Guimarães 2012 - capital europeia da Cultura acabou. E correu muito bem, diria mesmo muito melhor do que alguns esperavam e talvez bastante bem melhor do que outros desejavam.
Ao longo de mais de um ano, como membro do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, tive oportunidade de acompanhar a seriedade com que a equipa chefiada por João Serra levou a cabo a preparação e execução deste trabalho. As condições estiveram longe de ser as ideais, com recuos nos financiamentos públicos que obrigaram a uma ginástica de difícil montagem, "a meio do jogo".
O mais interessante em todo este processo foi ter tido o ensejo de observar o modo como a cidade de Guimarães se foi "apoderando" do exercício, usando-o com crescente gosto, dele partindo para o usufruto de uma nova maneira de se olhar como centralidade cultural. Guimarães, com esta experiência, reforçou o seu lugar nos roteiros nacionais e europeus, juntando um tom de contemporaneidade à imagem histórica tradicional, para além de ficar dotada de novas e valiosas infraestruturas e renovação urbana, de que o Toural é um excelente exemplo.
Uma palavra final é devida a António Magalhães, presidente da municipalidade de Guimarães, que teve a coragem, no momento certo, de assumir com frontalidade as ruturas que era preciso fazer. A sua aliança operativa com João Serra foi a chave deste sucesso, ao qual não é alheio Jorge Sampaio, na orientação firme do Conselho Geral da Fundação, como tive o ensejo de testemunhar.
Em Portugal, o que corre mal é quase sempre selecionado como notícia. Com Guimarães 2012, e por uma vez, o jornalismo adversativo está apreensivo. A experiência mostra que não descansará enquanto não inventar alguma coisa, quanto mais não seja ressuscitando, oportunamente, alguns fantasmas. É só aguardar...
