terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Europa e o Mediterrâneo

Convidado pela Fundação Luso-Americana participei na manhã de hoje num interessante debate no âmbito do "Mediterranean Strategy Group", organizado pelo "The German Marshall Fund of United States". Coube-me falar no painel "The European crisis and Mediterranean Europe: Economic, social and political challenges", com um ministro grego e um editorialista do "El Pais".

O facto do debate ter sido feito sob a "Chatham House rule" impede-me de focar as posições em confronto com alguns outros integrantes do debate, em alguns casos mesmo no âmbito luso-português... Mas posso dizer que falei dos riscos da situação política, económica e social que se vive em Portugal, do precário estado atual da Europa bem como dos problemas da difícil compatibilidade entre a legitimidade democrática dentro dos países e as preocupações de eficácia dos responsáveis pela conjuntural ajuda externa.

É extremamente estimulante tomar nota de visões bem diversas, algumas do outro lado do Atlântico, sobre realidades relativamente às quais temos opiniões fundadas. É que, concordemos ou não com ele, esse outro olhar integra o cenário exterior com que inevitavelmente temos de nos confrontar.  

10 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

..."Mas posso dizer que falei dos riscos da situação política, económica e social que se vive em Portugal, do precário estado atual da Europa bem como dos problemas da difícil compatibilidade entre a legitimidade democrática dentro dos países e as preocupações de eficácia dos responsáveis pela conjuntural ajuda externa."
Deliciei-me com este bocado, meu estimado diplomata!

Anónimo disse...

E era bom que se pudesse falar em Primaveras Árabes e nao Primavera Árabe, com mais propriedade...

Anónimo disse...

Quais primaveras ?



Alexandre

Anónimo disse...

De facto é muito confrangedor ler recorrentemente opiniões absolutamente formadas que ignoram totalmente as opiniões também formadas que correm como boas nos jornais internacionais.
João Vieira

Defreitas disse...

Linguagem de diplomata, para falar dos riscos maiores de derrocada generalizada da sociedade atual. A hipótese da derrocada foi durante muito tempo o apanágio dos historiadores dos tempos longos, que nos ensinaram que as civilizações inteiras são mortais. Todos os semáforos da decrepitude estão no vermelho. A extensão do capitalismo mercantil e financeiro em todos os cantos do planeta transformou a possibilidade da derrocada outrora localizado em risco global.
Todos os semáforos da decrepitude estão no vermelho.


J. de Freitas

Portugalredecouvertes disse...


será que como não podemos fabricar o nosso dinheiro, teremos de estar sempre endividados, continuamente sob o olhar
do cenário exterior que nos observa

moledinho disse...

Chatam house rule. Não conhecia esta regra. Faz falta apresenta-la a muitos moderadores diletantes neste pais tão cheio de fóruns de discussão e debate.

Defreitas disse...

A Portugalredecouvertes:

Quando a divida aumenta e ultrapassa o PIB, em todos os países, o pagamento dos juros acaba por ser a principal linha de despesas dos Estados.
A lista dos países europeus na falência alonga-se: Depois da Islândia, a Irlanda, a Grécia, a Espanha , Portugal e a Itália, a própria França agarra-se desesperadamente às fraldas da Alemanha , que ela mesmo começa a perder o fôlego. Sim, porque os países ricos também têm ultrapassado alegremente a linha fatal.
O capitalismo globalizado ditou as suas regras a todo o mundo e impô-las a todos os Estados, em vez de fazer pagar mais impostos aos ricos e às rendas do capital, estes países fazem-se concorrência para oferecer as melhores vantagens aos capitais e às grandes fortunas do mundo. Os Estados critiquam os paraísos fiscais mas fazem tudo o que podem para evitar de fazer pagar mais impostos aos ricos; Quem não se lembra de Cameron oferecendo um tapete vermelho para os evadidos fiscais de França ?
Os mercados não dirigem o dinheiro para a economia real mas para a especulação. Os Estados, têm, por conseguinte, menos receitas, porque grandes contribuintes não pagam impostos enquanto que as despesas aumentam. E por conseqüência, são os trabalhadores e neste momento, sobretudo, a classe média que devem fazer todo o esforço.
A maioria dos políticos da direita não querem que os ricos paguem mais impostos. Pensam que menos os ricos pagarão de impostos, mais capitais irão para a economia. Ora isto não é possível no mundo globalizado no qual vivemos.

Por isso continuaremos a pagar os juros de dividas que não contraímos, mas que os Estados contraem. Porque as despesas aumentam e as receitas diminuem!

J. de Freitas

Defreitas disse...

Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.”

Eça de Queirós, in “Correspondência” (1891)

Manuel Leonardo disse...

Excia :
Agora que ja pode falar em dinheiro nosso nao do seu pedia-lhe que se possivel estando a Europa em plena crise a sua moeda ,o euro esta' em alta em relacao aos pobres paises como dolar americano ,o mandao e o canadiano que se sente feliz .Como sera' isto possivel ? .Nao quero dizer que seja agora mas desejava que fosse antes da queda do Imperio Respeitosamente envio a todos os mais respeitosos Cumprimentos

Manuel Joaquim Leonardo
Peniche Vancouver Canada