e, de caminho, aproveite-se para pôr cá fora a situação financeira das outras agremiações congéneres do burgo. Alguém terá coragem de acabar com o "dumping" desportivo que por aí vai?
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