Morreu Paulo Rocha. Foi por aqui, por Paris, que estudou cinema e trabalhou com Jean Renoir.
Em 1963, Paulo Rocha realizou um filme que alterou o modo como muitos, de uma certa geração portuguesa, passaram a olhar a vida. Como foi o meu caso. Chamava-se "Verdes Anos". O som de Carlos Paredes colou-se eternamente a essas imagens, as de um Portugal a-preto-e-branco, urbanizado de fresco em avenidas que então eram novas, um país bem diferente que estava a nascer e que, cerca de uma década depois, implodiria para o futuro. Revejam essa obra-prima e digam-me se não tenho razão. E, já agora e se puderem, olhem também o seu "Mudar de Vida", anos mais tarde.
Paulo Rocha apaixonou-se depois pelo Japão, onde foi adido cultural e onde se inspirou para um filme de diferente natureza, "A Ilha dos Amores". Vim a conhecê-lo pessoalmente, creio que nos anos 80, num lugar improvável de que passou a ser proprietário, um bar, ali na zona do Saldanha.
Nota: entre a fotografia do post anterior, de Gérard Castello-Lopes, e as imagens de Paulo Rocha há uma similitude que vai muito para além da cor.
