sábado, dezembro 29, 2012

Ondas

Este Natal, como despedida de Paris, tive direito à oferta de um magnífico trabalho de Gérard Castello-Lopes.

Não revelo, mas gostei muito, da interpretação que quem mo ofertou fez da natureza das ondas deixadas pelo cacilheiro.

10 comentários:

  1. Embora bonito, MAS SÓ? Este, o prémio pelo culminar de uma BRILHANTE E INVULGARMENTe ESFORÇADA CARREIRA ao serviço de um ingrato país? De Ingratidão das ingratidões está o nosso País cheio!Gilberto Ferraz

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  2. É uma bela foto de uma sinuosa onda no rio. Lembrou-me os meus tempos de criança, onde andar nos cacilheiros de então, era uma aventura de intenso sabor marítimo, que o meu Pai aproveitava para nos ir explicando a riqueza do Tejo! Houve tempos assim...

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  3. Anónimo15:31

    Bem bonito!Muito sugestivo...

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  4. Anónimo16:20

    Na nossa carreira aprende-se a arte de não fazer ondas...

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  5. O Andaime

    (...)
    Ondas passadas, levai-me
    Para o alvido do mar!
    Ao que não serei legai-me,
    Que cerquei com um andaime
    A casa por fabricar.

    Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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  6. Lindíssimo olhar; uma bela escolha de quem o ofertou.

    A suave sinuosidade sugere a linha feminina.
    Um perfil longilíneo, adoçado pela neblina do encantamento.
    Ele afasta-se deixando a nostalgia da sua presença.
    Ela segue-o com o olhar, espreguiçando-se langorosamente.
    É um affair, donc 'cherchez la femme'.

    Tratar-se-á de um presente pessoal e não institucional. Ou não; que sei eu de etiqueta e protocolo diplomáticos?

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  7. Nada disso. Estas ondas são aproveitadas para serem "surfadas" pela rapaziada da "outra banda".
    Eu sou do "Banda Larga"blogspot...se me quiserem visitar.

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  8. Tapete de espuma branca
    onda doce, triste travessia
    cacilheiro leva-me a Lisboa
    onde nasci e onde morria

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  9. para uma écloga do tejo


    agora cai a noite, ainda vejo
    aquela fita branca
    a rebocar a tarde ao rés das águas
    talvez seja de um barco, mas não quero

    olhar o barco, a minha vida é ver
    desentrançar-se a espuma
    numa leve torção de múltiplos silêncios
    como um rasto de tudo o que passou,

    de ausências várias várias a horas e desoras
    que se tornam presentes como na
    música acontece ou na melancolia
    daquela fita branca a atravessar

    as tardes sobre o rio, outra banda
    posta no meio, a dividir a corrente
    do tempo raso, desolado, agora
    a pele da noite ondula.

    Vasco de Graça Moura

    Lembrei-me do meu livro de fotografias de Gérard Castello-Lopes sobre textos de Vasco Graça Moura, apresentadas na Europália, em 1991. Obra que também reúne” onze poemas de circunstância e um labirinto sobre imagens de Gérard Castello-Lopes.”

    Este foi o poema para essa fotografia. Perfeito.

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  10. Anónimo23:35

    Cara Isabel Seixas
    Cumprimenta-a a nossa velha amiga pela escolha de 'O Andaime', de Pessoa, e sugere a publicação do poema na íntegra, de tão belo que é - se Sexa o permitir:

    O Andaime

    O tempo que eu hei sonhado
    Quantos anos foi de vida!
    Ah, quanto do meu passado
    Foi só a vida mentida
    De um futuro imaginado!

    Aqui à beira do rio
    Sossego sem ter razão.
    Este seu correr vazio
    Figura, anónimo e frio,
    A vida vivida em vão.

    A ‘sp’rança que pouco alcança!
    Que desejo vale o ensejo?
    E uma bola de criança
    Sobe mais que a minha ‘s’prança,
    Rola mais que o meu desejo.

    Ondas do rio, tão leves
    Que não sois ondas sequer,
    Horas, dias, anos, breves
    Passam — verduras ou neves
    Que o mesmo sol faz morrer.

    Gastei tudo que não tinha.
    Sou mais velho do que sou.
    A ilusão, que me mantinha,
    Só no palco era rainha:
    Despiu-se, e o reino acabou.

    Leve som das águas lentas,
    Gulosas da margem ida,
    Que lembranças sonolentas
    De esperanças nevoentas!
    Que sonhos o sonho e a vida!

    Que fiz de mim? Encontrei-me
    Quando estava já perdido.
    Impaciente deixei-me
    Como a um louco que teime
    No que lhe foi desmentido.

    Som morto das águas mansas
    Que correm por ter que ser,
    Leva não só lembranças,
    Mas as mortas esperanças —
    Mortas, porque hão de morrer.

    Sou já o morto futuro.
    Só um sonho me liga a mim —
    O sonho atrasado e obscuro
    Do que eu devera ser — muro
    Do meu deserto jardim.

    Ondas passadas, levai-me
    Para o olvido do mar!
    Ao que não serei legai-me,
    Que cerquei com um andaime
    A casa por fabricar.

    Fernando Pessoa, 29-8-1924 (?), in 'Presença' de junho de 1931

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"A Arte da Guerra"

No podcast "A Arte da Guerra" desta semana, aborda-se o Irão, a Arménia e a Hungria. Pode ver e ouvir aqui .