A utilização da bandeira nacional portuguesa em tudo o que era janela ou varanda, durante o Euro 2004, representou uma saudável banalização do nosso símbolo nacional, uma espécie de apropriação popular de algo com que todos patrioticamente nos identificamos, mas com o qual vivíamos uma incompreensível cerimónia. Foi um movimento inédito em Portugal, curiosamente mobilizado por um brasileiro - e creio que nenhum outro estrangeiro, para além de um cidadão brasileiro, poderia ser "autorizado" a lembrar-nos o orgulho que devemos ter na nossa bandeira.Mas Portugal tem sempre, infelizmente, um "outro lado". Hoje, vêem-se, em imensas casas do nosso país, bandeiras ainda desse tempo, rasgadas, desbotadas, esfiapadas, indignas de serem desfraldadas. Será preciso lançar um outro movimento nacional para as recolher?
E, de passagem, não se poderiam mandar retirar as placas "Expo 98", que ainda subsistem pela zona oriental de Lisboa? Com os diabos! Já lá vão mais de 10 anos...
Mas, neste involuntário culto passadista, fruto do luso descuido, quero deixar claro que não incluo o repintar de uma parede da minha rua, em Lisboa, onde subsiste, com subversivo romantismo, "Vota Octávio Pato"...