sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

TVI

A TVI fez 20 anos. Parabéns. É um caso de sucesso televisivo. Goste-se ou não do modelo, há por ali muito profissionalismo.

Esta comemoração, porém, não deve fazer esquecer como tudo começou: a atribuição de uma televisão à igreja católica. Recordo bem como, por todo o país, grupos de fiéis, mobilizados pelas estruturas religiosas, juntaram economias para dar um écran à sua fé, criando uma espécie de Rádio Renascença a cores. Recolhas de fundos levaram alguns crentes fervorosos a venderem os ouros familiares e, em alguns casos, a endividarem-se. Depois, as coisas deram uma grande volta e acabaram assim.

Ínvios são os caminhos dos senhores da mídia.

8 comentários:

Mônica disse...

Senhor Francisco
Aqui tem muitas Tvs catolicas que pedem ajuda para os fieis.
com carinho Monica

São disse...

Sou crente, mas nunca percebi porque motivo consideram as pessoas haver necessidade de mediação entre elas e o divino.

Ainda menos percebo o fanatismo e a cegueira voluntária seja em que campo for.

Lamento que as pessoas , coitadas, tenham vendido o que herdaram e, afinal, a TVi (parabéns, já agora, embora eu não aprecie o modelo)se tenha transformado no que se transformou.

Porém, somos adultos e responsáveis.Que se pode pensar depessoas permanecendo sob chuva, vento, calor(muitas após
dezenas e dezenas de quilómetros a pé, ficarem mal instaladas e andarem de rastos/joelhos)face a um grupo de sacerdotes comodamente sentados em poltronas e resguardados num aquário envidraçado?!

Bom dia.

Anónimo disse...

Na altura pareceu que a concessão de canais de tv aos privados se assemelhou à distribuição que a minha mãe fazia de qualquer coisa por nós: dividi isso como bons irmãos!
Neste caso os “irmãos” foram o Drº Balsemão e a Igreja Católica!

Anónimo disse...

"dos media".

A expressão é latina e não inglesa.

Defreitas disse...

Vivemos num mundo onde se não se aparece na imagem, para defender a causa pela qual se combate, é difícil de existir. Há imensos sábios (sages), seres extraordinários, personalidades de quem ninguém ouve falar, porque não passam nos canais ditos "modernos" : Internet, televisão ou o conjunto dos media.

Se compreendo bem, a TVI é um canal religioso ou de obediência religiosa. Recordo-me ainda da Radio Renascença, e da influência espiritual e política que tinha nesses tempos em Portugal.

Em França, a difusão de emissões religiosas nas cadeias televisivas é fixada por lei, relativa à liberdade de comunicação. A sociedade de programa France 2 ( nacional) está encarregada , aos domingos, das emissões consagradas aos principais cultos praticados em França.

O CSA (Conselho superior do audiovisual) controla estas disposições e deve assegurar a "igualdade de tratamento" e garantir a independência e a imparcialidade do setor publico.
A dificuldade é de saber como conciliar estes valores.

Existem, de vez em quando, verdadeiras intromissões do religioso no laico , posições políticas assumidas com mais ou menos agressividade, mas sem chegar ao extremo do canal venezuelano que chamava à revolução contra o governo legal.

Entretanto, o extremismo religioso reaparece. Creio sinceramente, que o sistema laico é uma base essencial contra os riscos de integrismo e totalitarismo. A democracia pode lutar contra o fanatismo religioso.

J. de Freitas

EGR disse...

Senhor Embaixador:ainda bem que há alguém que nos recorde da genese da TVI.
Admito,que como refere, exista muito profissionalismo no canal.
Mas, francamente, canais que acolheram programas como o Big Brother,ou, mais recentemente a Casa dos Segredos não me parece que tragam algo de positivo para a generalidade das pessoas; não estou a defender posições de"vanguardismo iluminado" mas sim que uma empresa detentora de uma concessão de um espaço publico tem o dever de não promover o mais primario gosto das pessoas.
Também não esqueço Manuela Moura Guedes e tudo o que ela simbolizou.Não diabolizo a TVI mas não gosto do modelo.

ARD disse...

Disse-o o Todo Poderoso:
"Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância ; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado."

Isabel Seixas disse...

Ó Senhor Embaixador ponha "ínvios" nisso...