15.9.14

Nós



É um livro já com cerca de quatro anos. Não chega a 200 páginas. Deve ser a obra que já ofereci mais vezes a amigos. Escreve-a Marcello Duarte Mathias, meu colega de profissão, uma das pessoas cuja escrita me dá mais prazer ler. Hoje, sei lá bem porquê, deixo aqui um dos aforismos deste magnífico volume.
 
"Somos, de facto, uma gente curiosa: oito séculos de História e não temos memória colectiva. Nem tradições tão-pouco, ou troçamos delas com o olho videirinho do espertalhão que não se deixa enganar.
É o acaso que nos governa, e não o lastro da memória e dos séculos. É o acaso que nos faz e desfaz como se fôssemos órfãos. Como se afinal, depois deste tempo todo, fôssemos órfãos de nós mesmos. (O acaso é aquilo que substitui a vontade nos homens sem vontade.) Daí o tom da improvisação, que tão bem nos define. Daí esta característica: nada é feito com intenção, nada obedece a um propósito, nada se inscreve numa perspectiva ou num pensamento. Em Portugal nunca nada é deliberado, nem sequer a ordinarice".

A polémica do dia

Pronto! Com a decisão australiana sobre o tenista sérvio está criado um folhetim com todos os ingredientes: vedetas, política, teorias da co...