quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Entrevista

Foi na "Antena 1" que falei sobre a Europa destes dias, sobre a sua defesa, a sua política externa e as suas relações com os EUA. A propósito do debate sobre a língua portuguesa, disse o que pensava sobre as fragilidades institucionais do nosso idioma e do realismo com que devemos olhar para as suas possibilidades de futuro no campo internacional. Suscitei também algumas questões sobre o Centro Norte-Sul, que passei a dirigir e fui - muito sinceramente - otimista sobre o futuro do país.

Quem estiver interessado pode ouvir aqui.

11 comentários:

Mônica disse...

Senhor Francisco,
Nao sei porque nao consegui ouvir, mas deve ter sido muito proveitoso.
Um grande abraço de sua amiga Monica

A. disse...

The man who is a pessimist before forty-eight knows too much; if he is an optimist after it, he knows too little.

Mark Twain

Gil disse...

Eu também estou optimista: acho que TUDO vai mudar em breve.

Anónimo disse...

Digamos que o Sr. é um otimista “custe o que custar”!
Mas, “esta peixeirada já não vai lá apenas com sermões”. Nem de Vieira! Então o polvo!...
Então como é que agraúda o seu otimismo? Será que tem conhecimentos que não temos?
O Duriense

Defreitas disse...

Nesta entrevista, que ouvi até ao fim, o Sr.Embaixador é realmente muito optimista. Não sei se é a tendência natural de todos os diplomatas de minimizar o perigo, (não, não penso em Chamberlain), mas não vejo nenhuma razão para um tal optimismo no que diz respeito à Europa. E muito menos no que diz respeito a Portugal.
A dissimetria é flagrante entre as posições respectivas da França e da Alemanha no que respeita a supra nacionalidade europeia. Enquanto o Conselho constitucional francês proclamou a supremacia das directivas europeias e os tratados supranacionais sobre as leis nacionais e sobre a constituição francesa - de notar que os "Sages" não verificam mais que 20% das leis nacionais que não são mais que transposições das directivas de Bruxelas, a Corte constitucional de Karlsrhue, ela, proclamou a subordinação das mesmas decisões e tratados europeus às deliberações do Bundestag. Esta é a porta de saída da Frau Merkel, quando a situação lhe escapa!
Quando o jornalista lhe perguntou qual é a influência de Washington nas decisões europeias, creio que a melhor resposta é de observar a posição do Reino Unido, para quem, a obediência às directivas europeias é condicional, e as derrogações aos Tratados Europeus sistemáticas. A subordinação a Washington proíbe estruturalmente toda independência da UE em relação ao tutor americano, onde a bandeira da UE é totalmente ignorada.
Vê-se bem que a construção supranacional opera-se a duas velocidades, incluindo no seio do eixo Franco-alemão.
A zona euro, ou antes a zona euro-marco, é uma zona de proteccionismo germano-yankee.
Esta zona monetária permite aos USA de continuar a impingir os dólares, moeda de referência garantida pela potência da US Army, "surfando" sobre um dólar fraco para dinamizar as exportações, enquanto que o euro forte permite de impor aos países da Europa do Sul, as exportações alemãs facturadas em euro forte, este clone do marco.
Contrariamente ao Sr. Embaixador, eu vejo a Europa do Sul condenada à terço mundialização e à sob industrialização. Os nossos jovens , as nossa forças vivas, dão um sinal preocupante desde há meses: eles emigram desta Europa do Sul, na qual não têm nenhuma confiança. E aqueles que ficam, se conseguirem um emprego , será com salários de miséria como o demonstra a Renault em Espanha.
Nesta evaporação da Nação, que passa despercebida, os mestres do capital vão poder mandar para o museu todas as bandeiras nacionais.

J. de Freitas

Helena Oneto disse...

Plus optimiste que lui (FSC) tu meurs!
A trivial expressão ‘très à la mode chez les ‘djeunes’’ franceses vai, que nem uma luva, a Francisco Seixas da Costa!
Num pais desesperado, não fosse o diplomata optimista, quem o seria?

Dito isto e depois de ler o acutilante comentario de J. de Freitas, acho que o o Senhor Embaixador faz muito bem em se mostrar optimista. Não nos custa nada e faz-nos sorrir:)!

Bien à vous, mon très cher Ambassadeur!

Defreitas disse...

Helena Oneto tem razão: Apesar de tudo é bom que ainda exista alguém que é capaz de conservar o optimismo, mesmo " de façade" !

Porque no fundo, quem não pensa hoje que a explosão da união monetária é uma possibilidade? O que está em jogo é o risco duma depressão mundial, no caso em que o Euro Norte se separasse do Euro Sul, porque o Euro Norte não pararia de subir , com todas as consequências nefastas para a economia alemã, entre outras.

Enquanto que os Estados da zona euro não se convencerem que devem partilhar os riscos subjacentes nos seus sistemas bancários e nas obrigações de Estado, o risco existe. Creio bem que vamos assistir dentro de semanas a mais uma crise do euro, sempre pelas mesmas razoes.

E a Alemanha não pode continuar a se "marimbar" da perda de fôlego dos parceiros da UE, que correm com calçado inadaptado à corrida de fundo! No golfe existe o sistema de "handicap" que seria muito útil no jogo europeu.

Quantos empresários portugueses não sonham de vez em quando com uma desvalorização competitiva da moeda, provisória, para incentivar as exportações? A partir do momento em que perdemos a nossa moeda, perdemos toda a flexibilidade necessária ao comércio internacional. Somos "ricos", com uma moeda forte, o Euro, mas cada vez mais pobres porque não podemos aceder ao jogo dos grandes, que nos impõem as regras do jogo .. as regras que lhes convêm, claro !

J. de Freitas

Isabel Seixas disse...

Ó Helena...
Pouse o olhar, na quietude do branco
e oiça da voz um acorde leve ritmado,
veja das têmporas suavidade do tempo,
sempre, um já revisto compasso estudado

Sorria sem pressa, aproveite a onda,
deposite na memória, a recordação esquecida,lá no sótão faça essa ronda
encontre adormecida a paz da solidão...

Haja alguém, que lembre e que a desperte
do estupor, perplexo,qual devassidão
e abane os músculos, ó energia inerte,
sepultemos os raios da desilusão.

Enfim, todos sós, sem pudores a dizer basta.
Enfim todos juntos, esperança que alastra...

gherkin disse...


Sim, também estou certo que “iremos dar a volta”! Excelente entrevista. Parabens. Totalmente de acordo em relação aos pontos debatidos. Notocante ao papel da França no Mali e a ausência de parceiros na defesa da tal segunda fronteira, não é apenas lastimável, mas inaceitável quando é o futuro não só do Magrebe ou da Argélia, como da própria Europa que está em risco! Quanto à ausência desta não só neste mas noutros casos, o mau aplauso! E, sem que pareça ser lisonjeiro, no que não me importo que assim seja interpretado, os meus parabéns igualmente ao importante reparo da falta de válidos e devidos intérpretes na defesa da língua Portuguesa nas plataformas internacionais. Quanto ao futuro, se o presente, desde o seu regresso a Portugal é um verdadeiro sopro de ar fresco, confio que assim continue, não apenas nos projetos imediatos da organizaõau que chefia mas como o EMBAIXADOR que faltava no tão nosso carente país. Abraço. Gilberto Ferraz

Defreitas disse...

Para dar a volta, é preciso mais que " la méthode Coué" !


Faria de Oliveira ganha mais na CGD do que Christine Lagarde no FMI


Em média os trabalhadores portugueses ganham menos de 50% em relação aos dos restantes 27 países da EU.
Isto ajuda a explicar a grave crise económica, financeira e social que Portugal está a viver.
Para que conste, e para que os futuros Faria de Oliveira e outros possam ser respeitados, repasso o presente e-mail esperando com o mesmo contribuir para a moralização da política em Portugal.
Retirado do site da CGD, referente a 2009 (ainda não divulgaram os valores de 2010):

Presidente - remuneração base: 371.000,00 ?
Prémio de gestão: 155.184,00 ?
Gastos de utilização de telefone: 1.652,47 ?
Renda de viatura: 26.555,23 ?
Combustível: 2.803,02 ?
Subsídio de refeições: 2.714,10 ?
Subsídio de deslocação diário: 104,00 ?
Despesas de representação: não quantificado (cartão de crédito onde "apenas" são consideradas despesas decorrentes da actividade devidamente documentadas com facturas e comprovativos de movimento)

Christine Lagarde receberá do FMI mais 10% do que Dominique Strauss-Kahn, mas mesmo assim menos do que o presidente da Caixa Geral de Depósitos, entre outros gestores portugueses, pelo que a senhora ainda está mal paga pelo padrão de Portugal.
Palavras para quê?
Isto só se resolverá quando a Troika, obrigada a justificar como é que o dinheiro dos contribuintes dos países da EU se gasta na ajuda a Portugal, for obrigada a tomar posição.
É preciso que se saiba que:
"... os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro, mas os nossos gestores recebem, em média:
· mais 32% do que os americanos;
· mais 22,5% do que os franceses;
· mais 55 % do que os finlandeses;
· mais 56,5% do que os suecos"

Anónimo disse...

Eu, que tanto elogio o Senhor Embaixador, queria de verdade acompanhar o "seu" optimismo sobre Portugal e o seu enquadramento na Europa e no mundo...Mas, mas... não sei! Isto não é apenas decifrar um silogismo ou fazer uma regra de 3 simples... Está complicado.