Ontem, em conversa num grupo de amigos, comentava-se a circunstância de, em alguns países com problemas de segurança, ou apenas com governantes menos populares, a imprensa oficiosa se referir sempre no passado às deslocações oficiais, evitando o anúncio antecipado das mesmas. Em alguns desses países, tais visitas são mesmo consideradas uma espécie de "segredo de Estado".
Em silêncio, lembrei-me que, no tempo de Salazar, tantas eram as notícias que relatavam que "o senhor presidente do Conselho esteve ontem em visita a ..." que, no léxico da oposição mais moderada, o ditador era designado pelo "Esteves".
Mas este é o tipo de anedota que não se consegue "traduzir". Por um lado, ainda bem: evita lembrar que, há poucas décadas, nós também vivíamos assim. Às vezes, há quem pareça esquecer isto.
Mas este é o tipo de anedota que não se consegue "traduzir". Por um lado, ainda bem: evita lembrar que, há poucas décadas, nós também vivíamos assim. Às vezes, há quem pareça esquecer isto.
