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segunda-feira, março 23, 2009

Cerejas

Alain Juppé foi primeiro-ministro, várias vezes ministro e é hoje "maire" de Bordeaux, depois de ter feito uma penosa travessia do deserto político. Já depois disso, esteve no primeiro governo do presidente Nicolas Sarkozy, do qual se demitiu, ao ter perdido o seu lugar de deputado.

O título deste seu livro, o sexto que publica, é retirado de uma frase de seu pai, que achava que as coisas da natureza devem ser saboreadas no tempo climático certo, e que Juppé usa agora no sentido óbvio. O livro é, no essencial, uma memória um pouco amarga dos tempos difíceis por que passou, desde o governo às crises pessoais com a justiça. Mas é também uma digressão sentimental, da recordação dos pais à sua afeição pela mulher e, de certo modo, um manifesto subliminar de quem está disponível para regressar à cena política, visando tão alto quanto possível. E é nessa afirmação de ambição, que pretende serena mas que se detecta vibrante, que encontramos, com alguma surpresa, um Juppé aparentemente convertido às teses do desenvolvimento sustentável, terreno que (se) pressente de futuro para quem aspira a voos políticos de fôlego.

Em França, os políticos no activo escrevem bastantes livros, como que a necessitarem de fazer "prova de vida" no mercado das oportunidades públicas. É uma pena que, em Portugal, isso não suceda. As escassas incursões das nossas figuras pela edição foram sempre, embora com diferente qualidade, testemunhos que desenharam interessantes retratos, às vezes dos outros, sempre de si próprios e, no conjunto, de todos nós como país. Cada um a seu modo, uns mais justificativos e destinados a "dourar" a própria imagem, outros mais sinceros e transparentes, alguns, bem raros, com boas ideias, todos representaram uma contribuição para melhor nos percebermos. E para os percebermos a eles.

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