segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Piris

Sempre considerei Jean-Claude Piris um verdadeiro génio da arquitetura jurídica europeia. Desde há décadas que a feitura dos tratados passou muito por ele, como jurista-chefe do Conselho de ministros comunitário. Inventivo, conhecedor ao pormenor do tecido legislativo da União, Piris soube sempre descobrir soluções para ultrapassar dificuldades que pareciam insuperáveis. Todas as presidências da União lhe devem ajudas fundamentais, a que não escaparam as que foram tituladas por Portugal.

Contrariamente a outras figuras do espaço burocrático da União, que afivelam carões para sublinharem a sua suposta importância, testando os limites possíveis da sua arrogância junto dos interlocutores, Jean-Claude Piris é um homem de sorriso franco, com uma grande cordialidade, com que apetece estabelecer relações de confiança e amizade. Como as que com ele tenho, desde que o conheci.

No passado sábado, aqui em Paris, e a pretexto da passagem à reforma de Jean-Claude Piris, que parte agora para os EUA, para escrever e dar aulas na New York University, um grupo dos seus amigos diplomatas aqui residentes reuniu-se com ele num agradável jantar, onde trocámos historietas e revisitámos gentes e acontecimentos que nos foram comuns.

Mas, para mim, um ponto importante desse jantar foi ter recolhido de Piris uma surpreendente e  elaborada avaliação de otimismo sobre o futuro do projeto europeu. Vindo de quem vem, esta opinião é muito importante e, devo confessar, "recarregou-me as baterias" do entusiasmo no processo integrador.

9 comentários:

César Ramos disse...

Sr. Embaixador,

Esta, é a minha modesta opinião: será com gente assim, que o mundo vingará!... pessoas com espírito de liderança, bem dispostas e positivas.

Os enfatuados, pedantes e profetas da desgraça, de facto, só nos descarregam as energias (...)

Cumpts.
César

Helena Oneto disse...

Senhor Embaixador,
Não quer partilhar connosco um pouco do optimismo do risonho Mr. Piris?
Eu, como a maioria dos seus leitores ficamos-lhe, desde já, gratos:).

Anónimo disse...

Sr. Embaixador;

Há razões fortes para andarmos todos, assim a modos que, meio eurocépticos!...
Estava eu, no entanto, longe de suspeitar que as suas baterias europeistas estivessem também a carecer de recarga nesta altura!...

Abraço.
João Queiroga

Guilherme Sanches disse...

O mal das pessoas otimistas e bem humoradas é que nem sempre somos levados a sério.
"Pensei que estava a brincar", dizem frequentemente.
Com todo o respeito, como é que alguém que se chame Piris pode não ser bem disposto?
Um abraço

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Não é que fique contente com alguma - mínima que seja -, descarga das suas baterias.
Mas, como o mês de Dezembro liquida sempre as energias que tento acumular durante o ano - e garanto-lhe que me esforço por isso -, ver um homem como Piris "acreditar" no milagre dos pães europeus, deu-me algum alento.
Claro que ele se afasta da Europa e vai para os USA. Esperemos, todavia, que a sua estadia lá confirme o otimismo demonstrado...

ZéBonéOaparvalhado disse...

Senhor Embaixador, meu bom amigo e Portugues dos 7 costados,não fosse o senhor Embaixador, natural de Brangança - mas, o que me traz, é acerca do comentario, como sempre usando a lapiana, de Sua Excelência, o Presidente da Republica Portuguesa,Professor Dr. Cavaco Silva, quando diz. -

"os Embaixadores possuem uma imaginação sem limites"

O Meu Bom Amigo - tem realmente esse dom lepiano?.

Eu gostaria de ter.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Zé Boné
Apesar de não ser de Bragança, mas de Vila Real, espero poder ter uma imaginação à altura das mais altas expectativas. Mas, principalmente, conseguir ler a realidade sem que a imaginação interfira.

ZéBonéOaparvalhado disse...

Meu Caro e Senhor Embaixador.

Da minha parte, houve lapso regional - peço as minhas humildes desculpas.


Quanto á imaginação, é que se queira - com os pés bem assentes no soalho e com a cabeça agarrada ao tronco

Não é, seguramente, a tal imaginação que Sua Exc preconiza.

Ainda bem, digo eu.

Assunção Henriques disse...

M.I. Embaixador,

Um pequeno desabafo de um leitor e admirador atento: fico preocupado por saber que deixou que um jurista-chefe do Conselho lhe "carregasse as baterias" da sua fé no devir da integração europeia. É que eu tive em tempos, por dever de ofício, alguns contactos com juristas dessa instituição e pareceu-me que a sua energia passava em corrente alterna e não contínua, como deve ser a de uma bateria. De facto, como bons juristas, a sua imaginação para produzir pareceres conforme as necessidades da presidência em exercício de um grande estado membro era invejável...