segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Um governo

Finalmente, o presidente terá decidido o que óbvio em qualquer democracia normal. Não tendo o líder do partido mais votado nas últimas eleições conseguido um apoio parlamentar para o programa que apresentou, o chefe do Estado chamou para tentar formar governo o líder do segundo partido com mais deputados. Se eu contar isto a alguém do Benelux, encolherá os ombros pela banalidade da notícia. Por cá, tudo isto pode suscitar em muitos raiva e espanto.

O sistema político português, no seu modelo nem-carne-nem-peixe, criou esta peculiaridade de dar ao presidente da República um papel para além do mero automatismo decisório, que seria típico num regime parlamentar puro. Olhando para o passado, o sistema até tem as suas virtualidades, mas depende muito da autoridade e do bom senso de quem titula a função presidencial. Por essa razão, adapta-se manifestamente mal a uma figura desgastada pelo seu penoso percurso, auto-centrado na desesperada tentativa de burilar o seu pé-de-página na crónica do reino. É a vida!

14 comentários:

Ivete Ferreira disse...

O Senhor é tendencioso e parcial. Não fica bem a uma pessoa que se tem por culta e respeitadora.

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Ivone Ferreira. É o que eu penso. Provavelmente, não pensa como eu. Sente-se tenndenciosa e parcial?

Maria Eu disse...

Agora tem "exigências". Como se pudesse haver um compromisso para além daquele que já existe!
Para além disso, não vi quaisquer exigências aquando do empossamento do actual governo.

António Azevedo disse...

Sem ser tão “incisivo” como Ivete Ferreira diria que o Sr. Embaixador tem uma “tendência” e “parcialidade” claramente “percetíveis”. Quando nos cai bem, têm bom senso!... Haja senso!...
Afinal todos os presidentes tiveram muito que se lhes diga! Oh se tiveram!
Por isso sou claramente pelo sistema presidencialista para não andarem invariavelmente a fingir que são os presidentes de todos e todos nós a pagar!
antónio pa

OdeonMusico disse...

Senhor Embaixador, há de perguntar no Benelux se antes da indigitação para 1º ministro, também é solicitado ao futuro chefe de governo que clarifique formalmente uma série de questões (com assinatura reconhecida por notário?).
Cumprimentos

o Jaime S.

David Lencastre disse...

Subscrevo este seu Post. Não vejo nele rigorasamente nada de tendencioso! Tendencioso é, sim, o lamentável PR que, ainda, vamos tendo. Esta nova artimanha para pressionar e tentar desgastar António Costa e o seu projecto de governo à Esquerda é absolutamente lamentável. De alguém desesperado que se recusa a aceitar uma outra alternativa, no quadro parlamentar e até no quadro do nosso universo político. Chega a ser penoso, confrangedor e mesmo patético. Sinceramente, custa-me dize-lo, mas tenho vergonha do PR que temos hoje. Depois desta nova encenação, a desta manhã, pergunto-me que mais irá Cavaco fazer para manter viva, embora já inconsciente, esta maioria/minoria? Vivemos tempos perigosos para a Democracia.
David Lencastre

António Henriques disse...

A mim, é broa com marmelada!... É tiro e queda! Dá-me cá uma azia!

Bmonteiro disse...

Sistema Híbrido Semi qq coisa.
Observador antigo destas coisas, registei:
a)O peso ou força do sistema Semi Presidencial com o Sr General Eanes.
A composição e qualidade da sua casa civil, em conformidade com o estatuto do então PR.
b)Uma Casa Civil (e Militar), que pese a forte redução dos poderes presidenciais pós Gen Eanes, em tudo se manteve. Para quê?
c)Para quê, no Palácio, uma Casa Civil replicando um governo sombra, uma Casa Militar replicando um pequeno estado-maior?
Estudar a Situação, vigiar o Governo?
Onde, nos países do hemisfério Norte?
Ou dar empregos a apoiantes de campanhas eleitorais e de sócios das tribos partidárias que os apoiaram?
Sistema Semi, a 'justificar' uma velha pecha lusitana: algum gosto pela majestade monárquica.
A bem do Regime.

Luís Lavoura disse...

o chefe do Estado chamou para tentar formar governo o líder do segundo partido com mais deputados

Não o fez. Chamou-o para lhe impôr condições caso queira ser chamado a formar governo. E eu acho que, se o Francisco contar isso a alguém do Benelux, esse alguém ficará muito espantado. Então impõe condições, e se essas condições não forem satisfeitas, o que fará?

Fátima Diogo disse...

Bem, embaixador, já o vi muito aborrecido por pormenores políticos muito mais insignificantes, esta sua displicência parece-me deslocada, neste caso - se é verdade que esta situação política é normal na UE de democracias mais maduras, não é nada normal a demora prolongada de todo este processo. Também não é normal que um PR interrogue montes de gente escolhida, quase sempre da sua cor política, tentando sobrepor a opinião de banqueiros e economistas ( seja isso o que for) ao querer dos deputados da República.
E ainda é menos normal e completamente pateta exigir a um futuro PM português a certeza "da estabilidade do sistema financeiro português" , numa UE e num mundo globalizado, que nem sabe para onde caminha amanhã : exigir isso a Merkel ou Obama, já era uma anedota, assim é apenas uma farsa idiota que de normal não tem nada. Hoje não acho bem a sua
complacência com este espetáculo degradante, maior complacência do que a que teve com certas camisas de extrema esquerda...

septuagenário disse...

COSTA TEM QUE EXPLICAR A QUADRATURA DO CIRCULO PARA TUDO NÃO VIRAR UM CIRCO

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Tenham calma. Não se costuma viver mal durante os governos PS. Só depois.

aamgvieira disse...

Santos Silva no MNE,um democrata de cabeça tronco e membros, pronto a ir a todo o lado explicar aos outros povos a singularidade deste jardim à beira mar plantado.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro José Tomaz Mello Breyner. Independentemente de não concordar minimamente com ele, quero dizer-lhe que o seu comentário é, seguramente, um dos melhores da "temporada". Um abraço