terça-feira, março 03, 2009

Regras

Alguma coisa que ainda julgo saber dos temas europeus faz-me pensar que não está hoje criada, no âmbito da União Europeia, uma verdadeira consciência sobre os riscos que o projecto comum tem vindo a correr nestas últimas semanas.

A preservação da União Europeia, e em especial do seu Mercado Interno, pressupõe que todos os seus Estados membros cumpram, com idêntico rigor, as regras acordadas em comum. A actual crise económico-financeira parece estar a ser um alibi de oportunidade para alguns poderem tentar ser beneficiários da quebra desse corpo de regras, o qual é uma das chaves do sucesso do processo comunitário, e que não pode manter-se sem elas. E isto, até historicamente, é muito mais grave do que pode supor-se.

Para vigiar e alertar publicamente para o infringir dessas regras, bem como para propor sancionamento do seu desrespeito, existe a Comissão Europeia, a quem compete o papel de guardiã do interesse comum. Mas será que ela está mesmo a exercer esse papel? E, não estando, por que será?

4 comentários:

  1. Anónimo15:48

    Existem várias respostas possíveis:
    a) Porque os Estados-Membros não deixam;
    b) Porque os Comissários não deixam;
    c) Porque os funcionários não deixam;
    d) Porque o seu presidente quer a todo custo ser nomeado para um segundo mandato e está convencido que para isso tem que fazer fretes aos grandes Estados-Membros.

    Escolha a resposta certa.

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  2. Pois, pois, Meu Caro
    Muito abreviadamente:
    O trágico erro foi ter-se construído uma Europa neoliberal...para o capital, e agora , para os problemas que a crise põe - aliás consequência directa daquele neoliberalismo - apenas haver soluções nacionais. É que a Europa que os neoliberais construiram não se ocupa de nenhum dos problemas que nacionalmente afectam os países que a compõem. Consequência: se as soluções nacionais conflituarem gravemente, nomeadamente entre os grandes países, o destino desta Europa não será muito diferente do da Sociedade das Nações. Cá se fazem, cá se pagam.
    Abraço
    CP

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  3. Anónimo22:14

    Vivemos tempos instigantes ao ocio criativo, na medida em que a incerteza a todos surpreende e consagra-se o fracasso dos tais guardioes de sabedoria, que nos apontavam ate agora com uma inquietante firmeza o rumo do concerto das nacoes .Cito Bertrand Russell, que escreveu: "A guerra demonstrou de maneira incontroversa quem gracas a organizacao cientifica da producao, seria possivel assegurar a populacao do mundo moderno um razoavel teor de vida, tirando partido somente de uma pequena parcela das capacidades gerais do trabalho. Se , ao final do conflito, esta organizacao cientifica criada para permitir que os homens combatessem e produzissem municao tivesse continuado a funcionar, reduzindo a quatro horas a jornada de trabalho, tudo ficaria melhor. Ao contrario, instalou-se de novo o velho caos." Conclui: " O mundo sofre por culpa da intolerancia e da carolice, e pela errada conviccao de que toda acao energica eh louvavel, ainda que mal direcionada. " . Neste contexto, a busca de consensos e a abertura de pensamento para novos paradigmas devem compor a pauta do projeto Europa para o sec.XXI.

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  4. Anónimo12:21

    A propósito da Europa neoliberal, convém notar que nem sempre é esse o fim da história. Ainda esta semana o Parlamento Europeu rejeitou a proposta da Comissão que altera a Directiva 2002/15/CE relativa à organização do tempo de trabalho das pessoas que exercem actividades móveis de transporte rodoviário. O argumento: a COM ignorou os pedidos do PE para incluir os trabalhadores por conta própria e uma transposição rápida por parte dos Estados-Membros.
    Como se vê: de vez em quando o PE mostra os dentes. A Comissão que se prepare para o Tratado de Lisboa...

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