29 dezembro 2012

Saudades da Mônica

Um blogue, particularmente quando subsiste por anos, mobiliza a atenção de comentadores, os quais vão deixando as suas notas, de assentimento, de crítica ou apenas de análise. Com o passar dos tempos, parte desses comentadores tende a desaparecer, migra para outras paragens, outros permanecem fiéis e alguns novos vão surgindo, muitas vezes anónimos, frequentemente com um nome, verdadeiro ou falso, colocado por debaixo dos seus textos. É assim, um pouco por todo o lado, a vida na blogosfera.

A "graça" de um blogue aumenta - reconheço isso, com facilidade - quando o seu autor tem o cuidado de responder com regularidade aos seus comentadores. Comigo, por razões que se prendem com a ocupação do meu tempo, mas também por uma deliberada opção pessoal em não me sujeitar a uma qualquer regra, só esporadicamente reajo aos comentários. E posso perceber que isso seja menos estimulante para o cultivo de um espaço crítico vivo e interativo.

Às vezes penso que, se tivesse tempo, me daria prazer elencar historicamente muitos dos comentadores que se foram perdendo, alguns bem interessantes, até como forma de tentar perceber melhor as razões por que saíram do nosso convívio. Um blogue só tem sentido se tiver leitores - e, nesse aspeto, o "Duas ou três coisas" não pode queixar-se, como se pode observar pela consulta do "sitemeter" ao lado. Mas os comentadores são um outro "barómetro", menos estatístico e mais substantivo, que se torna importante para quem escreve.

De todos os comentadores desaparecidos, há uma senhora brasileira, que assinava como Mônica, cujo abandono sinto particularmente. A Mônica trazia para este blogue uma leitura, frequentemente ingénua e de grande simplicidade, mas sempre de uma grande e rara genuinidade. Às vezes, expressava a sua dificuldade em entender algumas peças voltadas para universos que manifestamente não eram os seus, mas assumia isso com uma cativante candura, acabando, quase sempre, com a expressão "com carinho, Mônica". Eu, que raramente tenho saudades, confesso aqui, neste final de ano, que sinto alguma nostalgia pelo facto da Mônica ter abandonado estas "Duas ou três coisas". 

Um bom ano de 2013 para si, Mônica! No Brasil, deve ser mais fácil...