domingo, 24 de fevereiro de 2013

Aparições

- Olha lá! Não será que estás a aparecer demasiado? Desde que regressaste de Paris, no fim de janeiro, já te vi um par de vezes na televisão, ouvi-te na rádio, saíste numa revista e no DN, hoje vens longamente no "Público", além de conferências feitas e outras já anunciadas. Não será demais?

- Talvez. Não sei... Limitei-me a aceitar convites que me fizeram. Não pedi rigorosamente nada a ninguém! Recusei mesmo outras coisas. Claro que podia ter dito que não àquilo que aceitei. Mas por que é que havia de fazê-lo? Julgo que é apenas o efeito "novidade". Daqui a dias, vais ver, começo a "desaparecer"...

Este foi um diálogo telefónico com um amigo, esta manhã. Há dias, um outro amigo mandou-me um SMS: "Há muita inveja. Não te exponhas demasiado. Lembro-me de um conselho que me deram: compra carro em segunda mão; nunca digas que vais viajar; usa roupa vulgar e, se possível, já gasta; oferece os presentes que te derem; mesmo que não precises, pede dinheiro emprestado."

Caramba! Terá que ser mesmo assim? Estranho país este...

25 comentários:

mbs disse...

aparentemente e estranhamente esse é "algum" mas "importante" país que temos...Beware...!!! :)

Maria Helena Pinto Ribeiro disse...

Gostei muito da entrevista, no Público de hoje; pedagógica, conhecedora, provocadora e com a lucidez necessária.
Em todo o caso, o seu amigo não deixa de ter razão, bastará olhar para os acontecimentos das últimas semanas.
A sua entrega e coragem são exemplos necessários, Senhor Embaixador.

Anónimo disse...


Estranho país , decerto , mas também estranhos conselhos.
Que há muita inveja e mesquinhez à solta sabemo-lo desde sempre , não é de hoje nem de ontem e nem sequer é característica nacional (ainda que , vivendo nós aqui, nos parece mais “exclusiva”).

Mas não terá que ser mesmo assim.
O carro em 2ª mão é o único conselho bom , há por aí excelentes carros com 3 anos , poucos quilómetros , por 60% do preço de novo e com garantia do representante.
Foi o que eu fiz quando me reformei , tenho um carro bom e muito seguro (ando lá dentro com os netos , é o fundamental) pelo preço de um carro mais popular mas novo.

Os outros conselhos são óbvios exageros , a começar pelo da roupa gasta , gente acima dos 60 e que por razões “de representação” não pôde andar sempre de T-shirt e jeans terá de certeza farpela em bom estado desde que não tenha adquirido muitos quilos entretanto .

Mas tem razão , apesar das carreiras respeitáveis , começamos a desaparecer a pouco e pouco e ao fim de um ano já só ficam os amigos e conhecidos de sempre ,
há sempre caras novas a chegar ao activo .
Por isso fez muito bem em aceitar os convites .
A que propósito os ía recusar ?

RuiMG

Anónimo disse...

Absolutamente. E também lamentar-se q.b. - no que fui aconselhado sabiamente por pessoa estrangeira. Mas ainda não comecei a praticá-lo. Embora tivesse sobejas razões para o fazer, perante mim próprio, soaria a falso.

Anónimo disse...

Este "post" mostra Portugal no seu melhor.

Isabel Seixas disse...

Ó senhor Embaixador,
para Pastorinhas, antes aparições do Senhor,que de dissimulados e ou picuinhas, além de que nossas Senhoras apavoradas com embates maioritariamente machistas e reféns de uma moral sectária, já nos chegem as catequistas que se rendem só à cozinha abdicando do contributo nos debates por medo de ser MULHER adversária...

Apareça apareça que o Seu aparecer tem graça, esses seus inibidores querem é expô-lo à traça...

Anónimo disse...

O que é estranho é o Sr Francisco (conforme diria a Exma Mônica) não conhecer o seu País!
A partir de agora vou ler os seus posts sob outro ângulo!

Defreitas disse...

A tal pressão social que esmaga muitos Portugueses, e particularmente aquela classe média que sofre hoje mais que outra qualquer. To be or not to be! Os stéreotipos sociais e culturais!

Mas é terrível o que nos diz o Sr. Embaixador! Caramba ! A influência real ou imaginária duma maioria sobre um indivíduo chama-se conformismo.
Andei anos sem voltar a Portugal. Mas o que eu notei imediatamente, quando comecei a visitar mais freqüentemente, foi precisamente o contrário, Sr. Embaixador! Nesse tempo, era preciso "mostrar", de qualquer maneira, o "nível" ! Se agora é preciso "passar sob os beirais" !... Caramba! Viva a próxima revolução !

J. de Freitas

Anónimo disse...

Gosto da sua ironia chamando "amigos" a gente desse calibre.
Tenho a certeza que já os riscou da sua lista de amizades.

Anónimo disse...

A ultima estrofe dos Lusíada fala da inveja. E era Camões a falar.

ARD disse...

Sem comentário.

Helena Sacadura Cabral disse...

Tem dúvidas, meu caro amigo?!

Anónimo disse...

Ó Embaixador,

Isso faço eu sem precisar de fingir.

Anónimo disse...

Este seu post fez-me lembrar a história de um meu amigo, emigrante no Brasil. Dono de um grande património e querendo passar sem ostentações, usa roupas coçadas e ténis velhos. Tudo isso para não ser assaltado e, quiçá, raptado. Mas, Portugal neste caso, felizmente, não se compara com o Brasil.

Anónimo disse...

Se os seus amigos acham que deve andar como "proleta pobrezinho", devia experimentar um alfaiate de qualidade em Beverlly Hills.

Ouvi dizer que os fatos executados por esse mestre alfaiate assentam que nem uma luva !

EGR disse...

Senhor Embaixador:o meu pedido é no sentido de que sempre que seja solicitado "apareça "
Por mim entendo que vozes como a de V.Exa. são sempre necessárias num panorama de opinião que tende sempre para o mesmo lado.
É mais um contributo que nos oferece.

Anónimo disse...

Já antes do 25 de Abril se recomendava: nada de ostentações.
Parece que voltámos a esses tempos.

Alcipe disse...

A entrevista era excelente, deixa-te de coisas. E lembra-te que "este país é o que o mar não quis" (Ruy Belo)

Anónimo disse...

O importante é o que tem a dizer, não importa que fosse ou que é ou que será.
Se o convidam é por que tens coisas importantes e interessantes a dizer.
O sucesso incomoda muita gente.

Anónimo disse...

É mesmo assim. Por essas bandas é-se preso por ter cão e por não o ter. Há anos, eu vivia em Macau quando chegaram da Austrália o vice-presidente do Governo Regional da Madeira e o Chico Costa que promoviam a futura Zona Fraca da Madeira. Tiveram tantos "boicotes" e "rasteiras" que não percebiam porque ninguém os recebia ou marcava uma reunião por mais informal que fosse. Alguém lhes terá dito que fossem ter comigo. Algumas más vontades desapareceram e as reuniões lá se fizeram em Macau e Hongkong. Não faltou nada; nem carro preto, nem meios económicos e logísticos. A certa altura o meu amigo vice-presidente do Governo Regional, O Sousa, perguntou-me como é que eu tinha ido ali parar. Respondi, que sim, porque fizera campanha interna no meu Partido pelo candidato a Secretário-Geral que tinha perdido o Congresso. Lá fui acrescentando que infelizmente em Lisboa os ambientes quando se perde uma campanha são "reles" e que se a gente tenta sobreviver com a sabedoria que tem e pelo curriculum ainda nos mandam mais abaixo... Achava eu que era um mal só de Lisboa. Resposta do meu amigo Sousa: Em política nunca se perde! Quando se acredita mesmo que estamos a dar um bom contributo para a vida e governação do país é ir sempre por onde nos sentimos mais prestáveis. A inveja em Lisboa pode ser grande,mas na Madeira ainda é maior... Conclusão: os cães ladram e a caravana passa. Se seguirmos sempre todos os mesmos medos, quem fica a ganhar são os mesmos de sempre. A sua experiência tem de certeza muito para acrescentar àqueles "discos de música pedida", que ainda por cima não têm a voz do António Mourão. Quem chega a Portugal com alguns conhecimentos não deve deixar de os transmitir. O Senhor Embaixador saberá bem quando deve fazer algumas retiradas. Nunca o faça a pedido de ninguém!

moledinho disse...

Raramente o emigrante que regressa ao pais se sente em casa ao voltar...suponho que possa acontecer-lhe igual...." o status quo" institucionalizado e pouco habituado a conviver com a cultura do Mundo rapidamente se irá melindrar com algumas das suas excelentes crónicas...é que agora está cá e vê-se...quando estava fora é menos incómodo! Abraço amigo de quem opinou e espera não ter sido inconveniente.

Anónimo disse...

O último parágrafo é representativo de uma boa parte da "invejite aguda" que ataca os portugueses!

E, nos tempos que correm, quando se aparece com qualquer coisita nova, também se começa a ouvir "Ainda há quem esteja a viver bem!".

Isabel BP

Isabel

Helena Oneto disse...

Carissimo Senhor Embaixador,

Vou ser mazinha mas apetece-me dizer: "em terra de cegos quem tem olho é rei" e o Senhor tem dois olhos bem abertos e uma grande paciência para ouvir conselhos "amigos"...

O nosso pais não é mais "estranho" que os outros... ha é muita inveja dos seus "signes extérieurs de richesse" que são a sua coragem, a sua inteligência, a sua cultura, o seu bom senso, o seu humor, a sua elegância, a sua diplomacia e os amigos que tem.

Apareça e diga o que tem a dizer agora mais que nunca e não deixe que "este país é o que o mar não quis" (Ruy Belo)

Grande abraço também para o nosso querido amigo Alcipe.

Julia Macias-Valet disse...

Não acredito que os seus amigos desconheçam o importante papel que tiveram os Estrangeirados na cultura e na ciência do nosso país !

"Francisco Seixas da Costa um Estrangeirado no século XXI".
Não me parece nada mal como título para uma biografia...

Rui M. Alves da Silva disse...

Já por altura de um artigo na revista da OA tive esse pensamento. E desde aí não apanhei tudo. Achei estranho, até pelo espaço que lhe foi concedido. Mas como sou um distraído e pouco clarividente, rapidamente desviei o pensamento para algo que pudesse ser mais rapidamente conclusivo.

Parece que a gamela era de alguém. Mas não é sempre assim. Bem se a opção é resignar-se para que o medíocre prevaleça. Ao menos não desapareça de todo. Em vez de o sol nascer para todos, que seja só para alguns.

Ps: Pode ser um disparate, mas eu até desejei que houvesse aí uma agenda para eurodeputado por trás de tanta aparição.