terça-feira, 4 de agosto de 2015

Os dias da Europa

Nos dias que correm, por esta Europa, abalada pela crise grega e pela tragédia migratória, todos temos mais interrogações do que respostas. Mas é na forma inteligente como as questões certas são colocadas, mesmo se de forma desencantada e com chocante realismo, que sempre reside a chave das soluções do futuro.

Hoje, respetivamente no "Público" e no "Diário de Notícias", Fernando Neves e Bernardo Pires de Lima escrevem "Racismo e muros, voltem, estão perdoados" e "Batemos no fundo". 

São dois textos que põem o dedo na ferida. Leiam-nos.

5 comentários:

Anónimo disse...

Esqueceu-se da Ucrania!...


cumprimentos


Anónimo disse...

Bem escrito. A ler com atenção.
a)Claustros

Anónimo disse...

Um ex-Secretário de Estado dos Assuntos Europeus( mas que não se chama Francisco Seixas da Costa) disse um dia, há muito tempo, não sei precisar quando, que no dia em que os problemas da emigração começassem a ser resolvidos através da restabelecimento de fronteiras, qualquer que fosse a sua forma, o projecto europeu conheceria o princípio do fim. Julgo que nem lhe tinha ocorrido, à época, a construção de muros, tão fresca estava ainda a memória fotográfica da queda do muro de Berlim.
Na altura em que as atenções da Europa e do mundo se concentraram na crise GR, dita como responsável pelo fim da Europa, o qual estaria iminente, passou despercebido o princípio do fim da Europa levado a cabo com a construção de um muro na fronteira da HU, logo seguido das intenções do RU de fazer o mesmo de um dos lados do Canal da Mancha e, só por pudor, não ouvimos ainda o Governo FR dizer que fará o mesmo em Calais.
Está na hora de deixar os GR nas mãos da TROIKA e de nos começarmos a preocupar com estas iniciativas unilaterais que não correspondem a nenhuma coordenação comunitária e que infringem escandalosamente os fundamentos do projecto europeu.

JS disse...

Fernando Neves, tal como muitos profissionais do mesmo nobre mister, há muito que previram para aonde ía esta Europa. Viajar, com estadia, confere sapiência.

B. Pires de Lima usa um "nós", plurar, aberrante. Será que é um PM sombra?. As lágrimas crocodilo do Sr. BPL são só isso.
Esta Europa, por muito mal que esteja, não é por causa destes pobres diabos que está em fanicos.

Anónimo disse...

Com a devida vénia,
Ler
"A culpa é dos europeus, naturalmente"

por Luís Naves, em 04.08.15,Blog Delito de opinião



A maior crise da Europa neste momento tem que ver com um súbito fluxo migratório, mas as histórias que encontramos na imprensa mostram sobretudo a histeria em torno de Calais (que envolve 5 mil dos mais de 200 mil ilegais que já entraram na Europa de Schengen, só este ano) ou a tragédia de Lampedusa, onde pelo menos os barcos com refugiados já estão a ser interceptados pela marinha antes de se afundarem com as suas cargas humanas.

Escrevi sobre um detalhe da rota balcânica e encontro textos como este, de Bernardo Pires de Lima, no DN, onde a culpa é dos europeus.

O movimento migratório está provavelmente apenas no início e a sua causa próxima é o colapso tumultuoso de vários países, nomeadamente da Síria e do Iraque, onde as respectivas guerras civis afectam 40 milhões de pessoas. Estes Estados falhados são culpa da Europa? Eritreia, Afeganistão e Somália também?

A continuar o actual fluxo de refugiados através do Mediterrâneo e dos Balcãs, em 2015 entrarão no espaço europeu mais de 400 mil ilegais, muitos sem mais lugar para onde ir (não podem voltar para trás) e alguns possivelmente com más intenções.

Isto não tem nada a ver com o fracasso das políticas europeias de vizinhança, excesso de burocracia, governos injustos, nem sequer com falta de solidariedade. A Comissão Europeia (sem grandes poderes na matéria) distribuiu pelos Estados membros da UE um lote de 40 mil refugiados, num episódio anedótico que envolveu um quinto do problema, e verificou-se que poucos países têm condições para receber tanta gente dentro da legalidade; Portugal não tem, de certeza: é preciso identificar, alimentar e dar trabalho às pessoas.

Nos artigos cheios de boas intenções não consigo perceber qual é a solução:

deixamos entrar toda a gente, só os do Mediterrâneo, só os dos Balcãs, os da Síria e Iraque ou nenhum deles? Os refugiados são distribuídos de forma igualitária pelos países ou pode invocar-se a crise económica? Ficam no primeiro onde entraram, em Itália, Grécia e Hungria, ou podem escolher para onde vão? E quem paga o auxílio? E proíbe-se a protecção de infra-estruturas ferroviárias ou suspende-se a soberania nacional no que respeita a fronteiras?

E quando houver um milhão de refugiados, como é que se faz?