sábado, 9 de fevereiro de 2013

Ponto Come

Anotar restaurantes é um "vício" que tenho (estava para escrever "alimento"...), desde há muito tempo. Comecei a fazer isso nos anos 80, com o meu amigo Alfredo Magalhães Coelho, criando guias para várias regiões portuguesas. Eram uma espécie de ajuda, a quem se passeava pelo país, para poder encontrar bons locais para comer, estivesse onde estivesse. No fundo, esses guias eram o resultado da busca que fazíamos para nós próprios, ajudados por opiniões tidas por fidedignas. Desses apontamentos constavam os pratos mais destacáveis em cada casa e as respetivas referências identificativas, com telefones e dias de fecho. 

Mais tarde, nas várias cidades do mundo por onde fui vivendo, ia tomando notas sobre os lugares que me tinham agradado e, com gosto, passava-as a amigos. Não eram críticas gastronómicas, porque não me reconheço minimamente competente para tal, mas simples listas de boas mesas, à luz da minha discutível opinião.

Como é sabido, o risco da produção das listas de restaurantes é imenso. Uma mudança de proprietário ou de cozinheiro pode alterar radicalmente, de um dia para o outro, o cariz de um restaurante, e nem sempre para melhor. As coisas mudam mas o que escrevemos fica, para eterno equívoco de quem lê.

Em Brasília, o meu "vício" passou a uma coisa um pouco mais séria: por sugestão do meu amigo embaixador Pedro Bório, fiz parte, durante dois anos, do júri da revista "Veja". Foi então que me dei conta de que a expressão de uma opinião sobre um restaurante, se lida e tida em consideração por muitas pessoas, pode ter sérias consequências no plano comercial e, por essa via, na vida das pessoas que trabalhavam nesses locais. Passei a ser muito mais cuidadoso nos meus comentários, tanto mais que eles eram baseadas em escassas visitas e isso reduzia seriamente a minha legitimidade para me pronunciar.

Em 2010, aceitei o desafio da revista "Sábado" para ser, sob pseudónimo e por um semestre, o "crítico mistério" da revista. Sucedi nessa tarefa a Paula Teixeira da Cruz, a Proença de Carvalho, a Ruben de Carvalho e a Miguel Esteves Cardoso. Embora residente em Paris, tive o maior gosto em levar a cabo essa tarefa. Mas foi aí também que percebi melhor as minhas sérias limitações como "crítico", a minha completa incapacidade de me colocar ao nível de um David Lopes Ramos ou de um José Quitério, figuras cimeiras na arte portuguesa da escolha restaurativa. Devo dizer que, desde então, olho para a crítica gastronómica com muito maior respeito. 

Ainda no Brasil, criei o blogue "Ponto Come", onde fui colocando algumas notas sobre restaurantes. Regressado a Portugal há poucos dias, decidi retomar a escrita desse blogue, nele inserindo curtas e despretenciosas notas sobre os locais a que me vou deslocando, na minha vida quotidiana. Quem quiser ler esses apontamentos deve ter a certeza antecipada que as opiniões que exprimo valem apenas o que valem, com toda a sua subjetividade e amadorismo. E ninguém se espante se vir desaparecer ou alterarem-se alguns dos "posts", porque eles vão naturalmente evoluindo à medida das minhas experiências, pelo que a data da última atualização deve ser sempre tida em atenção.

Reconheço, com facilidade, que em tempo de crise alguns poderão considerar algo ostentatória a revelação destas experiências gastronómicas. Concedo que isso possa ser visto assim, mas, não obstante o tempo que atravessamos, a verdade é que há, por todo este país, muitos restaurantes que necessitam de clientes para subsistirem e darem emprego a pessoas. É por essa razão que entendo ser adequado, por parte de quem vai tendo a felicidade de os poder visitar, sublinhar a qualidade do trabalho dos melhores profissionais deste importante setor económico.

Assim, e se estiverem interessados, consultem o "Ponto Come".  

11 comentários:

Julia Macias-Valet disse...

Welcome back ao "Ponto Come" :-)

Isabel Seixas disse...

Está bem Sr. Embaixador daqui desde o pronto come, em casa;

Souflé de bacalhau

3 Postas de bacalhau
6 ovos
1 pacote de puré
1 pãozinho
leite qb

Colocam-se as postas de bacalhau numa panela em água a levantar fervura, coze já com o fogo desligado na panela fechada durante 10 minutos.
Retiram-se peles e espinhas e "amassa-se" num pano de cozinha.
Junta-se: ao puré previamente feito com leite(quantidade mínima só para dissolver o pó), ao pãozinho de centeio(bijou)4o gr amolecido em leite,misturando com as 6 gemas bem batidas adicionando-se finalmente as claras em castelo temperando com noz moscada moida qb.

Vai a cozer em forno a temperatura aproximada de 220º, cerca de 20/30m numa forma de ir ao forno e à mesa, de souflé de bordas altas, barrada de manteiga.
serve-se de imediato após adquirir um aspeto dourado.
Degusta-se em boa "companhia",refiro-me, claro, basicamente ao vinho selecionado, de preferência "maduro" cálido...

Se jantar com o James Bond escolha um branco...

patricio branco disse...

bem voltado à critica ou se preferir àsa notas sobre restaurantes. é uma tarefa não facil, que pedir? pratos do dia? a especialidade da casa? uma entrada, um peixe e uma carne?depois, como dito, os restaurantes mudam, subitamente pioram (ocasionalmente melhoram). nos tempos que correm, o preço é um factor importante de avaliação, há casas que fizeram um notavel esforço para reuzir os custos mantendo qualidade, 1/2s rações, menus com salada, bebida e café incluido.
uma critica deveria sempre ter o custo do que se pediu.
com a crise, os cortes nos vencimentos e pensões, o aumento dos impostos, aprendi a comer de forma diferente, mais em casa, menos fora e fora em sitios onde antes não ia, ignorava. e a ver a alimentação de forma diferente. e a gostar do que antes não frequentava.
bem, vou seguir com interesse, é o tipo de critica ou cronica que gosto de ler. bem voltado e vamos abrir o apetite com as suas leituras ne ponto.come

Anónimo disse...

Sou emigrante em França , quando vou a Portugal ,gosto de ir aos lugares que o Sr Embaixador recomenda ,atè agora apenas uma desilusao :a Pousada do Marao .Obrigado por voltar a partilhar "les bonnes adresses" no Ponto Come

Bom domingo . Alexandra

João Antelmo disse...

Lá voltarei, Excelência !

Anónimo disse...

sugestao sr embaixador

se puder e entender ponha nas suas cronicas uns cifroes
para que se possa distinguir os mais acessiveis dos menos (o que nem sempre é assim tao evidente...)

Anónimo disse...

O Senhor Embaixador já está em Lisboa. O Ano Novo Chinês requer uma celebração na Pascoal de Melo, nº8 - A, no restaurante HONKONG. Sem ter o requinte do "Mandarim" do Hotel Estoril tem a mesma qualidade a preços mais de acordo com o quotidiano dos portugueses. O "Dim Sam" é feito todos os dias à moda de Macau. Comida de Cantão. Abriram em Oeiras um segundo restaurante na Praça Maputo (aonde já fui) mas a Pascoal de Melo fica mesmo ali... para quem está a trabalhar por perto...
Como não posso deixar passar a data, desejo a todos um bom KONG HEI FAT CHOI!
PS: como o bacalhau não tem datas... vou fazer o souflé. Agradeço a receita.

Angie disse...

Sempre positivo Sr. Embaixador que se façam coisas para promover locais de restauração com qualidade

Anónimo disse...

Há muitos anos que o Restaurante Mezzaluna é um dos meus restaurantes de eleição porque mantém o mesmo nível.

Infelizmente, a maioria das vezes isso não acontece depois de ganharem fama.

Isabel BP

Anónimo disse...

De fazer inveja: na quinta-feira, almocei no Vallecula. Sempre muito bom.E por lá vi quem sabe das andanças de boa cama e boa mesa.E a Casa das Penhas Douradas ali tão perto e eu perdido no deserto.

moledinho disse...

À table.