sábado, outubro 16, 2010

Artur Santos Silva

Há dias, numa conversa em Paris, uma amiga com fortes ligações ao nosso país disse-me, de forma apreciativa, que este blogue a tem ajudado a conhecer melhor Portugal e, mesmo, a "descobrir"  alguns portugueses. Fiquei satisfeito, porque esse é também um dos objetivos do que por aqui vou deixando.

Hoje, ao abrir o "Público", num avião da TAP, deparei com uma longa entrevista de Artur Santos Silva, presidente do BPI e da comissão para as comemorações do centenário da República. E lembrei-me que este é um nome que as pessoas ganhariam  muito em conhecer melhor. Para quem possa fazê-lo, recomendo a leitura daquele texto. As respostas são um manancial de bom-senso e de sentido cívico, sem deixarem, simultaneamente, de refletir um espírito lúcido e crítico. Dei por mim a pensar que Portugal se permite, com grande frequência, não utilizar, em funções determinantes para a condução ou orientação do país, algumas figuras cuja estatura seriam uma mais-valia para o serviço público. 

Artur Santos Silva passou apenas brevemente pela política, optou pelo usufruto da independência, prestigiou-se profissionalmente e criou uma instituição bancária de referência. Ao longo dos anos que levo da observação da vida do país, ele continua a ser uma das vozes que mais me têm marcado pela sua retidão e exemplaridade, pelas úteis lições de vida que nos transmite.

Oriundo de uma família liberal do Porto, é um homem formado num tempo e num ambiente em que a cultura e o respeito atravessavam a formação da juventude. Dessa rica vivência soube decantar uma forma de estar na vida da qual emana uma imensa serenidade. O meu pai, que daqui a dias teria a idade da nossa República, educou-me a respeitar figuras que qualificava como "pessoas de bem". Artur Santos Silva é uma delas.

Escrevo este post com muito à-vontade. Não sou íntimo de Artur Santos Silva. Vivemos em mundos diferentes, não temos laços políticos ou profissionais, conheço-o apenas por contactos esporádicos, embora feitos de cordialidade e, estou certo, de mútua estima. Devo confessar, porém, que criei uma sincera admiração por esta figura ética que - e aqui regresso ao início deste texto - o nosso país não terá aproveitado como devia. 

Digo-o a propósito da entrevista que hoje li e, claro, de muitas outras coisas que os tempos correntes me suscitam. Mas por aqui me fico.

15 comentários:

  1. Meu caro Senhor Embaixador,
    Uma vez mais o seu post é exemplar. Artur Santos Silva esteve na administração do Banco de Portugal onde, com gosto, para ele trabalhei.
    E ambos eramos muito amigos de Francisco Veloso que, infelizmente, já não está entre nós.
    Aprendi, então, a apreciar as suas qualidades. Algumas bem herdadas de seu Pai.
    Estas pessoas não estão no jogo político por razões éticas que, para mim, depois de tudo o que já vivi - e foi muito -, são facilmente compreensíveis.

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  2. Anónimo17:29

    Trajectórias que são, creio, um exemplo.
    C.Falcão

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  3. Anónimo17:37

    Estou completamente de acordo com as palavras de Helena Sacadura Cabral, assino por baixo.M.C.R.

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  4. Anónimo18:17

    Toda a saudade é memória
    Há memória sem saudade
    Ambas olhar nossa a história
    Erigem ganhos perdas Liberdade

    Vivem de alegres a tristes
    Com e sem ténue intensa mágoa
    Indo vindo dedos em ristes
    Diluem-se como lágrimas em água

    Toda a saudade que é e é Pessoa
    É memória com travo de saudade
    Ambas luz de presença que afeiçoa

    Captura da liberta e doce verdade
    E a saudade essa Pessoa de memória
    Embala uma esperança de alma sóbria

    Isabel Seixas

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  5. Aqui está mais um tema que me interessa. Aliás neste Blog são como as cerejas.
    Há uns meses escrevi um texto, sob o título "O QUINTO PODER". E andei à procura de gente séria e capaz para ocupar esse imaginado Órgão, que seria uma outra ideia de COnselho de Estado.
    Vieram-me nomes como os de JOÃO CRAVINHO, Teresa Morgado, e outros...
    Foi muito difícil encontrar meia dúzia de nomes indiscutíveis ( na minha óptica, note-se).
    Talvez ARTUR SANTOS SILVA pudesse... Sei lá... fazer parte desse QUINTO PODER... ( Não estou a brincar, o QUINTO PODER faz mesmo falta ao País).

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  6. Caríssimo Senhor Embaixador Francisco Seixas da Costa,

    Realmente conheço pouco de Sua Excelência o Dr. Artur Santos Silva e, por isso, fiquei espantado vê-lo à frente da Comissão para as Comemorações do Centenário da República. Irei procurar estar mais atento ao percurso de Artur Santos Silva de quem já tinha ouvi falar algumas vezes, sem o conhecer bem. Fico grato por este alerta que nos deixa.

    Concordo que Portugal não se serve, como nos diz com muita pertinência, de figuras que poderiam ser úteis para o Serviço Público.

    Se o Senhor Embaixador me permite a ousadia deixo a seguinte interrogação: até que ponto a falta de pessoas de indiscutível valor, que servem o sector privado, não decorre da mentalidade mercenária a que muitos gestores, deste mundo Globalizado, andam agarrados ?

    Por outras palavras, há quanto a mim uma escassa cultura de Serviço Público nos últimos anos da Democracia Portuguesa, o que não acontecia nem no Estado Novo, nem nos anos após a Revolução do 25 de Abril de 74 em que as convicções eram o móbil dos agentes públicos. Peço desculpa pela franqueza mas parece-me que este é fulcro da questão e do crescente afastamento entre os cidadãos e os políticos, o que se verifica em Portugal como na Europa em resultado do desacreditado sistema do Capitalismo desregrado como hoje dizia numa tertúlia coimbrã o Professor Amadeu Carvalho Homem.

    Ou será que estou a ver mal o problema ?

    Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
    www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

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  7. Caríssimo Senhor Embaixador Francisco Seixas da Costa,

    Aliás, na sequência do que atrás disse, sempre me fez muita impressão a ligeireza com que os agentes privados costumam ajuizar os funcionários públicos, assim como, o inverso, também me parece um vício de uma indesejada dicotomia social, isto é, a diabolização que os agentes públicos fazem do sector privado.

    Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
    www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

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  8. A politica partidária em portugal desvirtuou-se tanto que deixou de ser uma missão para ser apenas um emprego, uma forma de vida, para quem lá anda. Muitos dos politicos, desde ministros a deputados nacionais e europeus e pr camara não fizeram nunca outra coisa, nem sabem ou querem fazer. A politica é uma forma de emprego e nada mais. Estadistas, na verdade (como adenauer, churchill, mitterrand, de gaulle, pertini, h schmidt, willy brandt, tatcher, m soares) não existem já por cá. Assim, um ASS ou vários outros nem querem pensar na possibilidade de se misturar com os grupos politicos. Talvez a unica pessoa que hoje exerce um cargo politico em portugal e tenha ainda um pouco de estadista, goste se ou não, vote se ou não dele, é cavaco silva, podendo se acrescentar manuel alegre que tenta dificilmente a sua ultima cartada.
    Acrescentaria ainda alberto j jardim, goste se ou não dele, mas apenas a nivel regional.

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  9. Anónimo12:58

    Subscrevo o que aqui se diz, quer no Post, quer por HSC.
    P.Rufino

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  10. O pai do Dr.Artur Santos Silva, acossado pela PIDE, encontrou refúgio junto da família Sequeira de Medrões, junto a Sta.Marta de Penaguião. A acreditar no que diz a minha mãe, senhora octogenária, foram todos presos.

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  11. Anónimo17:59

    Preocupa-me, que no cenário de hoje, não seja fácil identificarem-se muitas mais pessoas como o Artur Santos Silva. Preocupa-me mais ainda o desprezo com que, a maioria das pessoas que ocupam cargos políticos, observam o percurso de pessoas que poderiam ser uma mais valia, principalmente para os dias de hoje.
    Preocupa-me a "qualidade" da classe política onde apenas ficam aqueles que se "agarraram" às jotas nos comícios, campanhas e a colar cartazes. A "gente de bem", os mais qualificados, os mais preparados, hoje, não querem rigorosamente nada com a política em Portugal.

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  12. E eu venho aqui porque gosto de ler suas coisas que pra mim são bem estranhas porque não conheço ninguem de Portugal. Mas meu primeiro descendente era um comerciante portugues chamado Manuel Ferreira Carneiro apelido de Jangada.
    E gosto de ler alto porque parece que estou escutando o seu som.
    Já lhe tenho por amigo. Mesmo não entendendo bulufas do que diz sobre politica.
    com carinho Monica

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  13. Anónimo22:54

    Caríssimo Amigo

    Acabado de chegar da Turquia (onde a confusão política é capaz de ser um pouquinho pior do que a nossa, a financeira não tanto e a economia ver-se-á) venho encontrar mais um texto exemplar.

    Falei umas três ou quatro vezes com Artur Santos Silva, sobretudo por motivos profissionais, um jornalista tem destas coisas. Não privo com ele, nem sou seu amigo. Apenas, falei - e gostei.

    Quanto à política nacional - passo.

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  14. É efectivamente muito estimado no BPI (banco de investimento) e no Banco BPI (banco de retalho).
    Um senhor.

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  15. Anónimo12:50

    Ao contrário do que pelo menos comentário deixa transparecer, não creio que Artur Santos Silva tenha qualquer aversão à política, aos políticos ou aos partidos. Antes pelo contrário, a sua atitude é de permanente intervinção cívica e teve, desde 1974, uma ligação muito forte ao então PPD, além das suas actividades noutros domínios, como as campanhas eleitorais para a Presidência da República.

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