Apenas umas notas breves, na véspera de se conhecer a composição da nova Comissão Europeia:
- Como esperado, os "grandes" países obtêm pastas influentes, salvo aqueles que já tenham sido prendados com outros lugares. Nada de novo.
- Não obstante o comportamento de Cameron na escolha de Juncker, e a confirmar-se a obtenção da pasta da Energia pelo comissário britânico, fica patente a força do Reino Unido.
- Moscovici deve conseguir a importante pasta da Economia para um nome francês. Ele próprio revelou, numa entrevista, que o assunto mereceu uma séria objeção de Berlim, que foi ultrapassada. Afinal, Berlim pode "vetar". Há uns mais iguais...
- O "truque" finlandês de trocar o seu último comissário pelo primeiro-ministro, a poucos meses do fim da Comissão Barroso, que já aqui tinha sido exposto, vai compensar. Outra exigência de Berlim a que Juncker se verga. A ortodoxia na área financeira fica protegida.
- Finalmente, "last but not least", o "nosso" Carlos Moedas. A confirmar-se que lhe é atribuída a pasta do Emprego e dos Assuntos Sociais, o governo português está de parabéns: é um excelente "portfolio". Se isso acontecer - e devo dizer que continuo com algumas dúvidas de que esse lugar seja mesmo para ele, mas espero sinceramente estar enganado - a oposição não terá a menor razão para reclamar. A assim ser, Carlos Moedas, que é um homem inteligente e qualificado, terá o ensejo de lidar com uma pasta que tem a seu cargo a correção de erros que a política do governo a que pertenceu nos últimos três anos provocou.