sábado, 1 de janeiro de 2011

Paulo Lowndes Marques (1941-2011)

Tenho para ler, na estante virtual das obras em atraso, "O Marquês de Soveral - seu tempo e seu modo", a biografia do mais conhecido diplomata português na corte britânica, escrita por Paulo Lowndes Marques. Há dias, quando aqui falei brevemente das relações luso-britânicas, lamentei não ter o livro à mão. E não sei se o Paulo estaria 100% de acordo com o que publiquei, ele que era, sem a menor dúvida, uma das pessoas, em Portugal, mais conhecedoras do tema. E isso não me era indiferente.

Paulo Marques morreu hoje. Filho de uma cidadã britânica que refletiu, por escrito e de forma original, sobre a atitude dos seus concidadãos para com Portugal, Paulo Marques dedicou-se bastante à dimensão histórico-cultural desse relacionamento. Advogado de prestígio, foi um constante pilar para a manutenção da boa ligação entre os dois países. 

Conheci Paulo Marques quando ele foi secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, por um breve período. Anos mais tarde, quando fui para Londres, fui seu inquilino, arrendando um apartamento que aí possuía. Um dia, por uma razão que não vem ao caso, foi preciso mudar o contrato. Achei então que tinha de lhe dar algumas garantias acrescidas, pelo que lhe enviei um texto muito elaborado, com detalhes de alteração preciosistas. Paulo Marques telefonou-me e deu-me esta lição: "Por favor, Francisco, basta-me a sua palavra!".

Era assim, Paulo Marques, que deixará de mandar aos seus amigos, pelo Natal, a regular publicação com que celebrava a sua alegria de viver com os outros.

7 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Não soube. Sei agora. Fomos colegas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ficámos amigos para o resto da vida. Militámos politicamente em polos opostos, mas continuámos amigos. E vamos continuar a ser. Sempre.

Helena Sacadura Cabral disse...

Mas que má notícia acabo de ter. Sem novas do país, abri hoje o PC e zás, mais um amigo que se vai.
Obrigada por nos lembrar quem ele era. Passei serões musicais gostosos com ele e família e gostava muito da Ana Vicente, sua irmã.
Que pena!

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Também tive a honra de conhecer Paulo Lowndes Marques pessoalmente: em Dezembro de 2009 acedeu, amavelmente, a fazer a apresentação em Lisboa, na sede da Câmara de Comércio Luso-Britânica, de «Poemas» de Alfred Tennyson, que eu traduzi para português. Um homem notável. O ano de 2011 começa mal, depois de 2010 ter acabado mal... com a morte de Carlos Pinto Coelho, outro homem notável, e que também apresentara, em 2006, outro livro meu, «Os Novos Descobrimentos». E João Aguiar, que comigo colaborou em «A República Nunca Existiu»...

Há despedidas que, de facto, custam muito...

Sequeira disse...

Conheci o Dr. Paulo Marques noutra faceta: a de Fuzileiro Naval em Angola de 1966 a 1969. Convivi mais de perto com ele, na Pedra do Feitiço. Era um Cavalheiro! Erá sócio (como eu) da Associação de Fuzileiros.

patricio branco disse...

Caro OdS, já agora digo que tenho o seu livro com as traduções dos poemas de tennyson e aproveito para o cumprimentar. Curioso ter sido lançado por PLM. Por 2 ou 3 vezes folheei em livrarias a biografia dele do ultimo embaixador da nossa monarquia junto da corte inglesa.
Faço votos para que continue a escrever (o que inclue traduzir) neste 2011.

Anónimo disse...

Dr. Paulo Marques era tão simpatico, qiuando sobe que bom que ele era nao queria imaginar notra coisa. Eu nao parava de chorar.... no funeral não queriam que crianças vissem. que pena que eu tenho.... É O QUE EU ESTOU A FAZER E É O QUE DIVIAM TAMBEM ESTAR A FAZER QUE É SEGUIR O SEU EXEMPLO COMO PESSOA.

Frederico Lowndes Marques disse...

O Melhor Avo de sempre