quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O nosso jornalismo

Há dias em que não há pachorra, desculpem lá.

Portugal sobe de 35º para 32º país em matéria de transparência em corrupção. O título? "Portugal em 32ª posição entre 178 países".

No mesmo jornal, no mesmo dia, a notícia de que Portugal baixou de 25º para 26º no índice de prosperidade. O título? "Portugal desce para o 26º lugar no índice de prosperidade".

Como se chama a isto, em termos de decência deontológica? São jornalistas quem escreve este género de textos? O SNI era mais sofisticado...

13 comentários:

Anónimo disse...

Passe a publicidade, mas se reparar o "Público" e a "Visão" online referem explicitamente que Portugal subiu no índice anti-corrupção.

António Mascarenhas

ARPires disse...

Era bom colocar o nome do dito jornal, pois podemos estar a pensar que é um pombo Correio e afinal é um café Espesso de venda ao Público.
Qualquer pessoa minimamente informada é capaz de distinguir estes subterfúgios, o perigo vem dos que não conseguem separar as águas.

jj.amarante disse...

Existe um blogue que, face a este panorama deprimente dos nossos meios de comunicação social, se dedica a relatar as boas notícias ou os aspectos positivos que delas decorrem. Está aqui: http://fadopositivo.blogs.sapo.pt/

LP disse...

Um aluno de 18 valores que desce para 17: nada de grave, um tema que não dominava bem ou um período de menos predisposição.

Um aluno de 10 valores que desce para 9: é preocupante, não há perspectivas de progresso, vai chumbar.

Anónimo disse...

Quem tem que os desculpar somos nós,tipo perdoem-lhes que não sabem o que dizem e o que fazem?!
Isabel Seixas

patricio branco disse...

mas se até josé socrates entra no esquema, quando lhe convem!
Em março, para ele, estava sempre a dizê-lo, portugal foi o país da europa que mais tinha crescido - acho 0,2% já não me lembro - sinal que estávamos no caminho certo para sair da crise.
Há poucos dias eramos o antepenultimo país em crescimento só estavam pior a venezuela e outro qualquer, isso disseram os jornais, nao sócrates.

cunha ribeiro disse...

Sim, sr Embaixador, é verdade e subscrevo a sua indignação. Mas qual jornal é NEUTRO e IMPARCIAL no nosso rectângulo?
O DN, por exemplo, e o JN, não serão "mensageiros deste regime"?

Julia Macias-Valet disse...

E a qualidade e o interesse dos artigos eram proporcionais à qualidade dos titulos, presumo !?
Coitado do jornalista que se dedica a esse "métier" para analisar rankings ! Deve ser uma coisa chatérrima...assim do estilo : Um copo de agua a meio...esta meio cheio ? ou meio vazio ?

O artigo era feito por um jornalista ou por um "esperto" em estatistica ; ) ?

Eduardo disse...

Senhor Embaixador: uma vez mais o meu aplauso.O espaço da denominada comunicção social no nosso país está,progressivamente, a ficar insuportavel.E, infelizmente,os orgãos de natureza pública, que deveriam dar exemplo de isenção e pluralismo,surgem claramente dominados por aquilo a que V.Exs já designou como sendo o "jornalismo adversativo" e o "medinacarreirismo".Já tenho enviado-talvez um pouco "quixotescamente"ou apenas num exercecio de cidadania-variados protestos para aqueles orgãos manifestando indignação.
Mas, perdoe-se-me a imodéstia, penso que se estão a atingir limites merecedores de um vasto e alargado protesto contra tal estado de coisas.

Helena Oneto disse...

No malvado tempo do SNI, os jornalistas e os chefes de redacção de direita ou de esquerda tinham outra concepção da decência.

Paradoxalmente, em tempo de rigor económico, abundam tablóides a venderem escândalos, crises e estatísticas a metro -ou ao(s)kilo(s)- e outros "faits divers" a um publico crente e apático.
A pior crise que o país esta a atravessar é de ordem moral.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Concordo, infelizmente, concordo. Mas, tenho de aqui exarar que não se trata, no meu caso, de... um caso de auto-flagelação. Há casos e casos.

Neste caso, tenho de dizer que me caso com a maioria dos comentários.

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Patrício Branco
Até me ri com o seu comentário dos 0,2%...
Tanto como me ri com o rapaz da Venezuela que veio cá dizer-nos que o Eng. Socrates é - ia dizer era - um bom homem. Portugal está cheio deles. E de boas mulheres, também.:))

relogio.de.corda disse...

O acto jornalístico tem de acompanhar a restante decadência da sociedade do faz-de-conta, onde mais vale parecer do que ser. Se há jornalismo credível?! Haver, há, mas pouco.