segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Transparência

O conceito de "transparência", que agora o WikiLeaks trouxe à moda, tem vindo a ser discutido, desde há décadas, no âmbito das instituições europeias. A partir de certo momento, alguns governos, saudavelmente pressionados pela opinião pública, foram induzidos a tornar mais escrutináveis as decisões que, em nome do seu país, tomavam no âmbito das reuniões comunitárias. Essa pressão vinha dos seus parlamentos e da própria opinião pública, com a comunicação social a tornar-se crescentemente inquisitiva neste âmbito. Com o tempo, as instituições abriram-se bastante a esse escrutínio, mas muitos observadores consideram que esse esforço é hoje contrariado por muitas jogadas de bastidores, onde o essencial se decide.

Na segunda metade dos anos 80, quando Portugal entrou para as instituições europeias, o tema da "transparência" era quase desconhecido. Um dia, durante um conselho de ministros comunitário, um governante de um Estado onde essa temática já fazia o seu caminho, anunciou, logo no início da sessão, que pretendia abordar o assunto com os colegas, pelo que solicitava à presidência de turno para o inscrever no ponto "outros assuntos" - que recolhe, no final da agenda oficial, temas diversos, que não serão objeto de votação.

Nesse instante, um colaborador do ministro saltou da fila traseira e disse-lhe algo ao ouvido. O governante suspendeu a intervenção e olhou, em volta, para a sala. Porventura, terá então ponderado que a sensibilidade deste novo tema, de grande interesse para toda a imprensa, poderia ser relativamente incompatível a sua abordagem num auditório onde cada uma das 12 delegações tinha, pelo menos, seis membros, a que havia que somar o pessoal da Comissão europeia e do secretariado-geral do Conselho de ministros. E logo anunciou:

- Pensando melhor: vou abordar o tema ao almoço.

Por toda a sala, ouviram-se gargalhadas. É que, no tradicional almoço, participam apenas os ministros, um comissário e dois ou três colaboradores. Afinal, tão "preocupado" estava o governante com a "transparência" que, desde logo, evitava que a sessão plenária tomasse conhecimento do que sobre ela ia dizer... 

2 comentários:

Anónimo disse...

Bem a transparência é algo que do ponto de vista feminino vestimos para adensar o enigma desvendando contornos...

Explicitamente velada a intenção de pseudomostrar para seduzir mas ao mesmo tempo nada dar... A não ser o visivel...

Temo que tenha dificuldade de entender a transparência na sua amplitude...
Simplesmente, não é Mulher...
Ainda bem chega de concorrência.
Isabel Seixas

patricio branco disse...

transparencia e liberdade de informação são 2 conceitos diferentes que ppodem coexistir, sem um invadir o outro. Como 2 circulos excentricos mas que se cruzam parcialmente.
Outra coisa é mentir, enganar, não dizer a verdade, substitui-la pelo engano.