terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

António Pinto Rodrigues (1947-2013)

Há dias, falei de ti por aqui. No que então escrevi, optei por não colocar nada de definitivo. Porém, já então sabíamos que o destino estava marcado, mas a esperança é sempre uma teimosa saudação à vida, enquanto ela existe. Partiste hoje. Alguém, ao meu lado, me dizia, há pouco, que o sorriso que mostras nesta fotografia era o mesmo de quando nos falavas dos teus filhos ou para eles olhavas à nossa frente. É verdade, é isso mesmo. Viveste para eles, para a Dee e para a tua Mãe. Era esse o teu mundo, um mundo que sempre cultivaste pequeno mas que, para ti, foi sempre imenso. Desde que te conheci, há mais de 45 anos, foste sempre a mesma pessoa - intensa, apressada, impaciente, agarrada ao futuro, com sonhos grandes, assentes numa ética à qual repugnava a mediocridade e o arranjismo. Lembro-me bem - que discussões homéricas nós tínhamos, quando eu andava pela governação e te tentava justificar algumas coisas! - como te desesperava um certo Portugal, que nos atrasava os dias, precisamente o contrário do país moderno e de progresso por que sempre ansiaste. Hoje, o ciclo fechou-se, os teus vão aprender a viver com a riqueza da memória afetiva que neles deixaste. Daqui a uns tempos, em Sande, todos iremos fazer-te uma última despedida. A tua Mãe, a suave dona Irene, para quem tu eras toda a vida da sua vida, lá está, há uns anos, à tua espera. Adeus, António.

8 comentários:

Isabel Seixas disse...

Regarei com silêncios a nossa planta de jade,já a haviamos plantado como horizonte sem tempo, imune a qualquer tempestade...

Anónimo disse...

Daquela trilogia de afetos intimos: mãe, filhos e esposa, que não podia limitar o seu horizonte, é afinal uma grandeza de Alma sem limites que o Sr. Embaixador nos apresenta do seu amigo e que recebemos como amigo também.
É dificil dizer adeus a amigos assim. Sentidos pêsames.
José Barros

patricio branco disse...

um adeus a um amigo...

Anónimo disse...

É difícil quando se perde amigos dessa grandeza.

Isabel BP

EGR disse...

Certamente por culpa propria não sei quem era o amigo de V.Exa. que partiu.
Mas, pelo belissimo texto que hoje lhe dedica só poderia ser alguem de uma grande dimensão.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Senhor Embaixador,

Um abraço de sentidos pêsames. A familia não se escolhe, mas os amigos sim, e morrer um amigo é tão mau como uma pessoa de familia.

Helena Oneto disse...

Senhor Embaixador,
Lamento muito a perda do seu amigo Antonio Pinto Rodrigues que não tive o privilégio de conhecer.
Subscrevo o comentario de José Barros.

Francisco Seixas da Costa disse...

Muito obrigado a todos quantos tiveram a simpatia de aqui deixar uma palavra sentida nesta ocasião