sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Atraso?

Há certas pessoas que têm um conflito insanável com os relógios e para quem os horários são sempre referências apenas tendenciais. Várias teorias existem sobre o que estará subjacente à atitude dos endemicamente atrasados. Alguns chegaram a ministros dos Negócios Estrangeiros. Foi esse o caso de Vasco Futscher Pereira, uma das brilhantes figuras da nossa diplomacia.

Era muito difícil fazer "arrancar" o embaixador Futscher Pereira para qualquer compromisso. Como acontece com todos os atrasados, tinha sempre pretextos para ficar mais algum tempo. 

Um dia, Futscher Pereira tinha um encontro ao meio-dia num local que distava cerca de 20 minutos do seu escritório. Os seus colaboradores começaram a ficar preocupados, ao verem o embaixador envolver-se em outras tarefas, à medida que o tempo corria. A certo passo, um deles ousou dizer:

- Já está atrasado para a reunião...

- Essa agora!? Mas que horas são?

- Já são cinco para o meio-dia!

- Mas não me tinhas dito que a reunião era só ao meio-dia? Ainda faltam cinco minutos! Não estou atrasado... 

11 comentários:

Anónimo disse...

E quando marcamos encontro com uma pessoa que não conhecemos, e que, à hora certinha ali chegamos e ficamos à espera cinco, dez, vinte minutos, e depois de termos imaginado cinquenta esfinges e não encontramos o "nosso" acabamos por abandonar o local a desconfiar da data e do relógio...
José Barros 

Defreitas disse...

No tempo feliz dos relógios solares não havia a sombra duma exatidão!

Mas o vosso amigo, Sr. Embaixador, conhecia de certeza Ubu roi : La liberté, c'est de n'arriver jamais à l'heure. »

J. de Freitas

Anónimo disse...

Embaixador,
Eu dou-lhe pelo menos três elementos que predominam endemicamente nos atrazados. Primeiro, má educação, normalmente desde pequenino - eles sabem que alguém está a utilizar o seu tempo na espera; em segundo lugar, falta de rigor e disciplina - não conseguem cumprir; e em terceiro, um ego enorme - em cujo tamanho só eles próprio acreditam.
Nunca consegui ter alguma simpatia pelos atrazados e sempre me irritaram, sobretudo quando se trata de "grandes senhores". No primeiro encontro, ainda espero o tempo razoável para saber a razão não poderem estar a horas; na próxima, ficam a falar com eles próprios.

Anónimo disse...

já dizia o oscar wilde: a pontualidade é uma perda de tempo!

Defreitas disse...

Ao ler o novo tema do Snr.Embaixador, tive a intenção de lhe dizer que chegar atrasado a um "rendez-vous" pode muito bem salvar-lhe a vida! Depois, pensei, que a minha historia não tinha interesse nenhum para os nossos leitores! Tanto mais que na minha profissão comercial à volta do mundo fiz sempre muita atenção à pontualidade, porque o sucesso da minha atividade podia depender do seu respeito. Um cliente potencial, como as damas, não apreciam a gente atrasada. Em princípio, somos nos que devemos esperar... nos dois casos!

Vivo numa grande cidade dos Alpes franceses e, desde a minha juventude, que sempre gostei da montanha, da alta montanha, para skiar ou para marchar.
Há muitos anos atrás fui, com uns amigos, fazer uma grande "randonnée" de ski de fundo num planalto do maciço des Oisans.
Quatro horas bem passadas, numa paisagem que se pode imaginar, onde o fotografo amador que sou, parava freqüentemente , na cauda do pelotão, para tirar mais uma fotografia.

Tendo perdido de vista , a um dado momento, o pelotão, tomei um atalho que se averiguou mais tarde ser antes um alongamento do percurso.
O resultado, foi que tendo chegado à estação superior do teleférico, a cabina tinha partido há alguns minutos e era .. a última no fim dessa tarde.

Encontrando-me então sozinho na estação, lá comecei a longa descida em ski mas mais freqüentemente a pé, até à estação terminal. O que normalmente levava vinte minutos, levou mais três horas! O tempo entretanto piorou, o vento levantou-se e a noite começava a cair, e o caminho muito acidentado.

Quando cheguei extenuado à estação, vi uma grande azafama e pensava que era por minha causa , tanto mais que lá estava também a proteção civil .
Averiguei a verdadeira razão e vim a saber que a ultima cabina se tinha desprendido dos cabos e que ficou durante duas horas a bailar lá em cima debaixo da ventania, até que se pudesse descer "en rappel", um a um, os pobres passageiros, dos quais um, tinha caído, ferindo-se gravemente contra uma arvore. Este era um dos meus amigos. E que hoje ainda sofre dum handicape sério.

Que moral retirar deste atraso involuntário ? O destino? O que é certo é que por vezes, há atrasos que valem uma vida. Mas que não sirva como desculpa para não respeitar os outros que estão à espera!

Desde então, desisti de condenar os que chegam atrasados! Quem sabe o que lhes poderia acontecer se chegassem à hora? Como dizemos por cá, Snr. Embaixador : "Il vaut mieux tard que jamais" !

J. de Freitas

Anónimo disse...


“Creio na pontualidade , embora por vezes ela me torne solitário”

Edward Verrall Lucas , escritor inglês


Pois uma tia-avó minha , maníaca da pontualidade , chegou tão cedo à estação dos caminhos-de-ferro (aqui há 50 anos atrás)que apanhou o combóio anterior e salvou a vida ...

RuiMG

Anónimo disse...


Em tempo .

Um holandês com quem colaborei uns meses no Alentejo contou-me que um dia que vinha para uma reunião em Lisboa ficou parado num engarrafamento na ponte.
Preocupado com as horas telefonou a informar que estava atrasado e porquê.
Responde-lhe o interlocutor português “Não há problema . E agora o que é que me queria dizer ?”.

RuiMG


Helena Sacadura Cabral disse...

Ai, meu amigo, que tema...
Sou obcecada com a pontualidade que considero uma prova de educação. Mas pertenço a uma família de atrasados - mentais, penso que não - temporais e o tema já foi causa de zangas sérias com os filhos, ambos de olhar pouco para o relógio...
Há tempos tomei uma decisão: ninguém me faz esperar mais do que 15 minutos, porque salto e vou embora. Depois são os "outros" que ficam à espera...
Tem dado um resultadão!

Anónimo disse...

Na adolescência andava sempre atrasada... Depois, passei para o 80 e sou de uma "pontualidade britânica".

Detesto esperar e já deixei algumas "alminhas" penduradas ao fim de um determinado tempo de espera.

Isabel BP

Anónimo disse...

Creio que a pontualidade é essencial, é uma das principais formas de respeito para com os nossos interlocutores. Falta demasiado em Portugal.

Isabel Seixas disse...

Embora compreenda do domío teórico das cronociências os ritmos biológicos diferentes das pessoas e o sacrificio físico que os vespertinos fazem para estar de manhã a horas e os matutinos para estar de noite sem sono, considero o pontómetro ou relógio de ponto ou o controlo biométrico da assiduidade, um excelente regulador da uniformidade da pontualidade da assiduidade e consequentemente do absentismo.

Há trabalhadores que se consideram Acima de qualquer controle por endeusamento da inerência de funções, aliás usam as suas horas de trabalho no setor público como direito de acumulação(que bom a ganhar ao mesmo tempo nos dois lados) no setor privado, sem qualquer pudor, mas as ações são de quem as faz...

De qualquer forma a maioria dos trabalhadores cumpre rigorosamente as horas de trabalho que ganham...
(Corporativismo à parte os Enfermeiros dão sempre horas suplementares gratuitas às instituições, à procura do Céu... )