quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ó Elvas, ó Elvas!

Em julho do ano passado, em São Petersburgo, Elvas e as suas fortalezas passaram a ser consideradas "património mundial" da UNESCO. Tenho alguma responsabilidade pessoal neste exercício, porquanto me coube convencer o Comité do Património Mundial da organização de que o processo de preparação do caso de Elvas estava suficientemente amadurecido para poder merecer a sua aprovação. Não era essa a visão das autoridades da UNESCO, mas conseguimos revertê-la.

Porque "já sei do que a casa gasta", alertei, de imediato, para a necessidade de serem colmatadas algumas deficiências evidentes na conclusão do processo de proteção, que nos tínhamos comprometido a ultrapassar. E chamei a atenção para o risco de que, se acaso tal não fosse feito, o mesmo Comité que aprovou a consagração daquele bem patrimonial poder vir a colocar Elvas como "património em risco".

Há dias, a imprensa trouxe a notícia de que o belo Forte da Graça foi saqueado. Vale a pena ler a notícia aqui. E é também instrutivo tomar nota da posição assumida pelas várias entidades envolvidas, cada uma "chutando" para a outra a responsabilidade pela situação criada. 

Resta lembrar que Portugal concorre este ano a um dos 21 lugares no Comité do Património Mundial, nomeadamente com base na experiência ganha em proteger os bens que a UNESCO consagrou no seu território...

14 comentários:

Angie disse...

Vi as fotos: até doí o coração

e por cúmulo pertence ao Ministério da Defesa

Luis Moreira disse...

Sim, a última vez que lá estive não vim regressei muito feliz...

Um Jeito Manso disse...

Afinal é um texto a sério.

Assim de repente parecia-me que era um 'Ó Relvas, ó Relvas' e esfreguei as mãos a ver qual a piada.

Mas, sendo a sério, só posso solidarizar-me com o apelo para que olhemos pelo nosso precioso património.

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai meu caro amigo...e isto num país que tem na história a vergonha do BPN!
Se a fortaleza de Elvas fosse um anexo bancário já estava salva.

Anónimo disse...

Não sei quem hei-de recriminar mais, se aqueles pobres coitados que crentes que praticam o bem destroem património da humanidade (Tombouctou, Bamiyan, etc), se aqueles que pela sua inércia permitem que isto aconteça.

Objectivamente as perdas não são comparáveis, é certo, mas subjectivamente os actos (ou sua ausência) são-no.

N371111

Anónimo disse...

Não é preciso ir tão longe. Que é que aconteceu aos vasos de pedra na zona do reservatório na Tapada das Necessidades? E a estação agronómica mais acima?

Anónimo disse...

Assim se desbarata o esforço, desenvolvido ao longo de anos, das equipas que têm por missão a promoção e defesa do património nos fora internacionais.
A preservação do património é hoje um dos pilares de sustentação das economias desenvolvidas e do chamado soft power. Quantos membros do governo e autarcas por esse país fora terão consciência disso?

off topic: sabe-se que estão em preparação a reactivação e novas concessões de minas. Alguém terá ideia do que isso vai implicar em destruição da paisagem natural do interior? Multiplique-se as áreas de concessão, de várias dezenas de km2 cada, para imaginar a extensão.

DL

Anónimo disse...


Meu caro DL

Há minas a céu aberto e minas a céu fechado .

Ainda que eu não acredite muito na abertura ou reactivação de muitas minas na Europa actual por tantas razões (fundamentalmente) económicas e ambientais que não saíamos daqui hoje, convém lembrar que a maior parte das minas , à superfície , são uma instalação industrial como qualquer outra .

RuiMG

P.S.- Não acredito que abram muitas minas mas lamento-o , sem criação de trabalho e de riqueza é que não se sai mesmo desta .

Anónimo disse...


Meu caro DL

Há minas a céu aberto e minas a céu fechado .

Ainda que eu não acredite muito na abertura ou reactivação de muitas minas na Europa actual por tantas razões (fundamentalmente) económicas e ambientais que não saíamos daqui hoje, convém lembrar que a maior parte das minas , à superfície , são uma instalação industrial como qualquer outra .

RuiMG

P.S.- Não acredito que abram muitas minas mas lamento-o , sem criação de trabalho e de riqueza é que não se sai mesmo desta .

Julia Macias-Valet disse...

E depois os outros que em Tombouctu destroem os mausoléus é que sao bárbaros...

E os que fazem isto o que sao ?

Isabel Seixas disse...

Gostei dos comentários,sempre do sentido de oportunidade de HSC.
Subscrevo-o Sr. Embaixador e estou em crer, que esse sentido de respeito/orgulho pelo nosso património e da humanidade, tem que ser transmitido "in útero" com continuidade em toda a fase do ciclo vital e reforçado desde a pré-primária até à faculdade nos direitos e deveres cívicos.

Catinga disse...

Ó Júlia, ao menos os bárbaros de cá não a destruiam a si...

Catinga disse...

Locais destes deviam ser transformados em parques temáticos.

Como "museus" sofrem de estarem isolados e longe dos grandes centros urbanos, logo, tendo sempre pouco público.

Arranjem o forte, façam dele um local de diversão à volta da História, com oferta hoteleira incluida (se houver estruturas para tal), e verão as populações dos dois lados da fronteira (e não só) a garantirem uma utilização constante do espaço. E quando um espaço é utilizado, é mantido...

Anónimo disse...

Não me apetece senão dizer: que não me apetece comentar!